Leonor Simões: Mais mentiraZita(s)

Tirei da caixa de comentários este texto da Leonor Simões que me parece interessante:

Eu sei que noutro sítio já estão 80 e tal comentários sobre o texto principal do Nuno sobre a Zita Seabra e por isso vim escrever aqui o meu.
Por mim, acho íncrivel que pessoas como o Tunes venham dizer que o escarcéu sobre as «imprecisões» é para que não se fale do resto.
Ora,sem dúvida que no livro da Z.S. há verdadeiras «imprecisões» aos montes (dizer que o torturado a 24 de Abril que a 25 julga que a abordagem dos militares era uma provocação era o Américo Leal quando, de facto , era o José Carlos Almeida é de facto uma imprecisão) .Mas há muitas coisas que estão a ser dadas como impressões que são outra coisa bem mais grave e reveladora: são puras mentiras concebidas deliberadamente para alcançar um determinado efeito político.Como já não era imprecisão mas mentira quando já lá vão uns anos ela inventou que, já depois do 25 de Abril, o PCP não gostava que as mulheres andassem de calças, o que é absurdo rídiculo pois as mulheres a usarem calças já era coisa normalíssima antes do 25 de Abril.
Por exemplo, o Vítor Dias no «tempo das cerejas) dedicou quatro desenvolvidos «posts» a quatro assuntos que não considera imprecisões mas falsificações deliberadas.
Mas agora acabo de descobrir um comentário dele posto na caixa da Sofia Loureiro dos Santos ( «defender o quadrado) que merece ser mais conhecido porque, além do mais, tem componentes de testemunho pessoal, o que levanta esta questão: porque é que o testemunho pessoal da Zita vale mais do que o do Vítor Dias ? Creio que vale a pena conhecerem o texto na íntegra que reza assim:

Cara Sofia :

Sem nenhuma acrimónia, permita-me algumas observações a este seu post:

1. Quando, por várias vezes, escreve que «ficámos a saber que…» seria mais rigoroso escrever que ficou a saber que Zita Seabra diz ou pensa que…E isto porque, da primeira página à última, trata-se sempre da visão da actual deputada do PSD que, para o efeito, reabsorve e faz suas todas as falsificações, distorções e acusações lançadas sobre o PCP e a sua linha política, matéria um pouco árdua e exigente sobre a qual se vê que ela nunca percebeu grande coisa. Como exemplo, basta referir que ela também subscreve a velha tese do «cerco à Constituinte» sem responder a uma só das questões que, por exemplo, eu próprio já lancei em jeito de desafio e que nunca foram respondidss por ninguém.(ver post de 3/3 no «tempo das cerejas» .

2.Creio que também é muito benévola ao entender que alguém está aproveitar «imprecisões» de Zita Seabra para promover o assassínio do seu carácter. No caso que linka para o meu blogue quanto ao post «Cunhal e a chaimite» só lhe digo que há dias foi feita uma adenda a esse post causada pelo facto de, no livro, as coisas ainda serem piores. Não há nenhum assassinato de carácter de Zita Seabra em curso. Há sim a demonstração de que ela própria há muito fez haraquiri ao seu carácter.

3. E também,estimada Sofia, não são «imprecisões» acusar a direcção do PCP de ter colocado no final da vida dois dirigentes históricos com décadas de clandestinidade – Joaquim Pires Jorge e Francisco Miguel – a fazerem de porteiros da Soeiro P. Gomes, o que, sendo rotundamente falso, visa espalhar a ideia de uma imensa desumanidade e frieza por parte do PCP mesmo em relação homens e mulheres com um historial de sacrificio notável.

4. De igual modo não é uma «imprecisão» que ela apresente Cunhal a falar e a reagir com camaradas seus de uma forma absolutamente sem credibilidade como o podem testemunhar aqueles que, como eu, trabalharam de perto com AC durante um quarto de século.

5. Também não é uma «imprecisão» que Zita Seabra não se importe de traçar um retrato devastador dos seus métodos autoritários como dirigente da UEC e do PCP só para «in fine» deixar a conclusão que esse era o estilo e a prática do PCP. Saiba a Sofia que, antes e depois do 25 de Abril, eu nunca foi tratado como os dirigidos por Zita Seabra foram tratados por ela e nunca tratei ninguém como ela tratava, sendo de acrescentar, para bom entendedor, que também não o consentiria nem me vergaria a tais abusos de autoridade e métodos de recorte estalinista.

6. Por fim,uma revelação no sentido de que, tal como fiz com outros e outros fizeram comigo , eu, em não raras ocasiõe, dei um apoio não despiciendo a Zita Seabra em algumas das suas tarefas e encargos, coisa de que ela sempre se esquece por causa do seu ego, rasurando a evidência de que num partido como o PCP, todos beneficiamos muito do trabalho de camaradas que nem sequer beneficiam dos holofotes da comunicação social.

7. Apesar disso, quando ela aderiu ao PSD e a comunicação social pediu uma reacção ao PCP, eu tive de, em nome do PCP, fazer o comentário político mais curto e arrasador da minha não curta intervenção política. Salvo erro declarei então, unica e exclusivamente, que se tratava de «uma decisão e de uma evolução que falam por si.» E continuam a falar por si, mesmo que no seu livro Zita Seabra nem uma página final dedique à parte seguinte do seu percurso político depois de ser expulsa do PCP. »

PS de Leonor Simões: eu não tenho tantos anos de PCP como o Vítor Dias, mas já agora acrescento à lista das coisas estranhas que a Z.S. diz o conceito por ela muito repetido de «via armada para o socialismo» que, segundo ela já estaria na cabeça de Álvaro Cunhal quando chegou ao Aeroporto da Portela, apesar de quem o esperava em Belém ser esse irrepreensível democrata chamado António de Spinola. Em todos meus 30 anos de partido,nunca até agora tinha ouvido esse conceito de «via armada para o socialismo», em livros, discursos ou comunicados do PCP ou em reuniões. É claro que ouvi muitos desabafos de militantes comuns do género «isto não vai lá com eleições» mas «via armada para o socialismo» tout court, jamé, jamé, jamé, como diria o outro. Acrescento ainda que, segundo o livro de Zita Seabra, para Álvaro Cunhal, até se afastar, sempre continuou o famoso PREC (Processo Revolucionário em Curso). Ora que, a partir de 1976, eu sempre o ouvi dizer e escrever foi que estava em curso e prosseguia o processo contra-revolucionário e talvez seja demais para a cultura política da Zita compreender que não há memória de em tempo histórico algum dois processos de sinal contrário estarem a correr ao mesmo tempo porque quando um ascende à categoria de «processo» é porque é ele o prevalecente e o dominante.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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