Não foi assim

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Estou a ler o livro de Zita Seabra. Apesar de ainda me faltarem algumas páginas, queria deixar umas notas soltas. Por método, vou do menos importante para o mais importante e no fim gostaria de deixar um comentário sobre um assunto mais pessoal.
1.A Zita Seabra fez um livro descuidado e mal editado. Nas páginas do “Foi Assim” descobrimos, por exemplo, que Amílcar Cabral era guineense (pág. 163), que Honecker morreu secretário-geral do partido do governo da Alemanha de Leste (pág. 175) e que Che Guevara saiu de Cuba para fazer a revolução na Colômbia (pág. 204).
2. Ao longo de páginas, a autora faz um ajuste de contas que tem uma tortuosa relação com a verdade. Página sim, página não, Zita Seabra vai difamando dirigentes do PCP que se opuseram a ela, recorrendo, nesse processo, de um velho arsenal estalinista do assassinato de carácter. Vejamos um exemplo: na página 128/129 insinua que Carlos Costa é cobarde porque não participou numa fuga com Carlos Brito, esquecendo-se de relembrar que o “cobarde” Carlos Costa foi o mesmo que esteve na fuga de Peniche e desceu com outros presos uma frágil corda feita de lençóis. Ao longo de todo o livro, os únicos dirigentes comunistas honestos ou viveram com Zita Seabra, ou morreram, ou saíram do PCP.
3. Várias vezes a autora recorre à mentira fácil para conseguir um efeito, um instrumental típico do estalinismo, conhecido por verdade instrumental. Faz este tipo de truques nas coisas mais pequenas e ridículas, às vezes sem ter em conta a própria coerência da obra. Na página 168, Zita Seabra garante que os militantes do PCP nunca gostaram de Zeca Afonso porque ele nunca foi do partido ou “compagnon de route”. Eis uma declaração que só a deve incluir a ela, pois não conheci nenhum militante do PCP que expressasse uma posição tão estúpida. A própria Zita Seabra, 30 páginas depois, está a descrever o agrado com que os militantes do PCP escutavam Zeca Afonso. Mais grave é a pseudo-descrição da chegada de Cunhal a Lisboa que fez na entrevista à RTP 1. Aí é garantido que Cunhal encenou a subida ao cimo do tanque para representar uma repetição da chegada de Lenine a Petrogrado. Todos os testemunhos históricos negam essa vontade de orquestrar. Cunhal subiu de facto a um Chaimite a convite de Jaime Neves, por não haver outro sítio onde pudesse falar à multidão.
4. O livro está cheio do ego de Zita Seabra. Nessas páginas descobrimos a mágoa que sentiu por não ter sido convidada para a formação da UEC. Ficamos a saber, outra inverdade histórica, que ela dirigiu a UEC até ao fim (saiu, bastante contestada pelo seu autoritarismo, quando na UEC Jorge Araújo substituiu Carlos Brito no controlo da organização). Para já não falar de afirmações, a tocar ao espantoso, quando nos quer convencer que Cunhal deixou de lhe falar porque ela foi mais aplaudida do que ele num comício em Aveiro. Como se Cunhal necessitasse, para ser reconhecido o seu valor e influência, de ter mais palmas do que ela…. Zita Seabra tem-se numa alta conta que atinge as raias do doentio. E tende, provavelmente, a ver os outros como ela é.
5. A esse respeito, é fantástico a assumpção por parte dela de que todos foram “comunistas” como ela. Que todo o aderente do partido ambicionava tomar o poder pela força, liquidar os contra-revolucionários e pelo caminho torturar gente nas caves de uma sede qualquer. É preciso esclarecer que nem todos tinham uma leitura tão simplista e criminosa do marxismo-leninismo e que a grande maioria dos comunistas estava convencido que se batia por uma maior liberdade e justiça social e não para instaurar uma ditadura de um qualquer secretário-geral.
6. Agora uma questão pessoal. Zita Seabra passa metade do livro a gabar a sua imensa coragem e a dizer da falta de valor daqueles que estavam no exílio, chegando quase a insinuar esse comodismo no próprio Cunhal. Como se Cunhal não tivesse sido preso, torturado, estado em isolamento, fugido de Peniche, e o PCP, dadas as sucessivas prisões de dirigentes e os problemas que isso acarretava, não tivesse, correctamente, decidido manter parte da direcção no estrangeiro.
A certa altura, Zita Seabra, para afirmar a sua superioridade moral sobre os “ortodoxos”, refere o caso de Pedro Ramos de Almeida, afirmando o seguinte: “o regime negociou e permitiu o regresso do exílio de um importante funcionário do PCP, na altura em Argel, responsável pela organização naquele país. Regressou com uma ampla publicidade e sem que nada lhe acontecesse, nem que a PIDE o molestasse. Tratou-se de Pedro Ramos de Almeida, antigo estudante de Direito. Dizia-se, admito que seja verdade, que tal regresso tinha sido negociado directamente pelo Dr. Abranches Ferrão, conhecido e prestigiado advogado de Lisboa e creio que seu padrinho, e pelo próprio Marcelo Caetano. (…) Pedro Ramos de Almeida foi prontamente expulso do PCP, vindo a ser reintegrado no PCP só bastante depois do 25 de Abril, por decisão ratificada do Comité Central, quando foram também readmitidos outros casos ainda mais complexos de militantes que não tinham tido um porte exemplar na cadeia. Ramos de Almeida, curiosamente, quando voltou a ser militante veio imbuído da mais dura ortodoxia”.
Essa história, que eu conheço bem – afinal Pedro Ramos de Almeida é meu pai -, é exemplar do ponto de vista das pequenas manipulações e inverdades.
Comecemos pelo início, quando Pedro Ramos de Almeida não estava em Argel, mas na clandestinidade em Portugal. Aliás, ao contrário do que felizmente sucedeu com Zita, o meu pai foi preso várias vezes e torturado, a primeira aos 17 anos, sem nunca falar à polícia, e preso mais de quatro anos, grande parte dos quais em Peniche. O meu pai era não apenas um importante funcionário, mas um dos principais organizadores dos sectores estudantil e intelectual do PCP e membro do Comité Central. O que aconteceu foi que, depois de vários anos na clandestinidade, ele sentiu-se cansado e com vontade de viver “normalmente”. Pediu, com honestidade, ao PCP para sair da clandestinidade, alegando um conjunto de questões pessoais, nomeadamente o facto do seus filhos estarem na legalidade (por exemplo, a minha mãe e eu tínhamos saído da clandestinidade um ano antes). O PCP foi contra e o meu pai optou por sair, desobedecendo ao partido, sendo por isso expulso. O regresso à legalidade do meu pai, foi tratado pelo seu padrasto Fernando de Abranches Ferrão (o meu avô morreu quando o meu pai era adolescente), e não padrinho como erradamente escreve Zita. Fernando de Abranches Ferrão – que não era um simples “grande advogado”, como o descreve a autora, escamoteando outros factos que não jogavam com a tese de manobra do regime, mas um reconhecido oposicionista, que defendia presos políticos, tinha estado ele mesmo preso e foi fundador do Partido Socialista – conhecia pessoalmente Marcelo Caetano. O meu pai regressou a Portugal com a obrigação de se apresentar regularmente na PIDE, estatuto que interrompeu quando, depois da sua última prisão, fugiu para o exterior. De regresso a Portugal o meu Pai passou a militar, antes e depois do 25 de Abril, na CDE, organização da qual foi membro da direcção durante anos. Ao contrário do que Zita Seabra insinuou, ele não renegou as suas ideias, voltando depois como “ortodoxo”. Para renegar ideias basta-nos a autora.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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108 Responses to Não foi assim

  1. Lidador diz:

    [Para o que agora importa, saliento, a título de mero exemplo, que o direito ao trabalho e ao descanso, à segurança social, à saúde, ao ensino, à habitação, ao voto, à participação política, etc., etc., etc., foram conquistas civilizacionais geradas com o relevantíssimo contributo do marxismo]

    É espantoso que alguém acredite nisto, malgrado toda a informação.

    Os únicos estados que criaram a vontade e os meios para construir sistemas de segurança social, subsídios de desemprego, prestações familiares, reformas, etc, foram as grandes economias capitalistas. Porque as sociedades liberais não são selvagens. Pelo contrário são os únicos estados de direito, os únicos onde a economia está enquadrada por severos princípios jurídicos e com aplicação efectiva.

    Sabe quem pela primeira vez na história francesa enunciou e exigiu o direito à greve?
    Não, não foi nenhum comunista ou socialista. Foi Frederic Bastiat, um economista liberal (que hoje seria azorragado com o epíteto de “neoliberal”) que em 1849, o apresentou na Assembleia Legislativa.
    Foi o liberalismo que criou os sindicatos, que reconheceu e exigiu o direito à greve, que criou a segurança social, as reformas, os subsídios de desemprego, o bem-estar, a riqueza, o Estado de Direito, a democracia, etc.
    Não criou a perfeição? Não, nem a isso aspira, porque não é uma ideologia , sabe que a perfeição não existe e não repousa em “Verdades Reveladas” de pretensos “iluminados” que andam por aí a vender banha da cobra que eles nunca experimentaram
    Mas criou mais que qualquer ideologia e com erros bem menos sangrentos. É uma porcaria de receita, mas ninguém ainda inventou melhor .Comoaté Aldous Huxley já sabia há umas boas dezenas de anos, a vontade da “boa ordenação” das ideologias totalitárias é sempre usada como justificação para o despotismo.
    Nenhuma das melhorias sociais de que nos orgulhamos, nasceu em países socialistas e é a suprema hipocrisia reivindicar para o marxismo as coisas boas que as sociedades capitalistas criaram, quando as sociedades verdadeiramente marxistas, nada disso criaram.

    [revolução soviética, que em poucos anos transformou um dos países mais atrasados da Europa (acabara de perder a guerra da Crimeia) numa das maiores potências do mundo]

    Inacreditável….quem fala assim não parece ter ideia nenhuma dos dramas que levaram à industralização forçada…milhões de camponeses despojados das suas terras, das suas vacas, das suas galinhas,mortos à fome e pela repressão, os vivos deslocados para as cidades industriai como Magnitogorsky, os millhões de escravos dos gulags.

    A URSS criou indústrias?
    Que fabricava a URSS?
    Máquinas de lavar? Torradeiras?
    Não…carros de combate e aviões.
    Que vendia a URSS?
    Armas e combustíveis fósseis. Exactamente o que hoje vende.

    Uma potência, a obra estalinista?

    Francamente….como se pode ser tão cego?

    Porque razão um país imenso com milhões de hectares de terras férteis, tinha necessidade de importar cereais do inferno americano?

    Sabe quantos veículos os EUA entregaram à URSS, como ajuda militar contra Hitler?
    600 000 veículos, e mais de 50% das munições e combustíveis.
    Uma potência?

    [mais tarde ou mais cedo as ideiais marxistas deixarão outra vez de cheirar a mofo.]

    Sim, os crentes têm fé…há mais de 50 anos, Mussolini também escrevia que ” Se o século XIX foi o do indivíduo (liberalismo) o séc actual é o século colectivo”

    Nos extremos se encontram os companheiros de estrada…afinal de contas Mussolini tb veio do “socialismo”.

  2. p.porto diz:

    ao r.m.

    Para além do comentário do Lidador, imediatamente acima, ques desmonta a sua crença de ter sido o marxismo a criar a “sociedade do conforto”, se isto se lhe pode chamar, acrescento-lhe apensas mais isto: no que sobrou do comunismo, China, Coreia do Norte, Vietemame onde está a segurança social, as 8 horas de trabalho / dia, as liberdades cívicas? Ups, pois, não está. Mais uma mentira ou crença comunista, mais uma cavadela, mais uma minhocas. Ainda vcs se queixam das mentiras e trocas da Zita, às tantas foi apenas uma questão de hábito enraizado do tempo em que era comunista.

    Os casos recentes de trabalhos forçados na China foram descobertos em fábricas nos confins do território propriedade de líderes locais do PC Chinês, e já eram do conhecimento da polícia que preferia nada fazer.

    A seu respeito de tudo isto deixe-me voltar a deixar aqui um comentário meu: “Não está sozinho em acreditar em coisas incríveis: outros acreditam que Hitler foi um grande homem; outros que as vacas e respetivas bostas são sagradas.”

    Deixem a “cartilha”, a “fé”, sejam lucidos e corajosos, enfrentem a desilusão, como fez Zita Seabra, e vão ver que isso vos passa

  3. papagajas diz:

    “Foi o liberalismo que criou os sindicatos, que reconheceu e exigiu o direito à greve, que criou a segurança social, as reformas, os subsídios de desemprego, o bem-estar, a riqueza, o Estado de Direito, a democracia, etc.2

    Claro. Mas é preciso não esquecer que o liberalismo se filia na esquerda. Convém não fazer confusões.

  4. p.porto diz:

    A papagajas.

    Concordo, na sua génese o liberalismo começou por ser esquerda. Quanto à sua natureza, essa não se enquadra na lógica esquerda vc direita, enquadra-se na lógico do direito cívico vs direito divino. Não sou daqueles que confunde esquerda com marxismo.

  5. r.m. diz:

    Ao Lidador
    Estava para não responder, não apenas por falta de tempo ou por ter de escrever estes textos de memória, mas fundamentalmente por considerar o seu comentário uma afronta leviana aos milhares e milhares de vítimas que o liberalismo causou, quer para se impor como modelo de sociedade, designadamente quando implementou de forma drástica a destruição do tipo de propriedade feudal, extorquindo as terras à nobreza, para o substituir pelo tipo de propriedade burguês, quer, sobretudo, mais tarde, para obstar ao progresso social e político. Mas faço-o justamente em respeito a essas vítimas.
    O liberalismo, por essência e definição, recusa os direitos sociais, os direitos associativos e os deveres. Cada indivíduo deve ser visto como uma ilha, ser pré-social, racional-autónomo e, por isso, dotado de direitos naturais, negativos, abstractos e absolutos, os quais deverá poder exercer à exaustão no espaço social.
    Em face das suas características, o liberalismo gerou a hedionda injustiça social que poderá ser constatada em qualquer estudo sobre a realidade socio-económica do séc. XIX.
    Em virtude dessa realidade, geraram-se revoltas e revoluções sociais e políticas, tendo algumas delas assumido proporções avassaladoras, das quais destaquei no texto anterior a revolução europeia de 1848, que numa semana, quando não havia rádio, televisão ou internet, derrubou mais de 10 governos europeus, e a comuna de Paris de 1871. Foi inevitável num quadro em que os trabalhadores, por força das regras liberais, tinham frequentemente de se alimentar de cães, gatos, corvos, etc.
    Apesar da brutalidade da violência do poder liberal, as suas lutas sociais e políticas tinham de gerar consequências.
    Por isso, esse próprio poder teve de conceder algumas migalhas aos trabalhadores (a proposta de lei de legalização dos sindicatos a que suponho se tenha referido enquadrou-se precisamente nesse contexto, como poderá verificar pelos debates da Assembleia Nacional francesa de então, apesar de ter sido derrotada com o argumento liberal de que os sindicatos punham em causa o princípio da liberdade negocial, pelo que foram necessárias muitas mais lutas para que, já no século xx, fosse enfim plenamente consagrado em França o direito à constituição de sindicatos).
    Mas foram sobretudo os trabalhadores que impuseram os direitos sociais, os direitos associativos e os deveres. Os primeiros textos constitucionais do Mundo a consagrar esses direitos e deveres foram: a declaração dos direitos do povo trabalhador e explorado, de 1917, na Rússia soviética, a constituição zapatista, de 1917, no México, e a constituição de Weimar, de 1919, na Alemanha, todas elas resultado de contextos de intensíssimas lutas sociais e políticas.
    A partir daí, muitos países foram abandonando o modelo liberal. A Leste, sob a batuta da URSS, abruptamente, a Ocidente, de acordo com o programa da social-democracia marxista, em crescendo. Desse modo, também no Ocidente, em certa medida até nos próprios E.U.A. de F. D. Rosevelt, foram sendo adoptados profundíssimos elementos de natureza socialista, dos quais posso destacar, a título de exemplo: profunda compressão da propriedade privada, inclusive em favor da progressão da propriedade social, tendo sido nacionalizados relevantíssimos meios de produção, de tal modo que em muitos países (nórdicos, Reino Unido, Alemanha, França, Áustria, etc.) o Estado passou a deter cerca de 50% ou mais das empresas; participação dos sindicatos no controlo da gestão das empresas, inclusive das privadas, e concessão aos mesmos de extraordinários direitos; planificação e regulamentação da economia pelo Estado; direitos sociais, direitos colectivos e deveres; alargamento etc., etc., etc. E, inevitavelmente, embora não aborde aqui essa matéria, não obstante o seu extraordinário interesse e o facto de deixar muitos estarrecidos, também a evolução do sistema político acolheu profundíssimas transformações de sentido equivalente a Leste e a Oeste.
    Desse modo, com a intervenção do Estado na economia, foi possível um crescimento económico exponencial durante 30 anos consecutivos, a par do incremento extraordinário da justiça social. E, simultaneamento, foi possível o desenvolvimento da democracia.
    Mas essa realidade já nada tinha que ver com o liberalismo. Mesmo no Ocidente, ela era fruto do programa social-democrata marxista, em muitos casos reforçado pela importação de experiências soviéticas.
    Lamentavelmente, de há alguns anos a esta parte essa nova realidade está a ser destruída, repondo-se o velho modelo liberal. Trata-se, em minha opinião, de mais um retrocesso histórico, que se pagará caro. A História dirá se estou certo ou errado. mas se estiver certo, não duvide de que o marxismo “renascerá”.

  6. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro Lidador,
    Eu critiquei o livro de Zita Seabra. Justifiquei as minhas críticas. Você que opina nesta caixa de comentários livremente, escreveu um post no seu blog, sobre o meu texto, a que chamou: “O Fuzilamento de Zita Seabra”. Como você sabe certamente o que é um fuzilamento, e não parece ser completamente imbecil, quero-lhe dizer que acho este título insultuoso e fiquei esclarecido com a sua ideia de debate democrático: quem não está de acordo com o livro da dona Zita tem de comer e calar, caso contrário será chamado de cúmplice go Gulag. O meu caro Lidador e o P Porto garantem que todos os comunistas são cúmplices dos crimes do estalinismo. Eu acho o argumento velho e relho e imbecil. Eu não chamo a todos os franceses assassinos devido aos milhões de mortos civis na guerra de libertação da Argélia, nem a todos os adeptos do liberalismo criminosos, por comungarem da mesma ideologia que a administração Bush que lança guerras que custam em pleno século XXI muitas centenas de milhares de mortos. Mas isso sou eu que acho que há uma diferença entre defender uma sociedade socialista e estar de acordo com os crimes do estalinismo.
    Acho esse tipo de contabilidades idiotas. Mas já que tanto insistem, se formos contar, os crimes do capitalismo e da guerra imperialista são muito mais extensos que os horrendos crimes de Estaline. Talvez até por isso, os meus caros comentadores, devessem meter a viola no saco.

  7. joystone diz:

    O Lidador é bom rapaz. É um bocado faccioso. Apenas isso.

  8. Nuno Cruz diz:

    “Acho esse tipo de contabilidades idiotas. Mas já que tanto insistem, se formos contar, os crimes do capitalismo e da guerra imperialista são muito mais extensos que os horrendos crimes de Estaline.”

    Então também podemos afirmar que os crimes do capitalismo e da guerra imperialista são muito mais extensos que os horrendos crimes do Hitler?

    Até eu, que sou de esquerda mas que li o “Livro Negro do Comunismo”, achei esta frase espantosa.

  9. xatoo diz:

    Venho aqui tirar o chapéu à lúcida análise de R.M. pela capacidade de demonstrar as faces mais evidentes dos dois sistemas que pautaram o século XX.. No entanto, numa linha, e apenas numa linha, perdida no habitual emaranhado de bolas de sabão com que o Lidador entretece a sua ténue verborreia, tem o cavalheiro razão: a par da normalização social conseguida na União Soviética o modelo em que assentou o seu desenvolvimento foi conseguido efectivamente por força da indústria militar. Isso deu origem, como é sabido, áquilo que designamos na gíria por Kalashnikov World Tour – se por um lado o capitalismo dito liberal apostou nos investimentos direccionados para o progresso através da tecnologia, a alternativa dita socialista de capitalismo estatal não conseguiu evadir-se da necessidade de contrabalançar o mesmo tipo de investimentos, bem vincados logo de início quando Lenine afirma que na Rússia o “socialismo é a electrificação” do país, o que constituiu uma óptima noticia para a AEG alemã (e por aí afora, para todas as empresas ocidentais que dispunham de tecnologia de ponta para venda). Se por um lado os Ocidentais se atolaram em acções criminosas no Vietname, no Laos, Cambodja, Nicarágua, Salvador, Gaza, Angola, Afeganistão, etc com homens, dinheiro e empresários do complexo politico militar, as facções opostas que responderam nestes conflitos foram fornecidas e alimentadas pelo complexo militar soviético. Estivemos em presença de guerras instrumentalizadas por dois grandes empórios bélicos, OU FOI APENAS UM? cuja necessidade e negócio primordial é facturar! – Assim quer-me parecer que, chegados aqui, deixando de fora a cisão maoista mundial do pós XX Congresso do PCUS, parece-me que o tabuleiro de xadrez onde se defrontam as duas linhas politicas é hoje claramente insuficiente para prosseguir a análise. Quem continua a ver o mundo hoje apenas através de dois possiveis grandes actores apenas vê o mundo que lhe é dado ver, subestimando a míriade de organizações não democráticas, não eleitas, de poderes e instituições ocultas que regem na sombra a instrumentalização por forma a que só se veja esses dois grandes antagonismos – que afinal são duas componentes de um mesmo sistema; a Banca Financeira Global construiu-se e sempre jogou nesses dois tabuleiros, ora a Oeste, ora a Leste, instrumentalizando habilmente o pensamento maniqueista

  10. p.porto diz:

    Ao r.m.

    Algumas observações que me parecem imporantes.

    !.Disse: “… milhares e milhares de vítimas que o liberalismo causou, quer para se impor como modelo de sociedade, designadamente quando implementou de forma drástica a destruição do tipo de propriedade feudal.” Está produndamente equivocado. Pior, desconhece, ignora. Por um lado, não foi o liberalismo que substituiu o feudalismo. O feudalismo foi interompido pelo iluminismo – doutrina em que o Rei é fonte absoluta da legitimidade e autoridade, cerca de 150 a 250 anos antes do aparecimento do Liberalismo. Por outro, o iluminismo não destriuiu de forma drástica a propriedade feudal, aquilo que fez foi impedir a nobreza de cobrar impostos a seu belo prazer. Nem sequer houve “milhares e milhares” de vítimas com implantação dos regimes absolutistas. Vc inventou, vc não sabe do que está a falar.

    2. Disse: “O liberalismo, por essência e definição, recusa os direitos sociais, os direitos associativos e os deveres. Cada indivíduo deve ser visto como uma ilha, ser pré-social, racional-autónomo e, por isso, dotado de direitos naturais, negativos, abstractos e absolutos, os quais deverá poder exercer à exaustão no espaço social.”
    Na melhor das hipóteses, a primeira parte do que escreveu contradiz a segunda. Na pior das hipóteses, a sua frase é ininteligível. Em qualquer caso, dizer que o liberalismo, fruto teórico da Revolução Francesa, recusa os direitos sociais, associativos e os deveres insere a frase na na categoria do disparate. Vc inventou, vc desconhece.

    3. Disse: “Em face das suas características, o liberalismo gerou a hedionda injustiça social que poderá ser constatada em qualquer estudo sobre a realidade socio-económica do séc. XIX.”
    Não foi o Liberalismo, como ciclo político, que cria uma massa de miseráveis, mas a Revolução Industrial, como ciclo económico. Vc não conseguiu distinguir uma coisa da outra.

    4. Disse “ … revolução europeia de 1848, que numa semana, quando não havia rádio, televisão ou internet, derrubou mais de 10 governos europeus, e a comuna de Paris de 1871. Foi inevitável num quadro em que os trabalhadores, por força das regras liberais, tinham frequentemente de se alimentar de cães, gatos, corvos, etc.”
    Esta vem na linha das outras, espantosa. Para ser breve apenas o informo que são impérios europeus não liberais que se lançam contra a França nas ocasiões que refere, e que a a burguesia liberal francesa está do lado dos revoltosos. Vc inventou, vc desconhece.

    5.É dentro do espírito político do liberalismo, e não contra sua vontade, que são aceites como legítimos os partidos socialistas, os sindicatos, as greves. Não se pode dizer que não houvesse opositores ao direito à greve, mas o mais importante é que houve sempre dentro do liberalismo quem fosse a favor, e esses foram a maioria.

    6. Disse: “Desse modo, também no Ocidente, em certa medida até nos próprios E.U.A. de F. D. Rosevelt, foram sendo adoptados profundíssimos elementos de natureza socialista, dos quais posso destacar, a título de exemplo: profunda compressão da propriedade privada, inclusive em favor da progressão da propriedade social, tendo sido nacionalizados relevantíssimos meios de produção”
    Dê-me um exemplo “de nacionalização e da profunda compressão da propriedade privada” nos EUA, ainda que no tempo de Rosevelt. È que eu acho que vc voltou a inventar, mas, como no caso admito desconhecer, prefiro não fazer como vc – inventar – e esperar a sua resposta.

    7. Disse: “Desse modo, com a intervenção do Estado na economia, foi possível um crescimento económico exponencial durante 30 anos consecutivos, a par do incremento extraordinário da justiça social.”
    A justiça social é algo que decorre das preferências dos eleitores nos regimes democráticos. Em qualquer circunstância, numa sociedade livre ocidental, ela ocorreria.
    Quanto aos 30 anos consecutivos de crescimento económico exponencial, queria apenas dizer-lhe que decorrem não do ciclo político, mas so ciclo económico, no caso, capitalista. Em todo o caso não foi exponencial, convenhamos. Mas também aqui admito que vc desconheça o que quer dizer a palavra exponencial, em linha com outras tantas coisas que desconhece e me parece citar de cor, trocando-as todas antes de tropeçar nelas.

    8. “Mesmo no Ocidente, ela era fruto do programa social-democrata marxista, em muitos casos reforçado pela importação de experiências soviéticas.”
    Aqui vc excede-se e consegue escrever duas barbaridades duma assentada.
    Repare: “programa social-democrata-marxista”. Como? Então vc não sabe que a Social-demociacia é a teorização do socialismo expurgando dele o marxismo? Nunca leu que um dos ódios de estimação dos marxistas é a social-democracia? Não sabe a social-democracia pretende compatibilizar socialismo com democracia, liberdade e capitalismo, o que é precisamente tudo o que o marxismo rejeita?
    Depois “ … em muitos casos reforçado pela importação de experiências soviéticas.” Mas qual foi a experiência sovietica que foi importada pelo ocidente? Desculpe, vc é algum louco? Não precisa responder porque encontrei a resposta na “cereja” que segue.

    9 Disse: “mas se estiver certo, não duvide de que o marxismo renascerá”. A minha pergunta no parágrafo anterior está respondida. O pior é que vejo que perdi tempo, só agora percebo de onde decorre a sua incapacidade de ser objetivo, de ser sério. Admito que, afinal, nada disso não esteja ao alcance das suas possibilidades.

  11. Zita Seabra na usa intervenação na A.R. aquando da discussão da Petição n.º 151/X/1.ª (Movimento Cívico “Não apaguem a memória”) : “É tempo de respeitar a história portuguesa do Século XX, porque, não tenhamos dúvidas, nas suas páginas terão lugar, por direito próprio, os que sofreram as torturas na António Maria Cardoso, na Rua do Heroísmo, no Porto, ou no Aljube de Lisboa.”.

    Lendo algumas passagens do seu livro resta-nos um apelo ao Movimento Cívico “Não apaguem a memória”: óh pessoal, não apaguem a memória da Zita, coitada, que anda tão senil!

  12. r.m. diz:

    Ao p.porto.
    Apesar de serem gratuitamente ofensivos e provocatórios, não deixarei de responder factualmente aos seus “comentários”. Não porque vc. o mereça, mas para não passar a ideia de que poderá ter alguma razão. Todavia, como agora tenho que trabalhar, fá-lo-ei lá para o final da tarde.

  13. xatoo diz:

    ao exmo sr p.porto

    As consequências da azáfama com que Vexa pretende “destruir totalmente o pensamento do inimigo”, acaba por se virar contra si próprio: “Não sabe, desconhece”
    1 – Só para lhe recordar aquilo que se infere da sua conversa mole popper-soarista e que, se calhar, nunca soube: as origens da revolução soviética de 1917 nascem precisamente da cisão do Partido Social Democrata, da sua ala Bolchevique (palavra que em russo quer dizer Maioritária). Tal ascensão só foi possível pelas condições de extrema degradação social em que as guerras das Potências por mercados lançaram a Europa, da qual a Rússia fazia parte integrante.
    2 – A intervenção do Estado na economia, como motor de desenvolvimento , é efectivamente advogada por Lorde Keynes e consta de qualquer manual escolar. Esta foi a teoria em que se alicerçou o período de crescimento que ficou conhecido pelos “trinta anos gloriosos” – os marxistas atribuíram-lhe uma designação mais facilmente identificável: Imperialismo, porque a “prosperidade”do ciclo que nasceu com o Consenso de Washington se ficou a dever ao assalto e pilhagem pura e dura dos recursos do resto do mundo inteiro, com o historial de miséria e degradação no chamado 3º mundo que é bem conhecido.
    3 – Para quem abomina a palavra “Imperialismo” (que não é referida uma única vez no discurso simplificado do sr p.porto) lembra-se que também o conceito não é uma invenção da revolução russa, tendo sido primeiro teorizado por Rudolf Hilferding e, entre outros, Rosa Luxemburgo: precisamente, uma das primeiras vítimas da barbárie da cisão “social democrata pela liberdade”, de matar, seja pelas acções de banditismo de freikorps seja através de organizações mais sofisticadas, com a Nato.

  14. Lidador diz:

    Caro Nuno, lameto que tenha ficado ofuscado com o título do meu post e, em consequência, tenha perdido as estribeiras.
    Parece que o NRA tem realmente um problema: reaje a quente aos primeiros estímulos, como, aliás, confessa no seu post e confirmou depois com aquela transcrição um bocado atabalhoada de um excerto de Marx, sem ler o que vinha a seguir.

    Neste caso do “Fuzilamento”, acontece o mesmo. Se lesse até ao fim teria lido o seguinte:

    “As execuções são, por isso, simbólicas.
    O post do Nuno é apenas a sua contribuição simbólica para o pelotão de execução. Mas a raiva está lá….”

    Que raios, NRA, conhece certamente as mais elementares figuras de estilo….de resto você tb as usa.

    Quanto à doutrina que o NRA defende acrisoladamente e a Zita denucia ferozmente, é exactamente essa a lua para onde o livro aponta e essa é a questão que importa.
    Saber se era o padrinho e não o padrasto, se a Zita é feia ou bonita, se foi na Colômbia ou na Bolívia, se a Zita é má ou boa, são fait-divers a que o NRA lança mão para atirar tomatadas e desviar a atenção da lua.

    Táctica leninista….os velhos hábitos nunca esquecem, é como andar de bicicleta.

    Responder-lhe-ei ….tal como responderei à imensa cornucópia de cavalidades do r.m, hoje ainda, se tiver tempo.

    Talvez lá para o fim da tarde…

  15. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Lidador, não perdi estribeiras nenhumas. Há uma substancial diferença entre nós, uma de várias:
    Eu simpatizo mais com as vítimas do que com os carrascos. E por vítimas entendo aqueles que foram mortos tanto a Leste como a Ocidente. Para mim, não há genocídios justificados. O Sr. e o PPorto pretendem desvalorizar os massacres perpetados pela direita. Por isso me irritam contabilidades macabras. Agora, os comunistas portugueses não participaram nos massacres de Estaline. Bateram-se contra o fascismo, é uma situação bastante diferente. Em Portugal, temos a situação fantástica de muitos que criticam o PCP eram cumplices do antigo regime, e pretendem dar lições de democracia, quando estiveram calados quando isso importava.
    Não sou do PCP, nem concordo com muitas das suas posições, e sou contra o funcionamento de um partido que não permite o direito de tendência e a discussão da democrática.
    Sobre o livro da Zita Seabra, acho que é uma obra de má fé. As mentiras, as inverdades e as manipulações provam-no. Zita Seabra tem todo o direito de mudar de posição. Eu tenho todo o direito de achar que ela escreveu um livro pouco verdadeiro, com passagens mistificadoras sobre a participação do PCP nos crimes de Estaline. Isso não é um fuzilamento, nem mesmo simbólico. Quem assim o diz, desvaloriza os fuzilamentos e sobretudo pretende uma situação em que todos tenhamos que aceitar o livro de Zita, como verdade universal.

  16. Não sou um comentador bloguista e penso que não o venha a ser.
    Verifico que aqui as opiniões decorrem de leituras e informação, o que é relevante.
    A matéria em discussão toca-me por duas vias, pessoalmente e ideologicamente.

    Na “Terceira Vaga”, anunciava-se o fim da concentração industrial e da massificação da sociedade . A seguir ao colapso da URSS anunciou-se o” fim da história”, e mais recentemente ouvi na televisão o Rumsfild dizer: (cito de memória) – isso de socialismo, leninismo e terroristas vai tudo para o cesto do lixo…

    A partir de certa altura apesar do pouco aprofundamento em termos teóricos, considerei-me um marxista . Não sei se foi Marx ou Engls que teorizou sobre o papel da “violência na História” e de o ter lido. Lembro-me também de um artigo, que não sei referênciar onde se dizia que as grandes transformações sociais começam sempre por actos de grande violência; Spartacus, revoltas dos camponeses na Idade Média, Revolução , Francesa etc.
    O que disto interiorizei é que temos que enquadrar essa violência no contexto histórico ; matar? todos mataram mataram! !!

    O que lamento pessoalmente do meu ponto de vista( porque em história não há “ses” nem lamentações) é a falta de liberdade na experiência soviética, o que levou ao seu esgotamento e colapso.

    Voltamos à estaca zero! –mas, por vezes é preciso dar um passo atrás para dar depois dois à frente, cito.

    Já o M. Merleau- Ponty em SINAIS quando analisa o papel dos sindicatos no interior das fábricas na antiga RDA , estigmatizava que a falta de liberdade levaria ao recuo por décadas, muitas décadas, do movimento operário.

    Aos neoliberais, que decretaram “ o fim da história”, desejo-lhes muita valentia individual.

    Quanto à Zita Seabra, por experiência pessoal na UEC, deixou-me um traço amargo na garganta; mas quando no interior do PCP se discutiu a sua expulsão,
    votei contra, por isso não me parecer uma boa prática política.

    Aproveito para agradecer ao Nuno Ramos de Almeida a limpidez da sua crónica.

    Adão Contreiras

    PS. Se alguns nomes vão mal escritos peço desculpa, mas falta-me pachorra para investigaçôes

  17. p.porto diz:

    A Xatoo
    Dispenso o “excelência”, julgo que também dispensará.
    Sobre o que escreveu:
    1.Concordo consigo; não escrevi nada que contrarie essa sua opinião. Desde logo concordo com a motivação económica como base para a emergência de movimentos revolucionários dos miseráveis. Quanto à cisão que refere, repare que é um argumento que eu poderia ter usado para dizer que é da mais elementar falta de conhecimento falar em “social-democracia-marxismo” e logo no pós-guerra. Isto é uma mentira, talvez até um wishfulthink.
    2.Indo apenas à essência da sua frase, pondo de lado os enquadramentos ideológicos que lhe dá, veja que eu não disse nada que contrarie a factualidade que refere. Agora, há que acrescentar que o keynesianismo se esgotou, e isso é concensual entre os economistas. Daí que tenha surgido uma abordagem nova à economia que fez com que ela continuasse a crescer. E é um facto (FACTO) que a economia americana, abandonado o keunesianismo, cresce mais, bem mais, do que a europeia; é que na Europa se mantém alguns laivos de keynesianismo. Não se pode ficar parado lá atrás sonhando em reviver um passado enquanto as coisas correram bem.
    3. Não abordei o termo imperialismo pq a questão não se pôs. Obviamente que discordo da concepção marxista de imperialismo, podemos discutir isso em separado. Quanto ao que aconteceu a Rosa Luxemburg, seria bom pensar que quem mexe no fogo também se queima.

    Como vê, se não inventarmos ou deturparmos factos, o que resta são perspetivas. Não me incomoda que pense diferente de mim, tal como não me incomodaram as perspectivas diferentes do rm. Incomodam-me mentiras, incomoda-me que a ignorância e a invenção seja que depois dita como se se tratasse da realidade.

  18. p.porto diz:

    Ao N.Ribeiro de Almeida

    Escreveu: “… o PPorto pretendem desvalorizar os massacres perpetados pela direita”.

    Não é assim. O tipo de argumento que eu uso para denunciar os crimes do comunismo tenho usado na blogosfera também contra a extrema-dereita emergente denunciando os crimes do nazismo, que eles também dizem que não aconteceram.

    Confesso que me indigna é que se tentem branquear passados terríveis, tenebrosos.

    De resto, julgo que as divergências que tenho consigo, meu antigo colega no ISE, se restrigem à forma de abordar o livro da Zita, quando lhe falei no provérbio chinês “quando se aponta para a lua, o idiota fica a olhar para o dedo”.

  19. Quando vestimos beca para corrigir erros alheios, é preciso algum cuidado de rigor. O livro de Zita tem de facto imprecisões e confusões (como acontece à maior parte dos livros de memórias pois o cérebro, felizmente, não é um computador) e um pequeno exemplo destas é ter confundido o sogro de Pina Moura, o pai de Herculana Carvalho, que foi o Guilherme da Costa Carvalho, com Rogério Carvalho, ambos destacados quadros comunistas mas com idades diferentes e sem laços familiares entre si. Mas a quem não aconteceram lapsos destes? Mas quando se “corrigem” outros, arvorando a tal beca do rigor, aí não podemos cometer falhas. E aqui, logo à cabeça, mete-se água na primeira correcção dos “erros da Zita”. Amílcar Cabral, por muito que esteja difundido que ele era “caboverdiano”, era, de facto, guineense. Nascido em Bafatá (Guiné) de mãe guineense e pai caboverdiano, Amilcar (mestiço escuro) era um guineense, como, aliás, sempre se assumiu e disso se orgulhava. Aliás, nas disputas racistas e tribalistas havidas no seio do PAIGC (e que permitiram à PIDE infiltrar os seus assassinos), Amílcar “apanhava” dos guineenses “puros” por ser mestiço e acusado de apoiar o domínios dos quadros caboverdianos como “apanhava”, não menos, dos caboverdianos que acusavam Amílcar de, sendo guineense, apoiar os combatentes guineenses. Muitos quadros caboverdianos do PAIGC eram, durante os cursos de formação miltar na URSS (nomeadamente a equipa que foi para lá para se formar em pilotos de MIGs e regressou, por ainda não haver condições para que o PAIGC tivesse força aérea, trabalhar com os mísseis terra-ar que neutralizaram a aviação colonial), doutrinados pelos soviéticos no sentimento anti-Amílcar, a quem acusavam de ser um defensor exagerado dos guineenses por o ser. Isto tinha a ver que a URSS, do ponto de vista geoestratégico nos seus interesses de superpotência, estar muito mais interessada em ter um “porta-aviões” no meio do Atlântico Sul (Cabo Verde) que a costa da Guiné-Bissau (onde Sekou Touré, na Guiné-Conacry, já lhe fornecia esa posição). Por outro lado, ao contrário do que muitos julgam, Amilcar Cabral era mais “independente” do que a “fidelidade soviética” exigia, e não era bem vista a forma de enorme habilidade diplomática como Amílcar se relacionava com os países nórdicos sociais-democratas (particularmente com Olof Palme, Suécia) e que apoiavam o PAIGC no campo dos fundos, cobertura diplomatica, apoio médico e educacional. Como também é significativo que a invasão da Guiné-Conacry em 1970, para decapitar Sekou Touré, Amílcar e aniquilar o PAIGC, liderada por alpoim Calvão, tenha usado um sortido lote de kalashnikovs novinhas e do último modelo, compradas pelo traficante de armas Zoio na URSS, por encomenda da PIDE. Assim, se a PIDE atingiu Amílcar infiltrando gente que o odiava por ser “caboverdiano” (o que era falso), a URSS acirrava contra Amilcar o ódio dos caboverdianos contra Amilcar por este ser, como era, guineense (na esperança que, numa futura cisão, os caboverdianos, agradecidos, facilitassem cabo Verde como base de domínio da URS sobre o Atlântico Sul). O autor do post, ao negar a Amílcar a sua condição genuína de guineense, está, afinal (e certamente sem má intenção mas apenas por arrogância de corrector apressado de Zita) a prolongar no tempo a campanha da PIDE de falsificação da identidade nacional de Amílcar Cabral. Está desculpado, porque o ódio a Zita (e o ódio cega, como sabemos) é politicamente correcto, absolutamente correcto. Mas, eticamente, não devia andar a enfiar carapuças que bem lhe servem (falsificação histórica) em cabeças alheias.

  20. Lidador diz:

    [O Lidador garante que todos os comunistas são cúmplices dos crimes do estalinismo]

    Não me recordo de ter garantido tal coisa.
    O que eu sustento é que todas as experiências comunistas redundaram no mesmo: miséria, repressão e morte, desde URSS à Etiópia.
    Que diabo, se 50 fantásticos automóveis “socialistas”, os melhores do mundo, entram numa corrida, pilotados por diferentes pilotos, nem todos incompetentes, frustrados ou mal intencionados, em competição directa com desprezíveis carros capitalistas e outras carroças de modelos vários e, lançada a corrida, TODOS se atrasam, despistam ou desistem, qual a explicação lógica? O carro ou os pilotos?
    O marxista cego recusará que o carro é mau e dirá que os pilotos é que eram todos maus, ou que há uma conspiração cósmica.
    Mantém a fé no carro, e acredita que ele funcionará melhor se conduzido por um piloto diferente, um “piloto novo”, que tenha um corno debaixo do nariz, e um rabo com dois orifícios.

    Entretanto, a escuderia capitalista, com o seu modelo “democrático liberal”, que se adapta ao piloto tal como ele é, e não como ele “deveria ser”, vai dando um bigode monumental aos bólides “socialistas”.

    Gente com bom senso, percebe que o modelo “socialista” nunca irá funcionar porque a malta é teimosa e recusa-se a ter um corno debaixo do nariz e dois buracos no rabo.
    Mas o crente acredita…tem fé…é muito religioso…e berra contra os carros capitalistas, dizendo que têm riscos na pintura, que os assentos não são forrado a pele genuína, que atropelaram um gato, e que se vão estampar não tarda nada.
    E cada vez que um deles abranda ou muda um pneu, o crente “socialista” rejubila, espeta as orelhas e profetiza que agora é que vai ser o fim da “escuderia capitalista”.
    E, reduzido agora a mero espectador, anda nisto há mais de 100 anos!

    Ora bolas, NRA!

  21. Lidador diz:

    [ aos milhares e milhares de vítimas que o liberalismo causou.]

    Seja concreto por favor. Está a falar de quê?
    Se o que pretende é afirmar que tudo o que se passou no mundo antes de Marx, era “liberalismo”, então não estamos a comunicar na mesma dimensão e terei de o deixar no seu labirinto.

    [ Mas faço-o justamente em respeito a essas vítimas.]

    Não leu certamente o Livro Negro do Comunismo….fica-se com a ideia que há vítimas mais vítimas que outras.
    Mas diga…de que vítimas fala? De toda a gente que morreu desde que o sapiens existe à face da terra?
    Podemos falar das vítimas do Império Otomano, da Guerra dos 30 anos, da Peste, do Comunismo, do Nazismo, etc…e todos sabemos concretamente do que estamos a falar.
    Agora “vítimas do liberalismo”? Concretize….tiradas grandiloquentes e ocas encaro-as como pura demagogia, útil em comícios, mas sem interesse num debate.

    [O liberalismo, por essência e definição, recusa os direitos sociais, os direitos associativos e os deveres. Cada indivíduo deve ser visto como uma ilha, ser pré-social, racional-autónomo e, por isso, dotado de direitos naturais, negativos, abstractos e absolutos, os quais deverá poder exercer à exaustão no espaço social.]

    Não recusa nada disso, de facto é até no liberalismo que esses direitos são efectivos. Nenhuma sociedade fez melhor que a sociedade liberal, como já demonstrei, neste campo.
    Mas sim, o liberalismo foca-se no indivíduo e é a partir dele e da sua liberdade e capacidades que estrutura a sociedade, em franca oposição aos totalitarismos e colectivismos, que se centram no Estado todo poderoso e, sob a sua batuta, definem e procuram impôr moralidades e conceitos. Os direitos negativos são aqueles que definem o nosso núcleo inviolável e estou em crer que até o meu amigo não tolerará que alguém lhe limite a liberdade de expressão em função de “interesses” colectivos, mas aceita apenas que a sua liberdade seja limitada se o seu exercício choque com o núcleo inviolável de outro indivíduo. Aceita isto, não porque seja “bom”, mas porque é essa a sua garantia de que ninguém o pisará a si tb.
    Ou seja, no fundo você é um liberal…e o que descreve aqui é uma caricatura. Devia ler umas coisas…um boa aproximação filosófica é o livro de Rawls ( Uma teoria da justiça) . Tenho a certeza que se soubesse mais, diria muito menos asneiras.
    Bem, adiante…vou tentar fazer um pequeno resumo para ver se se desperta a sua atenção para o estudo e outras leituras que não apenas os panfletos de além-túmulo.
    O liberalismo é um tipo “ideal” no sentido webberiano…designa um núcleo de ideias centrais para além das quais se desdobra em várias “espécies” (económico, político, filosófico, etc) e graus.
    Não sendo fácil encerrá-lo numa definição, usa-se uma epistemologia que considera que o ser humano é racional e que as entidades colectivas ( classes, estatutos, nações, estado, partidos, etc) são constituídas por indivíduos. Ou seja, rejeita o holismo, rejeita a reificação das entidades colectivas, e é isso que marca a sua fundamental distância aos ismos totalitários (comunismo, socialismo nacional e internacional, fascismo, islamismo, etc.)

    A rejeição do liberalismo económico entende-se facilmente: a maioria das pessoas tem dificuldade em compreender que a ordem espontânea possa ser melhor que uma ordem planeada, apesar de os maiores avanços da espécie e as sociedades mais justas e funcionais serem o resultado da ordem espontanea. A língua, a matemática, a Internet, o Estado de Direito, as Constituições, etc, não são outorgadas por seres superiores iluminados, mas criadas na interacção livre.
    No tempo da URSS, o responsável pelo abastecimento de pão a Moscovo (processo centralizado, planeado e sujeito a racionamentos, faltas de stock, baixa qualidade, etc) em visita a Londres, quis conhecer o seu homólogo londrino, porque em Londres, o pão não só não faltava, como havia sempre escolha a todas as horas, e uma inacreditável variedade.
    Ficou de boca aberta quando lhe disseram que não existia tal entidade….
    Hoje já se trabalha a nível de ciência segundo estes princípios de auto-organização.

    Adiante…. o liberalismo contempla uma infinidade de variantes, que vão de Adam Smith a Hayek, passando por Tocquevile, Bastiat, Stuart Mill, Popper, Friedman, Durkheim etc.
    Também há graus…Nozik tem uma visão restrita, Rawls uma mais lata, mas no fundo o liberalismo é um produto das Luzes.
    No que respeita à sociedade, que é afinal o que interessa aqui, o liberalismo concebe-a como sendo composta por indivíduos que procuram maximizar o seu bem-estar, pelo que as regras devem ser o mais justas possível. Admite que há indivíduos que têm mais êxito que outros no mercado das aptidões e por isso aceita o princípio de que a recompensa deve ser diferente.
    Aceita as desigualdades desde que sejam funcionais e justificadas, isto é, que se fixem num nível tal que para as esbater se prejudicassem todos, a começar pelos mais fracos (esta ideia está muito bem teorizada por Rawls).
    Na verdade, a maioria das pessoas pensa exactamente assim, aceita este tipo de desigualdades e considera-as legítimas (toda a gente acha normal que o médico seja mais bem pago que o escriturário).
    Os que rejeitam o liberalismo, vão buscar os casos extremos, as injustiças que existem em todas as sociedades, pretendendo que “isso” é que é o liberalismo, ou seja criam o demónio, catalogam-no a gosto e depois atiram-lhe tomates.
    Curiosamente usam nessa vendetta os próprios princípios do liberalismo, ou seja criticam as sociedades liberais por desrespeitarem os princípios liberais.
    É um paradoxo, mas simultaneamente a prova de que o liberalismo triunfou.
    Na verdade, as injustiças que permanecem são exactamente o resultado da menos liberalismo, mesmo daqueles que assim se reivindicam.
    Dou um exemplo: a Europa e os EUA são altamente proteccionistas relativamente aos produtos agrícolas de África. Fazem-no à revelia das boas práticas liberais que aconselham o livre comércio. Se houvesse mais liberalismo, os produtos africanos seriam vendidos livremente no espaço europeu. Ganhariam os africanos e os consumidores europeus que teriam bens mais baratos. Perderiam alguns interesses ligados à agricultura, nomeadamente os produtores.
    A falta de liberalismo apenas beneficia alguns e prejudica milhões. É este sempre o resultados dos mercados altamente regulados.
    Que os poucos beneficiados façam crer aos prejudicados que isso é no seu interesse, é que nunca deixa de me espantar.

    Um outro conceito essencial da sociedade liberal é o estatuto (Webber) ou “elites” ( Pareto), categorias incomparáveis (não se pode comparar em termos de valor um grande desportista com um grande cientista) e impossíveis de hierarquizar.

    Essa é a grande diferença relativamente ao marxismo que recusa o “estatuto” e avança com as “classes, em permanente conflito, fazendo mover a história, umas classes melhores que outras.
    Estas ideias já foram derrotadas pela própria história, e apenas alguns tontos lhe dão credibilidade, hoje em dia, mas a vulgata marxista sedimentou modelos simples de explicação que estão por aí e que são atraentes, justamente porque são simples, automáticos e maniqueístas.

    A caricatura aqui feita do liberalismo é afinal o anarquismo, pretende fazer crer que o Estado não existe, só o indivíduo. Grossa asneira.
    O estado liberal existe, tem funções e é um Estado de Direito. Baseia-se em direitos-de (liberdades), iguais para todos e que o próprio estado não pode violar, mas apenas regular e garantir. O Estado tem funções inalienáveis… mas não pode crescer ao ponto de comer a carne de que é suposto ser o esqueleto.
    A igualdade de oportunidades está pois no cerne do liberalismo ( e basta ler Rawls e Kant, para perceber isso)..mas não a “igualdade de resultados”, essa sim, injusta, porque desrespeitadora da individualidade do ser humano e produtora de reais desigualdades.
    O exemplo mais dramático passa-se na educação. As boas almas queriam um ensino em que todos tivessem os mesmos resultados, sem quadros de honra , sem distinções, sem emulações, alegando que não era possível vencer a desigualdade de oportunidades ( família, genes, etc).
    Na prática quem tem mais possibilidades, estuda mais, vai para o privado ou paga explicações. Na prática, são os que nada têm que acabam por ser prejudicados com o ensino massificado e medíocre que lhes cria ainda uma maior décalage.

    Claro que o liberalismo não tem a força explicativa do marxismo, ou de outra qualquer religião ou ideologia, justamente porque não é uma ideologia.
    Adam Smith, na Riqueza das Nações limita-se a constatar que há países mais ricos que outros e procura “descascar” as razões dessa riqueza, para daí extrair, não dogmas, mas algumas hipóteses interpretativas que respeitam os factos que efectivamente ocorreram.
    O liberalismo não projecta criar uma sociedade perfeita, mas sim identificar práticas que parecem resultar. Uma abordagem “científica” (e nesse aspecto, há que fazer uma vénia a Karl Popper.)
    Por seu lado, o socialismo , o fascismo, o nazismo, o comunismo, etc, são ideologias, desvarios construídos à priori, a montante e à revelia dos factos. São, por isso intrinsecamente falsas, procurando adaptar o ser humano a si próprias
    A verdade é que as práticas liberais têm resultado razoavelmente bem e se é verdade que o capitalismo não proporciona igualdade (nem a isso aspira), as ideologias que o contestam muito menos o fazem, bem pelo contrário.
    E comparar a perfeição da “coisa em si” que não existe-a utopia comunista- com o que existe-o capitalismo democrático- é pura desonestidade. O real fica sempre a perder….
    Há religiões que prometem coisas melhores.
    O liberalismo não é escatológico, não tem uma visão mítica e conspiratória do mundo, é apenas racional e pragmático, o que o desvaloriza aos olhos de quem necessita de uma religião, nem que seja secular.
    De resto o tipo de vocabulário passional usado aqui pelo r.m, com abundantes e tremendos adjectivos, de ordem moral, diz tudo das cenouras que o fazem correr.
    Não é razão….é cegueira passional.

    Quanto à história contrafactual com que o r-m nos brindou, não sei que lhe diga. Também gosto desse tipo de ficção (acabei de ler Conspiração contra a América,de Roth) mas não a confundo com a realidade.

    Quanto ao amanhã, o facto de o liberalismo não ter escatologia nem utopias mobilizadoras, não impede que seja portador de sentido, principalmente pela ideia simples e forte que lhe está subjacente: garantir a autonomia e o bem-estar do indivíduo.
    É só esse o programa e é nítido que é nesse sentido que o mundo tem evoluído.
    É pois o pior dos sistemas, à excepção de todos os outros

  22. xatoo diz:

    e pronto meu caro p.porto
    como denuncia os crimes do “comunismo” e do “nazismo”, corta as franjas à fatiota, lavando a consciência com as duas mãos.
    Se calhar, como fica maneta, não se vai poder, em tempo, dedicar à denúncia dos crimes do Capitalismo tout-court, agora mascarado de Centrão. Doravante, por manifesta impossibilidade, vai prosseguir o monólogo de cara suja.

  23. Infidel diz:

    “É preciso esclarecer que nem todos tinham uma leitura tão simplista e criminosa do marxismo-leninismo e que a grande maioria dos comunistas estava convencido que se batia por uma maior liberdade e justiça social e não para instaurar uma ditadura de um qualquer secretário-geral.”

    1. “…grande maioria…” : alguém consegue, por favor, apresentar um estatística ?
    2. Alguém consegue, por favor, indicar quantos regimes marxistas-lenisnistas foram excepção à “…ditadura de um qualquer secretário-geral.” ?
    3. “…estava convencido que se batia por uma maior liberdade e justiça social…” : portanto, o regime de terror criado pelo Vladimir não existiu ou foi engano dele ou as pessoas não sabiam ? Alguém sabe ?

    Agradecido.

  24. luis eme diz:

    Há quem se entretenha a escrever “palha”, armado em dono de “qualquer razão”, como é o caso deste Lidador, de não sei o quê.

    Provavelmente nem sequer leu o livro.

    Como é que alguém no seu juizo perfeito, pode culpar qualquer militante comunista, pelos milhões de mortos assassinados em nome do comunismo, mesmo que tenham acontecido na China ou na União Soviética?

    Era bom que se baseasse na história do seu país e analisasse quantas pessoas foram mortas pelo comunismo e quantos comunistas foram mortos pelo salazarismo… talvez ficasse ligeiramente elucidado de que não se deve misturar as águas…

    A senhora Zita, quis ficar bem na fotografia, mas isso é impossível, graças ao seu passado tenebroso, mesmo dentro do próprio partido.

    Com este livro, ficou a saber que com mentiras e suposições se safa.

  25. luis eme diz:

    Há quem se entretenha a escrever “palha”, armado em dono de “qualquer razão”, como é o caso deste Lidador, de não sei o quê.

    Provavelmente nem sequer leu o livro.

    Como é que alguém no seu juizo perfeito, pode culpar qualquer militante comunista, pelos milhões de mortos assassinados em nome do comunismo, mesmo que tenham acontecido na China ou na União Soviética?

    Era bom que se baseasse na história do seu país e analisasse quantas pessoas foram mortas pelo comunismo e quantos comunistas foram mortos pelo salazarismo… talvez ficasse ligeiramente elucidado de que não se deve misturar as águas…

    A senhora Zita, quis ficar bem na fotografia, mas isso é impossível, graças ao seu passado tenebroso, mesmo dentro do próprio partido.

    Com este livro, ficou a saber que nem com mentiras e suposições se safa.

  26. xatoo diz:

    Lidador
    Vc por mais advertido que seja, por aí nos fóruns, não tem vergonha na cara, e aproveita-se a boa-fé duma pessoa com a estatura do NRA que cai na esparrela de lhe responder e o levar a sério.
    Vc está a perorar e a tecer virtudes, enfiando na prosa nomes sonantes a granel para ver se passa por erudito (muita palha e pouca ideia), sobre uma coisa que já não existe: o liberalismo (que foi deixando de existir, pelo menos desde o tempo de Hayek e depois de Friedman, etc, até arrivarmos à época do liberalismo à paulada imposto pelos seus amigalhaços bushistas
    Para começar, para evitar que faça figuras tristes, uma vez que como entertainer não nos serve, pode-se valer do instrumento concretamente mais comunista que existe nas sociedades contemporâneas do conhecimento: a Wikipédia (de cada um segundo as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades) E vc, meu caro, está mesmo culturalmente precisadinho, ora veja lá as diferenças entre os seus desejos e a realidade. Que ridículo!
    Liberalismo
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Liberalismo_cl%C3%A1ssico
    Neoliberalismo
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Neoliberalismo

  27. Lidador diz:

    Caro xatoo, não perca o talante. O insulto tabernícola só diz algo de si…

  28. Joaquim diz:

    Tunes, tem toda a razão. O Honecker é guineense.

  29. charles diz:

    realmente, a autora mais parece aquele pano velho de sacudir o pó e abanar… e que gaja mais despeitada e reles ao PCP disse adeus, bye-bye, adiós, que soy una desgraciada mentidera, sin punta de kalquer honestidad y honor…

  30. Caro Nuno Ramos de Almeida. A porta estava aberta e entrei para lhe dizer que não nutro nenhuma simpatia pelo PCP. Nem hoje, nem nunca. Reconheço o papel desse partido no combate ao fascismo português, mas nunca gostei dos métodos, das posições, ou da simetria autoritária que desde muito cedo me pareceu partilharem com o antigo regime. (Publicar nas páginas do Avante, antes do 25 de Abril, fotos e nomes de militantes desavindos era entregá-los à PIDE, e isso é inqualificável). Posto isto, parece-me que a questão Zita Seabra vem simplesmente relembrar essa simetria. A prova está em que a senhora, expulsa do PCP tarde e a más horas, rapidamente se enfeudou a outros dogmatismos e a outras fés… porque na tolerância e na dúvida é que ele não pode de viver. Quem não está por nós, está contra nós, como dizia o Salazar e diz agora Zita. Mais do que um problema político, é um problema do foro mental. Posto isto, lamento profundamente o que ela tenta fazer com a memória do seu pai.

  31. Nuno Ramos de Almeida diz:

    P. Guimarães ou Braga, as suas conclusões são fantásticas: os factos do livro podem estar todos errados, o que conta é a intenção da autora de denunciar os crimes do comunismo…. Desculpe, mas as suas conclusões são do domínio da religião , não do domínio da História. O livro da Zita pretende contar uma memória. Esse texto está truncado de pequenas inverdades e de grandes manipulações, mas como o meu caro P Porto concorda com a posição política da autora, o livro é perfeito.

    Tunes,
    Amilcar Cabral não se considerava fundador da pátria guineense. Era alías de um partido que se chamava PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde). De família originária de Cabo Verde, viveu ai desde os oito anos. Quando Nino Vieira fez o golpe de Estado que dividiu Guné e Cabo Verde, um dos argumentos era o excesso de poder de Cabo Verdianos como Luís Cabral (irmão de Amilcar) que aliás continuou a governar o arquipélago durante mais anos.
    Sobre as “imprecisões de edição” e de Zita Seabra podia acrescentar mais umas tantas ao meu texto inicial:
    Salvo erro, não existia CGTP em 1975, essa corrente sindical chamava-se Intersindical (Pag 279), só no Congresso de 76, é que adopta a designação CGTP-Intersindical.
    A sede do PCP na Avenida da Liberdade não foi comprada por uma tuta e meia durante o Verão quente, mas muitos anos depois, salvo erro nos anos 80 e muitos, e por mais de 120 mil contos (pag 280).
    A sede da UEC na Sousa Martins não foi oferecida por gente com medo que a ocupassem, mas alugada por uma família próxima do PCP, alguns deles como o músico João Sampayo continuam a apoiar o PCP (pag 291).
    A FNAC não era uma empresa montada pela RDA, foi um empresa ocupada (Tepclima) que os trabalhadores compraram ao patrão. (pag 316). Os aparelhos de ar-condicionado eram patente norte-mericana e não da RDA. Logo o aparelho que a Zita desmontou, em casa, à procura de microfones não era um monstro da RDA, mas da mesma nacionalidade do presidente Bush que ela tanto admira….

    Estes erros factuais, são os menores do livro, mas ilustram um certo facilitismo. O resto de que falo no post, os assassinatos de carácter, a tentativa de confundir o PCP com o estalinismo são muito mais graves, e tentados pelo meio de pequenas mentiras para criar uma determinada sensação no leitor. De resto, uso o seguinte critério como leitor: se sobre aquilo que conheço num livro, os textos não dizem a verdade, então, com alguma probabilidade pode suceder o mesmo nas partes que desconheço.

  32. Lidador diz:

    [se sobre aquilo que conheço num livro, os textos não dizem a verdade, ]

    Ah, a verdade!
    Aquela a que temos direito, ou as outras.

    A Verdade!

  33. Joaquim diz:

    Pois, essa pequena chatice que é os livros que contam mentiras. Traduzindo para categorias mais fáceis para si, obras que nas suas páginas têm factos que nunca ocorreram… tal como a invasão da casa de Zita Seabra por Raimundo Narciso. Não teria sido mais honesto Zita Seabra ter apenas assinado o livro com os seus co-autores: Alzheimer, Pinóquio e Carlucci.

  34. Viva Alma diz:

    Desculpem la esta intromissão, comparar as atrocidades de Salazar com as Estaline é estar a comparar o caneiro de alcantara com a Cristian Dior -o Estaline foi um assassino de massas, pior que o Hitler, estamos a brincar? so um louco pior que ele é que o pode defender e cá há alguns

  35. Matos diz:

    “Quem não conhece a verdade não passa de um tolo;
    mas quem a conhece e a chama de mentira é um criminoso!.”

    Bertolt Brecht

    “Diz-me com quem andas,
    Dir-te-ei quem és”

    Ditado popular

    “Cada poro do teu corpo,
    transpira toneladas de ódio…
    Para com homens… mulheres…
    jovens… trabalhadores…
    Que pura e simplesmente lutam…
    Lutam por uma vida mais digna…
    Por um país mais justo…
    …mais livre… mais solidário…”

    Matos

  36. Nuno Ramos de Almeida diz:

    João Tunes,
    Não tinha lido o final do seu segundo comentário. Aqui nas caixa de comentários aceitam-se opiniões diferentes, apaixonadas e fortes, mas não insultos. Você fica a partir de agora afastado da caixa comentários.

  37. Vasco Paiva diz:

    Não me surpreenderam um conjunto de distorções da Zita Seabra sobre a sua experiência no PCP. Aliás, admito que tenha sentido essa necessidade.
    Surpreendeu-me um bocadito um conjunto de mentiras um bocado grosseiras sobre Homens e Mulheres do PCP que, concorde-se ou discorde-se dessas pessoas e ideias, merceciam no mínimo mais respeitinho. Essa de inventar que o Pires Jorge e o Francisco Miguel acabaram como porteiros da Soeiro Pereira Gomes … é demais!
    A propósito lembro-me bem das conversas que tive com o Pires Jorge e o Jaime Serra sobre a minha discordância quanto à ascensão meteórica de Zita Seabra…e não fui só eu naturalmente.
    O que mais me surpreendeu foram os erros históricos, alguns já aqui relatados outros apenas acrescento mais um: essa de dizer que “no 25 de Novembro os paraquedistas de Tancos passaram para o outro lado” ora como se sabe e se pode comprovar na imprensa da época os paraquedistas de Tancos foram derrotados e levados presos para a cadeia de Custóias, tendo alguns conseguido fugir e escapar à prisão…
    O que é que ZS ganha com tanta mentira? protagonismo? é possível…
    Ou será que agora a “literatura” é feita com carolinas salgados?…

  38. PB diz:

    O facto é que o Comunismo morreu, a URSS desmantelou-se, a China tornou-se capitalista e em Portugal tem a expressão de um rodapé (se tanto) na página da história contemporânea. Se o livro tem mais ou menos rigor, pouco importa. Até porque as críticas, como sempre, deixam pouco de imparcialidade e navegam ao sabor das convicções pessoais. É apena shumano não é?

  39. Pingback: O Insurgente » Blog Archive » Fel e ignorância marxista no fuzilamento de Zita Seabra

  40. José F. diz:

    Caro Nuno,
    Zita Seabra quer fazer passar a imagem da virgem que viveu no bordel.
    Posso contar-lhe um episódio que sucedeu com pessoa próxima. Essa pessoa foi militante da UEC. Enquanto estudante de Direito (desde 1976) esse militante escrevia para uma revista semanal que era a Opção. Foi então encarregado de fazer uma série de reportagens sobre a situação politica dos liceus. Essas reportagens evidenciavam que a direita avançava nos estabelecimentos de ensino. As reportagens foram entretanto ponto de discussão no orgão de chefia da UEC. Foram muito criticadas porque para a UEC a direita estava nos liceus, mas não “avançava”. No meio da discussão alguém se lembrou que as reportagens eram feitas por “um camarada”. Foi então decidido pela UEC (leia-se Zita Seabra) de pedir a esse camarada que submetesse os seus escritos a uma leitura prévia, antes de os entregar para publicação. Esse “camarada” afastou-se da organização, é claro.

  41. Se Zita Seabra não explica que o vencimento como quadro profissional do Partido Comunista Português é inferior à pensão de reforma como deputada (do PCP) após três legislaturas, todo o livro se torna incompreensível; não porque ache que ela não tenha o direito de optar por uma vida mais folgada, mas porque todo o estatuto de honestidade intelectual de que se quer revestir fica maculado pelo supressão dessa informação. Tenho o direito, como leitor, a avaliar em patamares diferentes aqueles que se prestam a sacrifícios pessoais quando se dispõem a defender ideias sociais, daqueles que não estão dispostos a isso.
    Não advogo que alguém seja obrigado ao que não quer. Mas se toda a sua permanência no PCP foi para Zita Seabra – objectivamente – apenas a rampa para a sua emancipação económica, ficava-lhe bem reconhecê-lo. Até a ocasião para a sua saída poderá ser mais facilmente entendida a esta luz que pelo eventual choque da queda do poder soviético.
    Tenho hesitado em comprar o livro apenas para confirmar esta informação.
    Para qualquer partido, a entrada de Zita Seabra só pode ser vista como ganho na medida em que se preste e reforçar as suas campanhas contra o PCP. E assim, curiosamente, até mesmo estando fora, é o PCP a única coisa que Zita tem para vender. O que não abona muito a favor do partido hospedeiro, cujo brilho deveria ser próprio.

  42. Manuel Rialto diz:

    Extraordinário é o facto de o livro certamente medíocre, de Zita Seabra suscitar comentários tão apaixonados e apesar de tudo com fundamento de um lado e de outro. Jornalista, pude in loco, testemunhar o comportamento de comunistas ( que devia ser exemplar por motivos óbvios e não foi) socialistas liberais e até salazaristas. Todos, ao fim e ao cabo embalados na ideia, muito pouco séria, a qual previa que o novo regime nascente viria a ser uma árvore das patacas para quem deu o corpo e a alma, na luta contra o fascismo ou a favor dele. E assim se cumpriu !!!! Hoje temos os salazaristas que fizeram fortuna e os outros ( comunistas esquerdistas e socialistas de todas as cores ) igualmente enriquecidos pela democracia e pelo kapital , do FMI à UE, passando pelas várias doações de Leste e Oeste. Um orgíaco teatro em que esta gente, apostou e ganhou .

  43. Vladimir diz:

    Caro r.m. o eco do seu silencio é ensurdecedor.

  44. carmo da rosa diz:

    Lidador diz a 13 de Julho:
    ‘Que diabo, se 50 fantásticos automóveis “socialistas”, os melhores do mundo, entram numa corrida, pilotados por diferentes pilotos, nem todos incompetentes, frustrados ou mal intencionados, em competição directa com desprezíveis carros capitalistas e outras carroças de modelos vários e, lançada a corrida, TODOS se atrasam, despistam ou desistem, qual a explicação lógica? O carro ou os pilotos?’

    O mais genial ataque ao comunismo que jamais pude ler! Precisamente pela sua facilidade de compreensão, pela sua simplicidade…

    Lidador,
    ELES não sabem o que dizem, mas bem-aventurados os pobres de espírito porque é deles o Reino dos Céus – a ditadura do proletariado…
    Só que até nisto andam enganados, coitados! A ditadura do proletariado não se encontra na China, na Coreia do Norte ou em Cuba, como eles julgam, mas bem mais perto, nas sociedades liberais e capitalistas que nos rodeiam e de que eles também fazem parte sem se darem conta das vantagens. Minto, creio que lá muito no fundo do coração, eles preferem ficar por cá, atulados até ao pescoço de capitalismo e liberalismo, a emigrar para um paraíso socialista.

  45. Lino Soeiro diz:

    O Lidador e os outros lidadores, falam, mas vozes de Burro não Chegam ao Céu. E como Sabem tudo então o melhor é irem para o Céu. O Vosso anti-comunismo é primário e não percebem nada de História fazem analises fora do contexto Histórico e nem sequer admitem as ideias, mas os Capitalistas mais inteligentes que vós foram beber às obras de Marx e Engels. Só mais uma coisa se não fosse muitos daqueles que vocês abnegam hoje não estaríamos aqui a escrever livremente e vocês a ofenderem quem não está de acordo com as vossas palavras. Vocês até sabem do que aqueles que como eu foram torturados só por terem ideias diferentes. Para vocês torturados não, nunca, isso não existiu, como dizia o PIDE só levaram os tabefes.

  46. José Manuel Jara diz:

    A Zita que se cuide, pois amanhã irá ter de se ver ao espelho do Avante!,e vai ver o seu carão à luz do marxismo-leninismo. Convite para lerem o artigo: “A rota da Grande Dissidente” Avante!, 26 de Julho. O título é inspirado no Sr. Tunes, o maior dissidente a seguir à Zita….

  47. José Arruda diz:

    O lidador é rico

    O lidador tem segurança e flexibilidade quando pega vacas em cascais

    O lidador é pico

    O lidador viu muitos macgivers e muitos chuck norris por isso sabe do que fala

    O lidador não sabe quem é o gagarin porque o gagarin não ganhou nenhuma regata

    As tias do lidador não sabem que o lidador é um possidónio porque não sabem o que é um possidónio

    possidónio | s. m. | adj.

    possidónio

    de Possidónio, n. pr.
    s. m.,
    designação dada ao político provinciano e ingénuo que via a salvação da Pátria no corte radical de todas as despesas públicas;
    adj.,
    pretensioso;
    vulgar;
    convencional.

  48. jsilva diz:

    Esta estória faz-me lembrar a Carolina Salgado:

    – quando de um lado da barreira, era azul bestial para uns e azul besta para outros;

    – passou-se e agora é ídolo encarnado para os donos da bestas e puta desavergonhada para os outros.

    Qual será o seu partido afinal?

  49. Cláudia diz:

    Antes de mais tenho a dizer que adorei o texto.
    Essa mulher apercebeu-se que no PCP não se ganha dinheirinho como nos partidos de direita e ‘converteu.se’ ao capitalismo.

    Peço desculpa, mas utilizei o seu texto no meu blog.
    Com a indicação da fonte é claro.

  50. SL diz:

    Sempre entendi que as pessoas mudassem de opinião, já diz o velho ditado sobre a mudança de opinião do burro… Mas há aquelas razões/opiniões fulcrais e de base que acho muito difícil mudar. Um delas é a do aborto. Acho que uma pessoa que tenha como opinião que a mulher tem o direito de interromper a gravidez (por diversos motivos, e claro dentro de alguns parâmetros… que não vou discutir agora porque também não vem para o caso), passadas várias discussões e alguns anos mude de opinião.
    Interessante foi ver o que encontrei na famosa WIKIPEDIA. Podem muitas vezes suspeitar das fontes e material deste site, mas se tivesse alguma mentira, a dita senhora já a teria corrigido. Sim, porque esta senhora tem direito a estar na WIKIPEDIA!
    Pelos vistos ela até era empenhada neta questão do aborto que, relacionando-a com o PCP, só poderia ser a favor da interrupção voluntária da gravidez, e que, actualmente no PSD, a coisa mude de figura…
    Mas parece que estes camaleões estão a habituar o país a um perfeito descrédito nos políticos…

    “Zita Seabra
    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
    (Redirecionado de Zita Maria de Seabra Roseiro)
    Ir para: navegação, pesquisa
    Zita Seabra é uma política portuguesa nascida em 1949.

    Aderiu ao Partido Comunista Português em 1966 e passou à clandestinidade em 1967, antes mesmo de cumprir dezoito anos, tendo sido “controleira” da UEC (União de Estudantes Comunistas) antes e depois do 25 de Abril de 1974. Deputada à Assembleia da República entre 1980 e 1987, pelos círculos de Lisboa e de Aveiro, foi eleita para a Comissão Política do Comité Central do PCP em 1983, no X Congresso do Partido. Em 1982, tinha sido a responsável pela apresentação no parlamento de legislação sobre o aborto, para além de destacada pelo PCP para a criação do Partido Ecologista “Os Verdes”.

    (…).”

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