Segundo declarou no Parlamento francês o novo MNE Bernard Kouchner, foi a “pressão constante” de Sarkozy sobre os seus parceiros que permitiu um acordo sobre um futuro mini-tratado europeu, uma ideia “proposta e imposta” (sic) pela França, que marca o seu “regresso à Europa” e mesmo a “vitória da política sobre o fatalismo”. Vraiment ? De facto, quando saúda como uma “vitória da política” um acordo cujo objectivo principal é o de evitar o recurso a referendos que se temem de antemão perdidos, aquilo que este Ministro (e fundador dos “Médecins Sans Frontières”) revela antes de mais é que, embora tenha mudado de pastor, continua a ser um homem de fé – e a fé, como se sabe, move montanhas. Graciosamente, à margem do debate parlamentar, o ex-Ministro dos Assuntos Europeus (e companheiro de Kouchner no PSF) Pierre Moscovici afirma que o novo MNE é agora um mero executante da política de Sarkozy para a Europa e pensa que “ele vale mais do que isso”. Vraiment ?




E num exercício político egocêntrico que mais afasta os cidadãos de uma Europa que se une por interesses estritamente comerciais, cada vez mais arredia de valores comuns que a tornem a pátria europeia.
Em vez disso, para sobrevivência de uma política apenas pragmática, e que sustente interesses corporativos instalados, a toda a força se tenta um tratado travestido da constituição morta à nascença, fugindo dos referendos com o diabo da cruz, esperando que não nos venha a ficar caro no futuro estas fugas para a frente.
Caro António,
Acabei de ler o seu texto publicado no LMD. Excelente! Como sempre, de uma solidez teórica assinalável e de uma pertinência analítica muito bem conseguida.
Se escrever mais sobre a Europa, este seu leitor ficará muito reconhecido.
P.S. o título do texto do LMD é acutilante e tem tudo a ver com este seu post.
Cumprimentos,
Sérgio.
Caro Sérgio,
Onde fica o “LMD”, é possível dar o link?
Gostava de lá entrar, porque o António merece ser lido.
Obrigado
JJ
Caro JJ,
Lamento, mas está perante um nabo em informática. Li na versão papel do Le Monde Diplomatique português. Nem sabia que já estavam disponíveis (estão?) on-line.
Cumprimentos,
Sérgio.
O Le Monde on-line está em: http://www.lemonde.fr/
Agora não encontro é o texto de que fala.
Talvez o António Figueira pudesse ajudar?
Caros Sérgio e jj,
Peço desculpa pelo atraso, mas estou fora de Portugal e só consigo ver os e-mails uma vez por dia, ao fim da tarde. O site da edição portuguesa do Le Monde Diplomatique é: http://pt.mondediplo.com/ mas não creio que os diferentes artigos estejam lá à disposição. Em qualquer caso, para a semana estou de regresso e, se o jornal me autorizar, coloco o texto no 5 dias na próxima sexta-feira, para os eventuais interessados.
Abraços, AF