Vraiment ?
6 de Julho de 2007 por António FigueiraSegundo declarou no Parlamento francês o novo MNE Bernard Kouchner, foi a “pressão constante” de Sarkozy sobre os seus parceiros que permitiu um acordo sobre um futuro mini-tratado europeu, uma ideia “proposta e imposta” (sic) pela França, que marca o seu “regresso à Europa” e mesmo a “vitória da política sobre o fatalismo”. Vraiment ? De facto, quando saúda como uma “vitória da política” um acordo cujo objectivo principal é o de evitar o recurso a referendos que se temem de antemão perdidos, aquilo que este Ministro (e fundador dos “Médecins Sans Frontières”) revela antes de mais é que, embora tenha mudado de pastor, continua a ser um homem de fé – e a fé, como se sabe, move montanhas. Graciosamente, à margem do debate parlamentar, o ex-Ministro dos Assuntos Europeus (e companheiro de Kouchner no PSF) Pierre Moscovici afirma que o novo MNE é agora um mero executante da política de Sarkozy para a Europa e pensa que “ele vale mais do que isso”. Vraiment ?

Comentário de jj
Data: 6 de Julho de 2007, 2:26
E num exercício político egocêntrico que mais afasta os cidadãos de uma Europa que se une por interesses estritamente comerciais, cada vez mais arredia de valores comuns que a tornem a pátria europeia.
Em vez disso, para sobrevivência de uma política apenas pragmática, e que sustente interesses corporativos instalados, a toda a força se tenta um tratado travestido da constituição morta à nascença, fugindo dos referendos com o diabo da cruz, esperando que não nos venha a ficar caro no futuro estas fugas para a frente.