O paraíso na outra esquina (2)

k08221b005862.jpg

Há erros enormes que, vistos do lado de cá do tempo, nos parecem risíveis. Foi assim quando, outrora, um dos administradores da IBM declarou que não valia a pena investir em computadores pessoais (PC) porque ´não mais de duas ou três pessoas no mundo estariam interessadas em comprar tal coisa´. Foi assim, a fazer  fé na lenda, quando uma célebre editora argentina recusou o manuscrito dos “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marquez.
Quando nos rimos desses falhanços, esquecemo-nos que todos os prognósticos no fim do jogo são fáceis. Há mesmo “ciências” que são legitimadas pela negação dos seus erros. Diz-se da Economia, a tal que tem problemas em acertar a taxa de juros e de desemprego ao mesmo tempo, que o bom economista é aquele que nos vai explicar amanhã a razão porque aquilo que previu ontem não aconteceu hoje.
Sejamos justos, qualquer ciência é uma afirmação de regularidades, uma tentativa para descortinar sentido no meio do infinito. Aparentemente, essa ideia lida mal com uma realidade que não é feita de regularidades mas que, pelo contrário, é o singular acontecido que lhe dá sentido.
No seu prefácio à edição em inglês, de “L´Etre et L´Evénement”, Alain Badiou escreve: “A truth is solely constituted by rupturing with the order witch supports it, never as an effect of that order”.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

6 Responses to O paraíso na outra esquina (2)

Os comentários estão fechados.