Da importância da virgindade na política

tcover.jpg

De eleição em eleição descobrimos novos candidatos e candidatas que têm como único predicado estarem “fora da política”. Pouco importa que os salvadores do mundo, da pátria e da junta de freguesia não tenham feito mais nada na vida, nos últimos 30 anos, do que andar em partidos políticos. Para muita gente a ilusão parece muito mais atractiva do que a realidade. Resta saber que transformação se constrói na permanência do virtual? Afiançam-nos que tudo isto é para afirmar a vitalidade da sociedade civil. Onde estavam, durante todo tempo, estes arquitectos dos movimentos sociais? Escondidos em algum gabinete?
Portugal precisa de movimentos sociais e de activistas que construam uma democracia participada que não se esgote só nos partidos. Mas uma democracia substantiva não se faz na crítica cega à democracia formal. O discurso salazarento da “minha política é o trabalho” é política de terra queimada. Portugal tem os partidos que merece. Qualquer alteração não passará pela implosão da democracia partidária, mas pelo reforço da participação cidadã e, também (ai credo!), pela melhoria dos partidos.
Tenho para mim que, espectáculo por espectáculo, é muito mais honesta a candidata belga que promete aquilo que toda a gente sabe que não vai cumprir.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

Uma resposta a Da importância da virgindade na política

  1. anita diz:

    Até agora nenhum candidato à Camara de Lisboa dos que já foram apresentados é verdadeiramente independente; para esta análise não conto claro com os independentes do faz de conta, porque a esses chamo dissidentes.

Os comentários estão fechados.