Votos municipais II

Eu até sou um democrata da leitura mas pergunto-me, porque não há-de o princípio do poluidor/pagador aplicar-se também aos jornais gratuitos? (é que já estou farto de ver esta terra alcatifada de metros e destakes).

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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9 respostas a Votos municipais II

  1. Concordo! 😉 Acabei de pisar involuntariamente dois ou três Destaks antes de chegar ao laboratório. Ainda por cima aquele “K” no fim da palavra fere-me a sola dos pés! 😛

  2. Zèd diz:

    Jà agora, quem é o poluidor? Quem distribui os jornais gratuitos ou quem os deita ao chão?

  3. António Figueira diz:

    É óbvio que quem os deita ao chão é quem os lê, mas parece-me evidente que há uma responsabilidade dos jornais na coisa (afinal, antes deles existirem o problema não se punha).

  4. Zèd diz:

    O problema da bomba atómica também não se punha antes da teoria da relatividade, mas não me parece que possamos considerar o Einstein responsável por Hiroshima.
    O problema dos jornais gratuitos não se punha obviamente antes de haver jornais gratuitos, já o problema da falta de civismo e do lixo no chão, esse vem de longe.

  5. António Figueira diz:

    Responsabilizar o Einstein por Hiroxima equivale a responsabilizar o Gutenberg pelo Destak; mais razoável parece-me ser chamar as editoras de jornais gratuitos – a Cofina e Media Capital – a abrir os cordões à bolsa e a contribuir para a sua remoção da via pública, tal como, por exemplo, os comerciantes de automóveis são chamados a colaborar na recolha e reciclagem de pneus usados ou os vendedores de electrodomésticos são envolvidos na gestão da sucata que ajudam a criar.

  6. Zèd diz:

    Em Paris os leitores dos jornais gratuitos (e há muitos; metro, 20 minutes, Matin Plus, A Nous Paris, Direct Soir, etc…) não têm por hábito deitá-los para o chão. Antes preferem deitá-los para o lixo, ou colocá-los onde outras pessoas os possam recuperar para ler. Suponho que neste caso as editoras dos jornais franceses não sejam chamadas à responsabilidade, já que o problema não existe. Por outro lado as editoras em França fazem exactamente o mesmo que as portuguesas, o que é diferente num caso e noutro nada tem a ver com as editoras. Tem alguma lógica responsabilizar essas editoras pelo facto dos leitores portugueses terem um comportamento diferente dos franceses?

    O caso dos automóveis é completamente diferente dos jornais gratuitos, porque neste caso o leitor tem uma alternativa, que não lhe custa muito, basta procurar um caixote do lixo. Já com carros é um pouco mais difícil. Convém, apesar de tudo, não desresponsabilizar (leia-se paternalizar) o cidadão em demasia. Apesar de tudo devemos procurar ser uma sociedade de individuos adultos e responsáveis.

    Contudo acho muito bem se as editoras tiverem que abrir os cordões à bolsa para contribuir para a reciclagem do papel (e talvez não apenas os jornais gratuitos). Aí a questão é comparável à da sucata, está-se a produzir um resíduo de papel que se vai acumular, independentemente do civismo dos leitores, e que é preciso reciclar. Reciclagem do papel sim, agora que os leitores deitem os jornais para o chão não é da responsabilidade das editoras.

  7. António Figueira diz:

    Óptimo, estamos todos de acordo.

  8. Bruno Duarte diz:

    É sempre interessante pensar em fazer o “Capital” pagar, é até de “bom tom” dizê-lo, mas não me parece muito racional neste caso, senão digam-me lá quanto é que as empresas das pastilhas elásticas teriam de pagar para renovar as carteiras das escolas portuguesas todas 😉

    Quem polui é quem deixa o jornal no chão…

  9. Aníbal Silva diz:

    Em Lisboa o problema, infelizmente, não é só dos jornais gratuítos deitados para o chão.Há outro tipo de detritos tão ou mais poluentes que os referidos jornais. Refiro-me por exemplo à porcaria dos cães de estimação. Se não acreditam experimentem dar um passeio na zona da Rua Custódio Vieira, transversal da Rua D.João V.
    Lisboa está uma cidade em que é preciso andar sempre de cabeça baixa, não vá o diabo tecê-las.

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