Militante

solittletosay.jpg

Tenho para mim que aquela ideia de Marx que cada um consegue ver conforme a posição em que se encontra tem muito de verdadeiro. Esta espécie de horizonte social condiciona em muito a nossa percepção das coisas. Tendemos a dar importância àquilo que socialmente e até psicologicamente nos interessa. Claro, como o próprio Marx reconheceu sobre Balzac, que há gente que transcende as suas próprias amarras e é capaz de apanhar um pouco da eternidade e dar-nos um retrato mais espantoso do seu tempo. Espero que seja esse o caso desta passagem de Badiou sobre o significado de ser militante. Cada um acredita no que quiser, eu creio em pedaços de texto de que gosto.
“A subject is nothing other than an active fidelity to the event of truth. This means that a subject is a militant of truth. I philosophically founded the notion of “militant” at a time when the consensus was that any engagement of this type was archaic. Not only did I found this notion, but I considerably enlarged it. The militant of truth is not only the political militant working for the emancipation of humanity in its entirety. He or she is also the artist-creator, the scientist who opens up a new theoretical field, or the lover whose world is enchanted”.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

11 respostas a Militante

  1. ezequiel diz:

    “active fidelity to (an interpretation of) the event of truth.”

    O Senhor Badiou que me perdoe.

  2. António Figueira diz:

    Noto um tom vagamente confessional neste post.

  3. Olá Nuno,

    Não achas que esta passagem também pode significar devoção cega? Esta fidelidade militante aplica-se a qualquer posição política fanática. Como o Badiou tem um conceito de verdade não mediado eu confundo-o sempre com uma forma perigosa de decisionismo…

    Abraço,
    Joao

  4. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Olá João,
    Bem-vindo. Não creio que Badiou defenda o conceito da verdade totalmente não mediada. No seu século xx, fala de vários sentidos do século, conforme as nossas leituras. Mas é verdade (pleonasmo) que Badiou não desiste da ideia de verdade e da sua busca. Eu acho isso bem, não acredito no fundamentalismo do relativismo. Acho que a luta pela verdade e por melhorar a vida é fundamental e faz-se em vários planos.
    Abraço,
    Nuno

  5. ezequiel diz:

    Não caro João, na minha opinião não se trata de devoção cega…basta ler o que ele escreve no Être et Evenement, uma obra deveras interessante. Mas, melhor do que isto, é ouvir o que o proprio diz sobre o assunto, aqui:(O Nuno citou uma review da Amazon que não faz justiça ao texto)

    O evento da verdade é uma ruptura interpretativa vis à vis o infinito múltiplo (pensado matemáticamente). Uma circunscrição, por assim dizer…que não é intrinsecamente dogmática…mas que é necessária à verdade política: A singularização da crença. Badiou não fala bem Inglês e a tradução do EE para inglês não é a melhor, longe disso.

    Esta entrevista revela uma mente brilhante e, acima de tudo, criativa…muito criativa…

    http://www.lacan.com/badiouone.htm

  6. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Ezequiel,
    Passei-te um texto do prefácio à edição inglesa. Comprei a dita edição pq é 30 euros mais barata do que a francesa que andava a namorar há dois anos, mas que custava mais do que 55 euros.
    O resto do livro comento no próximo mês.

    Abraço,
    Nuno

  7. ezequiel diz:

    ah, desculpas…ok (li-os, tome 1 e 2, em Franciú…não tenho a tradução-Inglês)

    para o João:

    “…multiple pure detérminée…(le) monde… une composition de multiplicité dotés de toute une série de qualifications…”

    O múltiplo permanece como possibilidade “antecedente”. Não é reprimido. Os dogmas reprimem o conceito de possibilidade. São herméticos.

    Este senhor é muitissimo interessante. Imaginação filosófica no seu melhor. Tem un quelque chose de Bergson.

    abraços

    ps: Nuno, poderias ter comprado a edição Francesa baratucha (em segunda mão, mas em excelentes condições)

    Para a próxima, se desejares, apita!

  8. ezequiel diz:

    “Como o Badiou tem um conceito de verdade não mediado eu confundo-o sempre com uma forma perigosa de decisionismo…”

    João, podes me explicar isto? Ou então publica um post no metablog sobre este assunto. Parece-me deveras interessante. Referes-te a um decisionismo tipo Schmitt??? A outro? E o “conceito de verdade não mediado”?? Parece-me interessante. Care to elaborate??

    cumps

  9. ezequiel diz:

    Caro Nuno

    Espero não ser chato mas este assunto interessa-me sobremaneira, não por cultivar a pretensão de compreender a filosofia do Prof. Badiou (ou qq outra), mas por ser a inspiração de uma peça de teatro.

    Considera este extracto:

    “Take the sentence ‘This event belongs to the situation.’ If you can, using the rules of established knowledge, decide that this sentence is true or false, the event will not be an event. It will be calculable within the situation. Nothing permits us to say ‘Here begins the truth.’ A wager will have to be made. This is why the truth begins with an axiom of truth. It begins with a decision, a decision to say that the event has taken place. The fact that the event is undecidable imposes the constraint that the subject of the event must appear. Such a subject is constituted by a sentence in the form of a wager: this sentence is as follows. ‘This has taken place, which I can neither calculate nor demonstrate, but to which I shall be faithful.’ A subject begins with what fixes an undecidable event because it takes a chance of deciding it. This begins the infinite procedure of verification of the Truth.”

    Aqui a fidelidade não parece ser a fidelidade ideológica, mas fidelidade ao evento, á demarcação do principio do evento.

    http://www.egs.edu/faculty/badiou/badiou-truth-process-2002.html

    também seria interessante ler a opiniao do João

    espero não vos estar a maçar
    cumps

  10. ezequiel diz:

    ser a inspiração de uma peça de teatro….Porra, de um AMIGO.

    reli esta merda e recordei-me da boca do Filipe (presumptuous)…(mas asseguro-vos…nem sei se esta palavra existe…asseguro-vos, fosga-se, austero com o o caraças, mas, dizia eu, mas, para que fique claro, eu não tenho qq propensão for the theatrical life…

    é uma peça que a melhor amiga da minha amiga que frequenta o bar da melhor amiga da minha prima que é completamente louca…mas obtive el panfleto, e lá vem pomposamente descrita a genealogia badioudiana da coisa…um labirinto! 🙂

Os comentários estão fechados.