O Fim da Missa

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Este é o meu corpo, etc.

Estávamos em 1991. Naquela época, desde que comprou o videoteipe (em 1982, a tempo do Mundial de Espanha; ainda deve por lá haver os 3-1 que o Brasil enfiou na Argentina), o meu avô gravava dezenas, centenas de filmes, que iam parar a casa da minha mãe; por vezes era ela quem os pedia; outras, era ele que os gravava, presumindo que interessassem. Quando Nanni Moretti se tornou um nome famoso, graças à estreia comercial de Palombella Rossa – suponho que em 1991, ou talvez ainda em 90 – descobri lá pelas estantes do video um filme anterior, O Fim da Missa, com Moretti num papel de padre. Ou foi da influência de Palombella Rossa e eu confundi as memórias, ou foi mesmo assim que percebi o filme, mas a ideia que tenho é que Moretti tratava o catolicismo como quem trata o comunismo; e que o padre que ele representava estava em crise de fé. Não sei. O certo é que emprestei a cassette ao Nuno Ramos de Almeida – começávamos a ser colegas de curso por esse tempo – no ano já longínquo de 1991, cassette que regressou ao convívio de minha casa há escassos meses.

Perdi a cassette e também perdi, mais ou menos, o Nuno Ramos de Almeida de vista. Recuperou-se o Nuno e recuperou-se a cassette, e o Cinco Dias foi instrumental nisto. E agora saiu no mercado português, em dvd, O Fim da Missa, por coincidência na mesma semana em que havíamos acordado que eu sairia do 5 Dias. A cassette, que não voltei a colocar no gravador, vai para o lixo. A minha homilia termina aqui.

Com uma saudação especial ao Nuno, ao Zé Nuno e ao Figueira.

Sobre Ivan Nunes

QUINTA | Ivan Nunes
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