As maravilhas do Verlan

Já toda a gente experimentou dizer palavras ao contrário, usando-as como código. Do que o André Belo nunca nos falou foi do Verlan (inversão de «parler à l’envers»), linguagem que se difundiu em França a partir das periferias de Paris desde os anos 80. Numerosíssimas palavras do Verlan entraram na linguagem comum: para «fête» diz-se teuf, para «femme» diz-se meuf, para português gueztu. O caso mais conhecido é o de beur, a palavra que é hoje a mais comum, não-pejorativa, para referir os originários do norte de África: beur como inversão de «arabe». Mas a maravilha do Verlan está em que ele se reproduz indefinidamente. Muita gente já deixou de dizer beur, e diz rebeu, que é «beur» à l’envers, ou «arabe» à l’envers à l’envers.

Sobre Ivan Nunes

QUINTA | Ivan Nunes
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