Vampiras & Frankensteins

 (Sobre A Bela & o Mestre, Correio da Manhã, 10 de Abril)

Li neste mesmo jornal que uma das concorrentes é licenciada em Gestão Hoteleira e que dá aulas nessa mesma área. Ok, se calhar as belas não são assim tão burras, da mesma foram que os mestres estão longe de serem águias. Mas foi essa mesma concorrente que não reconheceu Camões e que não sabia que a Islândia é na Europa. Ok, as escolas por onde passou podem ter sido muito más (não faço ideia). Mas, apesar de tudo, tirou uma licenciatura. E a sua ignorância até podia ter sido encenada. Porém, já depois de ter saído do programa, reconheceu que, efectivamente, estava a zero. A questão é que a capacidade de reconhecer Camões não mede cultura alguma. O que mede é o grau de alienação a que se pode chegar. Mesmo com uma licenciatura e por mais fraca que ela seja. E essa alienação é, em grande medida, produzida pela televisão que transborda lixo a maior parte do tempo. Mas que, depois, é a primeira a gozar e a lucrar com o resultado. Como uma pescadinha de rabo na boca, num circuito fechado com o seu quê de canibal.

Sobre Joana Amaral Dias

QUARTA | Joana Amaral Dias
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