O Mundo está Desbotado

Autor: Edgar Pêra

Existem momentos em que se sente que somos quase cegos, que a realidade nos escapa. Muitas vezes olhamos para o Outro como um Alienígena, um ser de outro mundo, ao qual temos um acesso restrito, de percepção rarefeita. Doutras vezes olhamos para Aqueles-que-determinam-o-Destino-dos-Outros como seres extra-terrestres, desprovidos dos mais básicos sentimentos humanos. Aqueles viram por exemplo o filme Eles Vivem! (They Live) saberão do que estou a falar.
Como sentir o que os outros sentem? Em 1995 a associação de estudantes do I.S.P.A convidou-me para discursar sobre “os sentidos e o sentir”. Para fugir à prosápia, acabei por fazer este pequeno filme auto-financiado, inspirado na narrativa “O Mundo Sobre O Outro Desbotado”, de Maria Isabel Barreno. Todos colaboraram em regime de voluntária escravatura. A Ana Bustorff leu o texto num esquema aqua-fotográfico desenhado por José Tiago e o Nuno Rebelo musicou o filme. O Mundo Desbotado circulou pelos festivais e mais tarde foi revisitado sob a forma de cine-concertos “Visões, Equações, Radyações!!!”. Segue-se remix inédito deste filme, que obviamente não tem rigorosamente nada a ver com Eles Vivem de Carpenter. No entanto, existem algumas coincidências entre esse filme (1988) e algumas das frases do livro de Isabel Barreno (1986): “Eles Sempre Aí Estiveram!” “Nós é que não os víamos…”. Pistas para seguir o rasto dos outros que somos nós que são os outros etc etc.

Sobre Joana Amaral Dias

QUARTA | Joana Amaral Dias
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Uma resposta a O Mundo está Desbotado

  1. Sofia Meneses diz:

    É muito bom termos amigos e amigas que trabalham connosco de uma forma generosa. É talvez das coisas mais importantes na vida.

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