Filipe Moura: Sobre a Ota

Sobre o novo aeroporto

A minha opinião não está ainda muito bem definida, mas creio que estou a ficar mais bem informado, devido à discussão (finalmente) séria que começou nos últimos dias.

Como é lógico, antes de se discutir a localização de um novo aeroporto, o(s) governo(s) deveria(m) convencer-nos de que este novo aeroporto era mesmo necessário, algo que ninguém fez convincentemente.

À partida inclinava-me para uma solução “Portela + 1”, como o Daniel Oliveira. Expandir-se-ia a Portela a Figo Maduro, e construia-se outro aeroporto para “low-costs”. Só que, ao contrário do que o Daniel Oliveira sugere como possibilidade, um segundo aeroporto pequeno não pode ser na Ota. Devido à natureza do terreno e às terraplanagens, um aeroporto na Ota só se torna viável se tiver as dimensões sugeridas pelo projecto do governo. Não pode ser mais pequeno (a construção não é economicamente viável). Não pode ser maior (o aeroporto da Ota não pode ser expandido, o que é um dos seus maiores handicaps). Não pode haver uma “Otinha”. Tem de ser daquele tamanho e só daquele tamanho. Isto é uma questão técnica e não política.

Dito isto, o comentário que mais me convenceu da necessidade de um novo (grande) aeroporto surge no mesmo texto do Daniel Oliveira, foi colocado às 0:38 de 28 de Março e é da autoria de uma leitora, identificada simplesmente como “nanda” mas que parece saber muito bem o que diz. Sugiro a todos que o leiam. Quem acha que não é preciso um novo grande aeroporto deve rebater aqueles argumentos.

A partir daqui, há que discutir finalmente a localização do novo aeroporto. Por motivos ecológicos e ambientais, Rio Frio deve ficar fora de questão. Mas ainda assim parece-me preferível uma localização a sul do Tejo. Porque existe uma fracção muito significativa da população portuguesa que vive na margem sul do Tejo, e para quem a localização do aeroporto na Ota não é muito conveniente. Um aeroporto a sul do Tejo estaria próximo de mais pessoas do que na Ota. Ao mesmo tempo, estaria mais próximo de uma ligação de TGV a Badajoz, e mais longe do Porto. De forma a não subalternizar o aeroporto do Porto e o norte do país, parece-me preferível que o novo aeroporto se situe fora do eixo Lisboa-Porto, que ao que parece já vai ser servido pelo TGV.

A isto há que acrescentar os inconvenientes da Ota que já referi: a necessidade das terraplanagens e a pouca ou nenhuma flexibilidade quanto à área.

Espero que, uma vez confirmada a sua indispensabilidade, o projecto do novo aeroporto vá para diante, mas antes espero que se leve a cabo uma discussão aprofundada. Aguardo por mais esclarecimentos.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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5 respostas a Filipe Moura: Sobre a Ota

  1. Luís Lavoura diz:

    O comentário da nanda é de facto esclarecedor.

  2. Mafalda diz:

    A Ota é um grande erro..os verdadeiros técnicos sabem disso, os detentores dos poderes é que pelos vistos, mts fingem não ver…
    Óptimo post!!

  3. mahmoud diz:

    Mas,ninguém fala da ‘futura’escassez de petróleo e a projecção do custo deste para a estratosfera,logo,irá cair a procura de viagens,logo o dito cujo ficará às moscas…..
    Deveria ‘dar uma volta’ também pelo http://resistir.info

  4. pedro oliveira diz:

    são necessárias mais “nandas” para ver se alguma luz se faz neste processo à Portuguesa, estudos e mais estudos…..

    vilaforte.blog.com

  5. A. Jorge diz:

    Mafalda e Mahmoud estou com voçês!

    A razão está do vosso lado! Pena não adiantar nada!

    Um abraço

    Jorge

    http://vagabundices.wordpress.com/

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