Morara eu no Porto…

…e iria certamente a Serralves assistir às quatro conferências que compõem um pequeno ciclo dedicado às questões actuais da teoria política: Giacomo Marramao já foi (ontem), mas ainda faltam Jacques Rancière (12 de Abril), Peter Sloterdijk (3 de Maio) e Giorgio Agamben (8 de Maio). Fora da área anglo-saxónica (ou, melhor dizendo, dos autores que escrevem em inglês), eu acho que dificilmente se conseguiria reunir hoje um conjunto mais interessante de “críticos do contemporâneo” (é o mote deste ciclo de conferências) a trazer até ao público português; fica mais uma vez provada (se necessário fosse) a segurança de julgamento de António Guerreiro, que faz aqui funções de Comissário, e fica Serralves a ganhar na comparação com a Gulbenkian, que não ofereceu um programa tão estimulante na festa dos seus 50 anos. Eu confesso que conheço mal Jacques Rancière (à parte um livrinho chamado The Politics of Aesthetic, que circula lá por casa mas não é meu, só li a Nuit des prolétaires, que é um livro belíssimo mas mais retrospectivo que prospectivo) e acho, talvez presumidamente, que conheço Sloterdijk bem demais (e que o seu estilo jongleur promete mais do que aquilo que a sua obra de facto dá); em qualquer caso, o pequeno mas denso “Estado de Excepção” de Agamben (desconheço se existe uma tradução portuguesa, mas devia haver), que estabelece a filiação da actual política externa norte-americana nas concepções de legitimidade do decisionismo schmittiano, é um dos mais brilhantes exercícios intelectuais que me foi dado ler nos últimos anos, assim como pertence a Agamben (ou melhor, ao título em francês de uma das suas obras) um dos melhores diagnósticos da actual crise da política: Moyens sans fins.

PS: As entradas são a cinco euros: um terço do que eu paguei (na candonga) por uma superior para o Portugal-Bélgica.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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