Tema livre

 

20070322 Ivan vídeo do Le Figaro

 

Esta foi a semana em que o Rodrigo Tello marcou aquele golo ao Porto. Todos os jornais lembraram que o Sporting não ganhava nas Antas há dez anos, mas do que eu me lembrei foi da vitória anterior, salvo erro, há vinte. Cá está: parece que ganhamos no Porto em anos terminados em sete. Nas meias-finais da Taça de Portugal de 1986/87, o Sporting ganhou nas Antas no último minuto do prolongamento, graças ao golo «do meio da rua» de um centrocampista brasileiro chamado Mário. Era o tempo em que o Sporting tinha jogadores brasileiros simpáticos de gama intermédia – o Mário, o João Luís, às vezes até o Duílio. Era também o tempo em que o futebol estava menos presente na televisão e, quando digo que o golo foi do «meio da rua», devo acrescentar que acho que não o vi. (O encanto dos Mários e dos Duílios também era intensificado por eles serem muito mais vezes imaginados do que vistos.) De qualquer forma, gosto sempre muito de ganhar nas Antas.

Esta foi também a semana em que fui finalmente ver As Cartas de Iwo Jima (infelizmente já não fui a tempo de As Bandeiras dos Nossos Pais). Não me sinto capaz de escrever sobre o assunto, pelo menos não para já, mas gostei do filme, tem óptimas cenas de guerra, é persuasivo na condução do seu argumento (o «argumento moral», não estou simplesmente a falar da história), levanta muitas questões. Levanta muitas questões: por isso é que é aliás muito possível que o jornalista do Financial Times citado há semanas pelo maradona tenha bastante razão. O filme de Clint Eastwood é lamechas, excessivamente sentimental, provavelmente injusto. (Algumas recordações americanas do general Watanabe são demasiado patéticas.) O filme também é corajoso, especialmente na cena em que coloca dois soldados americanos a assassinarem, de forma perfeitamente injustificada, dois prisioneiros japoneses. O filme será injusto, mas é indispensável vê-lo. Vou ver outra vez.

Como extra, este video que foram desencantar, o retrato perfeito de Nicolas Sarkozy. Ou, se estiverem no emprego e vos der mais jeito ler do que ver, o Filipe Nunes regressou à blogosfera, o Alexandre Soares Silva é muito divertido, e convém dar atenção ao blog do Eduardo: Tristes Psicotrópicos, O Smart Roadster parece um chinelo e A primeira e última vez na Universidade de Aveiro. Pessoas que gostem muito de trabalhar talvez encontrem encanto neste texto do Financial Times, e mesmo eu que sou eu não fiquei insensível.

Hoje não estou é muito de escrever.

Sobre Ivan Nunes

QUINTA | Ivan Nunes
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