Dois tempos

“If we think of time as a line, we think of the present as one point on it, with the past on one side and the future on the other; the present, I suppose, is imagined as travelling into the future so that what was future becomes by degrees first present and then past, and then more and more remote in the past. But this figure only seems appropriate so long as we forget that the line is really regarded as consisting of events arranged in a temporal series, and that therefore we are thinking of all events, not as happening, but as existing from eternity to eternity and merely waiting to be revealed by a kind of searchlight called the present, when it reaches them. Unless we think of them thus, the figure of a line has no applicability whatever; for the events of the future do not really await their turn to appear, like the people in a queue at a theatre awaiting their turn at the box office: they do not yet exist at all, and they therefore cannot be grouped in any order whatever. Similarly about the events of the past; which, because they have happened, and therefore are not now happening, do not exist and therefore cannot be arranged along a line. The temporal series regarded as a line, therefore, is in reality a line consisting of one point only, the present. The present alone is actual: the past and the future are ideal and nothing but ideal.” 

“Preveo que el hombre se resignará cada día a empresas más atroces; pronto no habrá sino guerreros y bandoleros; les doy este consejo: El ejecutor de una empresa atroz debe imaginar que ya la ha cumplido, debe imponerse un porvenir que sea tan irrevocable como el pasado.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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6 respostas a Dois tempos

  1. Ezequiel diz:

    Muito interessante. Há pelo menos 3 formas de afirmar a presença do passado no presente, creio eu:

    1- a descendencia (hermeneutica) dos sentidos e interpretações: narrativa, coerencia
    2-o conceito de causa e efeito: vivemos os efeitos de causas (do passado)
    3- O consequencialismo: vivemos as consequencias de actos passados (e os actos podem não ser necessariamente causas)

    Existirão outras, certamente, mas estas são as que me ocorrem, por agora.

    De quem são os textos?

    Cumps.

  2. Ezequiel diz:

    e os “imagined futures” ou as utopias que inspiram acção no presente, transformando-se, em alguns casos, em razões para agir de forma x ou y. Estou a pensar, por exemplo, na utopia do homo sovieticus. São futuros presentes???

  3. António Figueira diz:

    Caro Ezequiel,
    Os textos são do Collingwood (das Lectures on the Philosophy of History, escritas em Roma, em 26, e que vêm juntas com as últimas edições paperback da Idea of History) e do Borges (El jardín de los senderos que se bifurcan, um conto de 41, de um livro com o mesmo nome, que é o meu Borges preferido).
    “Futuros presentes” são uma boa designação (by the way, é o nome de uma revista de extrema-direita cá do burgo, que não sei se ainda publica); eu tinha passado chamar a este post “do futuro enquanto possibilidade e enquanto necessidade”, mas depois achei que era melhor não, que era melhor um título mais aberto, que condicionasse menos a leitura.
    Na verdade, caro Ezequiel, a anti-utopia do “fim da história” também fecha o futuro; pessoalmente, creio que é preciso de novo uma utopia para o abrir…
    Abraço, AF

  4. Ezequiel diz:

    Caro António,

    Nunca li Collingwood, infelizmente. Borges li quando era novo, foi-me oferecido pela minha Sis. There is only so much a man can do.

    Resta saber se o “fim da historia” (presumo que te referes ao Fukuyama) não é uma utopia? Mas penso que compreendo o que estás a dizer: seria a utopia-anti-esquerda (par excellance) que, “concretizando-se” (grande simulação), fecharia a porta a outras utopias. Stategically, a sound idea, dear António!! eh ehe ehe heh eheh 🙂

    para a extrema direita, a massive kick up their arses!:)

  5. Ezequiel diz:

    ooops..where are my manners?

    Abraço.

  6. Ezequiel diz:

    António, se me permites gostaria de deixar aqui uma pergunta para os membros da “sessão de esclarecimento” sobre o Iraque-Iraque, especialmente para o Nuno.

    Uma poll recente da BBC/ABC revela que 63% dos Iraquianos NÃO SE opoem à presença de tropas Americanas e Britânicas no Iraque.

    O que é que isto significa?

    1-que o povo Iraquiano sabe que os responsaveis pela carnificina não são os Yanks ou os Brits?

    1.a- O que é que explica a participação de + de 70% da população iraquiana nas eleições? Será a reacção natural de um povo que odeia os “ocupantes imperialistas”?

    2- Será que alguem pode imaginar que um exercito de + ou – 200 000 (US+UK) consegue conter-administrar etc uma guerra civil que emana da presença de forças estrangeiras? Impossivel, meu caro. Se assim fosse, os 200 000 teriam que bater em retirada imediatamente.

    PS: Para que fique claro, eu fui, e sou, CONTRA A guerra…por outras razões que nada tem que ver com as citadas por pessoas como a melodramatic Ana Gomes, a Joana A Dias, Mario Soares e Freitas do Amaral…

    Publiquem as respostas, se for possivel…por favor!

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