Pesquisa

Outras verdades inconvenientes

12 Março 2007 | por Fernanda Câncio

Texto de Vasco M. Barreto

O debate sobre a importância do meio e da natureza na construção do indivíduo provavelmente nunca terá fim. Para isso contribuem a complexidade dos nossos comportamentos, as limitações éticas à experimentação em seres humanos, os acantonamentos ideológicos e a desconfiança de que qualquer conclusão salomónica resulta de um acordo tácito e não de uma busca implacável da verdade.

Exemplos clássicos são as discussões sobre a inteligência e a orientação sexual. Em ambos persiste a tensão meio versus natureza, que gera uma paleta de teorias e até de definições, mas com uma diferença: no primeiro caso, apesar de por vezes não haver um entendimento sobre o que é a inteligência, para os cientistas e o grande público a contribuição da natureza é inegável, enquanto que com a orientação sexual não existe esse consenso. Porquê?

A tarefa aqui não é discutir se a contribuição da natureza é decisiva para a orientação sexual, mas tentar perceber a resistência que existe a tal ideia.

Há uma explicação trivial: “orientação sexual” remete para a ideia de escolha e em comparação com a inteligência é de esperar que haja uma maior resistência às teorias deterministas. Como se ao rejeitarmos a genética e a fisiologia fôssemos resolver o problema do livre arbítrio… Mas avancemos.

Há também causas próximas e até fulanizáveis, cujo efeito extravasou para fora da academia. Refiro-me a intelectuais como Freud e Foucault. O primeiro elaborou explicações que assentam na interacção com os progenitores; o segundo arrancou a discussão pela raiz, ao propor que a homossexualidade é uma construção social, de resto bem recente. Não sou minimamente competente para discutir estas ideias, mas um blogger é na essência um diletante e seria aborrecido defraudar o leitor.

Freud tem sido muito atacado nas últimas décadas, sendo umas das acusações a de que as suas ideias não cumprem o critério da falsificabilidade, condição que as teorias científicas devem cumprir. Quando se propõe que um pai fraco ou ausente leva a que o filho se identifique com a mãe ao ponto de adoptar a sua orientação sexual, é difícil conceber um teste passível de gerar um resultado inequívoco de que não é assim e a forma subjectiva como a hipótese é formulada dá margem de manobra para que, perante situações não previstas, se improvise outra explicação. O certo é que estas ideias conservam alguma popularidade e muitos indivíduos julgam poder confirmá-las quando a elas recorrem para explicar a sua vida. Se essa é uma legitimação tão válida como a crença na quiromancia (ou não), pouco importa. As ideias de Freud podem ser boas ou simplesmente insidiosas, mas serão sempre poderosas.

Foucault parece ter esvaziado o problema. Se a homossexualidade, tal como a entendemos hoje, é uma invenção com poucos séculos e apenas uma das formas possíveis de categorizar a atracção sexual (além do sexo do parceiro, podemos pensar no status social, no poder económico, etc), o conflito natureza versus meio perde gás. É discutível saber se as ideias de Foucault resistem à análise de um historiador, mas percebe-se por que seduzem: são, apesar de tudo, libertadoras.

Estávamos então nisto: Freud trouxera a biografia individual para a orientação sexual, Foucault relativizara-a. Nas últimas décadas, a Biologia perturbou este arranjo.

Não tenho espaço para rever o que se tem aprendido sobre a genética e a fisologia da homossexualidade e sugiro a leitura desta excelente revisão sobre o tema, feita por um dos editores da revista Lancet. Os dados relevantes para esta discussão incluem diferenças anatómicas no hipotálamo de homossexuais e heterossexuais, o efeito de androgénios durante o desenvolvimento, a elevada concordância para o comportamento minoritário (homossexualidade) em gémeos homozigóticos (verdadeiros), estudos de mapeamento genético de genes que contribuem para a homossexualidade (embora aqui se recomende alguma cautela) e a curiosa observação de que cada irmão mais velho aumenta em 33% a probabilidade de que o irmão mais novo seja homossexual – o que me leva a pensar que talvez o meu irmão esteja na origem do fraquinho que tive na adolescência por Matts Wilander.

A genética das ervilhas dos olhos não desperta paixões, mas qualquer destes trabalhos sobre homossexualidade fica imediatamente sob escrutínio cerrado. Abundam as reacções em que, com fervor suspeito, se procura desmontar esses estudos (aqui, para um bom exemplo de uma crítica má), mas é verdade que todo o cepticismo é bem-vindo. A matéria em discussão é complexa e, havendo pressões várias, nem sempre se segue ou é possível seguir a melhor metodologia. Por exemplo, sem deixar de reconhecer as enormes dificuldades práticas associadas para a obtenção da amostra necessária, creio que o argumento para os factores genéticos ficaria mais reforçado se nos estudos com gémeos homozigóticos tivessem sido usados irmãos separados à nascença, pois com irmãos criados na mesma casa podemos sempre argumentar que parte da concordância resulta de um fenómeno de mimetismo, que imagino ser mais forte entre gémeos verdadeiros do que entre gémeos falsos ou irmãos de gravidezes diferentes.

O comportamento dos media também não ajuda a serenar os ânimos. Os estudos são propagandeados com muito pouco rigor, como sucedeu em meados da década passada, aquando da publicação de um estudo de mapeamento de uma região no cromossoma X associada à homossexualidade, imediatamente equiparado à descoberta do gene gay. Mais de uma década passada, ninguém encontrou o gene gay, e o que se identificou na altura foi uma região no cromossoma X onde existem vários genes, que não é necessária nem suficiente para levar a um comportamento homossexual, mas cuja probabilidade de ter sido erroneamente associada à homossexualidade era, segundo os autores, extremamente baixa. Ironicamente, não se conseguiu depois reproduzir esse estudo e é muito improvável que haja um gene gay, no sentido de ser o único e de ser determinante. Um modelo poligénico (vários genes envolvidos) de predisposição para a homossexualidade vende menos jornais, mas é mais credível, por razões que também não tenho espaço para discutir.

Um dos aspectos mais curiosos desta discussão sobre os factores genéticos e fisiológicos da homossexualidade é que as reacções dividem os homossexuais, activistas gay e os progressistas, como dividem os grupos homofóbicos e os conservadores. A hipersensibilidade a este problema corta na perpendicular e em vez de dois campos passamos a ter quadrantes. Isto acontece porque se a homossexualidade tem causas naturais, deixa de ser uma opção e como tal não pode ser uma escolha moral errada. Por outro lado, com a identificação de uma causa natural alguns temem que se volte a estigmatizar a condição de homossexual - só em 1973 deixou de ser considerada como um distúrbio psíquico pela American Psychiatric Association- , como temem que a eventual descoberta de moléculas e de genes conduza a um tratamento para a homossexualidade e a um diagnóstico pré-natal. Estamos ainda no domínio da ficção científica, mas quantas famílias não se sentiriam tentadas a recorrer a um teste destes? Sem arriscar uma resposta, e apesar do eventual e redentor certificado de comportamento natural, creio que acaba por pesar mais a ameaça de uma nova frenologia molecular e o espectro do eugenismo heterossexual sobre a minoria homossexual.

Este temor já levou à sugestão de que se acabe com este tipo de estudos. Não tenho dúvidas que a pesquisa sobre a Malária é mais importante, mas interromper uma linha de investigação por se recear o uso que outros poderão fazer das descobertas é algo que só se justifica em casos excepcionais, como a produção de armamento biológico. Em regra, não é um bom princípio. Sobra é um problema: não sendo a homossexualidade uma doença e não se pretendendo concretizar os receios já discutidos, os espíritos mais pragmáticos perguntarão para que serve o conhecimento que vier a ser adquirido. “O saber pelo saber” pode soar algo pífio, mas é uma questão de gosto, ficando por esclarecer se estamos preparados para que não seja também uma resposta irresponsável.

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Comentários

Comentário de António Figueira
Data: 12 Março 2007, 12:55

Gosto da expressão “frenologia molecular”: é exactamente o que eu penso da pesquisa do “gene gay” (nunca terá passado pela cabeça desses pesquisadores eminentes que “a curiosa observação de que cada irmão mais velho aumenta em 33% a probabilidade de que o irmão mais novo seja homossexual” seja em si mesma um manifesto a favor de uma interpretação sociologista das preferências sexuais?!). Em qualquer caso, parabéns pelo texto - está muito bom.
AF

Comentário de aff
Data: 12 Março 2007, 13:25

“A tarefa aqui não é discutir se a contribuição da natureza é decisiva para a orientação sexual, mas tentar perceber a resistência que existe a tal ideia. Há uma explicação trivial: “orientação sexual” remete para a ideia de escolha e em comparação com a inteligência é de esperar que haja uma maior resistência às teorias deterministas. Como se ao rejeitarmos a genética e a fisiologia fôssemos resolver o problema do livre arbítrio…”
Aqui não se percebe muito bem. O livre arbítrio não tem só a ver com escolhas sexuais, é muito mais complexo do que isso, só se ‘tudo’ for sexo!? Acho um bocado inuteis esses estudos sobre orientação sexual que só podem ter um efeito que é o de demarcar melhor as fronteiras e as diferenças. Se fossem com intuitos terapeuticos não serviriam para nada, como não são servem para quê?

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 12 Março 2007, 14:24

Este comentário é meu (VMB) e não da fc:

António,

1. A expressão “frenologia molecular” não é minha, creio que a roubei do artigo do editor da Lancet que aparece algures linkado no texto.

2. O “Birth order effect” parece ser sobretudo biológico, pois é ainda observável quando os irmãos não crescem juntos. Há uma revisão recente, curta e boa sobre o tema na insuspeita PNAS (http://www.pnas.org/cgi/content/full/103/28/10531). Não sei se o link é de livre acesso, pelo que copiei alguns trechos:

“However, in this issue of PNAS, Anthony Bogaert (1) provides evidence that the social influence of an older brother is irrelevant to whether his younger brother will develop a homosexual orientation. It is the number of older biological brothers the mother carried, not the presence of older brothers while growing up, that makes some boys grow up to be gay. Older stepbrothers in the home have no effect, although older biological brothers raised apart still exert their influence. These data, by elimination, strengthen the notion that the common denominator between biological brothers, the mother, provides a prenatal environment that fosters homosexuality in her younger sons.
(…)
Maternal immunization hypothesis. When a mother is carrying her first son, the placental barrier protects each from exposure to the other’s proteins. But inevitable mixing of blood upon delivery will expose the mother for the first time to male-specific proteins (blue triangles), including those encoded on the Y chromosome. If her immune system produces antibodies to these proteins, then the placenta may actively transport those antibodies (indeed, all IgGs) to subsequent offspring in utero, potentially affecting development of later-born sons, but not later-born daughters.”

Com essa revisão aprendi também que o fraquinho pelo Wilander não pode ser devido ao meu irmão, porque eu sou canhoto e “older brothers increase the probability of a boy becoming gay only if that boy is right-handed. Among left-handed men, there’s no difference in the incidence of homosexuality no matter how many brothers they have”.

aff,

Sim, aquele parágrafo é meramente provocatório.
No fim do seu comentário repete a mesma pergunta com que termino o texto.

Comentário de Tiago Mendes
Data: 12 Março 2007, 14:52

“Não sou minimamente competente para discutir estas ideias, mas um blogger é na essência um diletante e seria aborrecido defraudar o leitor.”

E’ preciso pagar royalties para usar este “disclaimer”? :-)

Gostei muito do texto. O debate nature-nurture e’ infindavel. Julgo que um ponto interessante relativamente ‘a parte “nature” - que constitui, a meu ver, alguma “evidencia”, embora nestas coisas (cientificas) raramente possamos ter certezas (absolutas) - e’ observar que a homossexualidade e’ uma constante no mundo animal (http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/europe/6066606.stm).

A meu ver, nature e nurture tem papeis relevantes, sendo que, de todo o modo, a orientacao sexual nao e’ uma “escolha”, no estrito sentido de que nao “pode ser mudada do dia para a noite por mera decisao do individuo”. A orientacao sexual e’ “capacidade de se sentir atraido por” e nao “efectivacao de um acto sexual com”. O facto de nao ser uma “escolha” nao quer dizer que a orientacao esteja determinada nos genes. Ela pode “evoluir”, “mudar”, mas o individuo nao tem a capacidade para escolher muda-la. Dai que a orientacao sexual esteja fora do dominio da moral. Ja’ a efectivacao de uma determinada orientacao sexual pode estar no campo da moral, porque ai ha’ (pelo menos em parte) uma escolha. (http://aforismos-e-afins.blogspot.com/2005/11/igreja-moral-e-homossexualidade.html).

Como o Vasco, acho lamentavel que questoes ideologicas contaminem a investigacao cientifica. Mas “percebo-as”. Por exemplo, se atendermos ao facto de que a homossexualidade nao e’ vista como “doenca”, temos de perceber bem o significado de “doenca”. Imaginemos - hipotese - que se chega a um consenso sobre a homossexualidade ser determinada exclusivamente por factores geneticos (e’ uma hipotese). Neste caso, poderiamos ou nao chama-la de “doenca”? Sera’ que nessa qualificacao - e posto que haveria apenas uma determinacao genetica dessa inclinacao - interessaria saber se ha’ algo de “pernicioso” nela, tal como ha’ algo de (mais ou menos consensualmente) pernicioso numa “deficiencia” como a Trissomia 21?

Nao estou a chamar os homossexuais de “deficientes”, certamente que nao com uma carga normativa/valorativa. Estou apenas a por a questao em termos de investigacao cientifica. Na hipotese de haver uma causa apenas (ou suficientemente preponderante) genetica, haveria imensas questoes a colocar-se. Por exemplo, seria aceitavel que, sendo isso possivel, os pais resolvem-se abortar um filho detectado com o “gene gay” (repito, num cenario em que isso fosse tido como verdade)?

Conheco varios homossexuais, de bem com eles, que, contudo, quase sempre dizem isto: “Se pudesse escolher, claro que preferia ter sido heterossexual. Mas e’ o que sou, tenho de viver com isso.” Isto esta’ relacionado com a intolerancia social, mas tambem, muitas vezes, com a impossibilidade de ter filhos numa relacao “plena” - quer dizer, de gerar um filho com o companheiro que se tem.

Uma coisa e’ certa: como escreveu Goethe, a homossexualidade na raca humana e’ tudo menos uma coisa “anormal”, ja’ que existe desde que o Homem existe.

Comentário de Tiago Mendes
Data: 12 Março 2007, 15:17

No que concerne ‘a componente genetica - e sua possivel explicacao - da homossexualidade, veja-se ainda isto: http://sempenisneminveja.weblog.com.pt/arquivo/2007/02/dilema_do_prisi.html

Comentário de Ezequiel
Data: 12 Março 2007, 15:50

Não me parece possivel determinar se a homosex. resulta de uma causa natural ou de uma escolha (no sentido amplo de nurture ou de um acto de escolha).

Comentário de Santiago
Data: 12 Março 2007, 16:03

O meu amigo Bill M. ofendeu-se quando o outro gajo publicou (na Science, se não estou em erro) aquela historia do núcleo do hipotálamo (ou seria a amígdala?). That big faggot, chamava-lhe o Bill (perante a aquiescência amorosa do Christopher K.).

O problema não era haver uma base fisiológica que parecia negar a “escolha” (que é ponto em que a comunidade gay insiste muito), mas sim o facto de o tal núcleo ser mais pequeno… O Bill teria gostado mais do trabalho se o resultado tivesse sido que os homossexuais tinham o bendito núcleo maior…

Comentário de Tiago Mendes
Data: 12 Março 2007, 16:04

Ezequiel: percebo a tua posicao, mas julgo que e’ preciso ter cuidado com a extensao desse tipo de opiniao, inteiramente legitima. Nao creio que deva, contudo, limitar a investigacao. Ha’ estudos que indiciam que certas componentes geneticas influenciam (aumentam a probabilidade) de se ter uma orientacao sexual homossexual, sem contudo determina-la em absoluto. Envolvem irmaos, gemeos e nao gemeos, etc. A minha opiniao e’ que os genes terao um papel importante, mas a infancia tambem e’ determinante, assim como a restante experiencia de vida. Mas inclino-me para (o que penso ser) a tua opiniao: de que e’ uma materia onde e’ muito dificil podermos chegar a conclusoes mais ou menos definitivas.

Comentário de Gasel
Data: 12 Março 2007, 16:38

‘Uma coisa e’ certa: como escreveu Goethe, a homossexualidade na raca humana e’ tudo menos uma coisa “anormal”, ja’ que existe desde que o Homem existe.’

È certo, o comportamento
homossexual está difundido - e é ”normal” - na espécie humana desde os seus primórdios. Assim como está difundido - e é “normal” - em muitas outras espécies.
Agora, nunca foi, nem na espécie humana nem nas outras, um comportamento exclusivo e permanente. Foi sempre um comportamento temporário ou de exclusão.
E quase sempre tem um sentido biológico - ou porque o casal homossexual garante de forma mais eficaz a descendencia de um deles, ou porque permite “aliviar” a pressão sexual sobre um dos sexos numericamente inferior.
Na espécie humana, nenhuma das situações foi, alguma vez, biológicamente significativa…
Mesmo admitindo que existisse um espécie dr “trigger” genético que e determindas alturas - falta de elementos do sexo oposto - disparasse para levar ao comportamento homossexual adaptativo… na actualidade esse comportamento só seria “normal” - isto é, biológico - durante a adolescência, depois disso havera sempre uma pulsão superior para procurar o sexo oposto para fazer a única coisa para que serve um ser vivo - reproduzir-se!
Ou seja, (e quanto a mim!)… um comportamento homossexual exclusivo e permanente, após a adolescencia, na espécie humana só pode resultar de 2 factores: ambiental/comportamental ou mutação genética anómala!

Comentário de miguel vale de almeida
Data: 12 Março 2007, 17:16

Estou um bocadinho confuso: o texto é sobre “orientação sexual” ou sobre “homossexualidade”? É que se é sobre a primeira, então onde está o questionamento das causas da heterossexualidade? Talvez este ligeiro “reframing” ajudasse a orientar a discussão…

Comentário de Ezequiel
Data: 12 Março 2007, 17:40

Caro Tiago,

Não sou geneticista, gay ou sociologo. Trata-se de uma impressão apenas. Os nossos distintos antepassados, os primatas atrevidos das selvas e savanahs africanas, parecem ser bisesxuais. (prog sobre primatas na BBC, não me lembro do nome do programa. Vi o prog em 1998. Lembro-me da reacção de um amigo meu do Suriname: ” Bolas, estes nossos antepassados são verdadeiros partidários do experimentalismo….” eh eh e eh ehh e :) ). Sim, concordo contigo, a investigação não deve ser limitada ou condicionada. (mas, como disse, percebo pouco disto…)

Gasel: então estamos aqui só para reproduzir. Deves ser um inseminador dedicado!?!? Eu ando a perverter a minha natureza, cós diabos. Ainda não contribui para a sacrosanta reprodução desta espécie sublime e sensata. Bolas. Sou um “anómalo”. Se fosse parar a uma ilha deserta, sem “elementos do sexo oposto”, penso que optava por uma jangadazinha à papillon e umas revistazinhas playboy eh eh ehe he he h h

Comentário de Ezequiel
Data: 12 Março 2007, 17:44

PS: A cacatua “merlin” do Peru nunca adoptou comportamentos homosexuais . No mundo da fauna é conhecida como a “ruauua cruac cruac” (a reprimida)

Comentário de Bruno Gonçalves
Data: 12 Março 2007, 17:50

«Imaginemos - hipotese - que se chega a um consenso sobre a
homossexualidade ser determinada exclusivamente por factores geneticos (e’ uma hipotese). Neste caso, poderiamos ou nao chama-la de “doenca”?»

Percebo onde queres chegar, mas julgo que o teu exemplo não foi dos
mais felizes. Podias ter dito por exemplo, que pode existir uma
predisposição genética para as pessoas terem menos glóbulos vermelhos no sangue. Isso não as torna “doentes” de um ponto de vista
científico. Isto em oposição, por ex., ao caso da Trissomia 21.

Comentário de Tiago Mendes
Data: 12 Março 2007, 18:02

Bruno: percebo o teu ponto. Uma das questoes e’, exactamente, mesmo dentro do paradigma cientifico, perceber bem o que e’ necessario e suficiente para considerarmos algo como “doenca”.

Comentário de Ezequiel
Data: 12 Março 2007, 18:07

Doença????? Nunca ouvi um gay a falar dos sintomas. Quais são os sintomas da “doença”?

Comentário de Tiago Mendes
Data: 12 Março 2007, 18:14

“Quais são os sintomas da “doença”?”

Manifestacoes homossexuais mais ou menos escondidas, manifestacoes heterossexuais compulsivas, reaccoes homofobicas extremadas, idas para seminarios, Opus Dei e coisas assim, etc, etc.

Comentário de Ezequiel
Data: 12 Março 2007, 18:19

Então a doença não é a homosexualidade mas a repressão social da homosexualidade.( o esconder, os actos compulsivos, a homofobia etc não são causados, sensu stricto, pela homosexualidade mas pela interpretação social vigente DA homosexualidade?????) Diz-me lá o que pensas compa! Abraço,

Comentário de Gasel
Data: 12 Março 2007, 18:36

Tiago:
Em termos puramente biológicos - basicamente se quiseres -um ser vivo só vive para se reproduzir, para perpetuar a espécie.
Nós, já que pensamos e escrevemos em blogs, podemos fazer uns floreados… mas não somos muito diferentes de uma borboleta que esvoaça alguns dias, põe os ovos e morre.

Ou pensavas que vieste cá para comer melâncias????

Comentário de Ezequiel
Data: 12 Março 2007, 18:45

O Gasel acabou de nos decapitar com uma machadada Darwiniana! Eu sempre senti uma profunda afinidade com a iguana e com o urso pardo, confesso. E gosto de melancias, sim senhor.

Comentário de Bruno Gonçalves
Data: 12 Março 2007, 18:47

Tiago, uma pequena reflexão sobre esta questão.

É muito complexo a questão doença/não doença, já que é quase independente da questão genética/comportamental. Como existem variações genéticas que são apenas polimorfismos, que não resultam em qualquer “doença”, também diversos comportamentos ambientais (muitas vezes indexados à cultura) não podem ser considerados referentes a uma “doença”: por exemplo, em certas culturas, as mulheres deformam o pescoço com anéis metálicos.

Se colocarmos a questão da seguinte forma: “Que evidências existem para considerar a homossexualidade uma doença?”

Do ponto de vista genético nenhumas. Umas alterações no hipotálamo, não são indicativas de doença. Tal como certas pessoas que têm predisposição genética para fazerem mais frequentemente nódoas negras, e tal não é considerado doença.

Do ponto de vista comportamental, a atracção por pessoas do mesmo sexo pode ser considerada uma “doença”? Geralmente podemos tender a dizer que sai fora da “normalidade”. Julgo que até os próprios homossexuais concordam com isso. E em que consiste essa “normalidade”? Julgo que em dois temas: Primeiro, o facto de ser de índole natural, o homem e a mulher estarem juntos. Segundo, o facto de em termos quantitativos haverem muito mais casais heterossexuais do que homossexuais.

O critério quantitativo não tem repercussões em termos de poder ser considerada doença ou não. O critério “natural” é mais difícil de analisar.

Vejamos, o facto de uma pessoa ter um comportamento (sexual, ou de outro tipo) que não seja conivente com aquilo a que poderíamos denominar “natural”, não implica que esta doente. Mas também é verdade que a medicina, principalmente da área psicológica e comportamental, evoluiu em grande parte pela análise do comportamento natural.

Porém, se é verdade que a homossexualidade sempre existiu, e que muitas vezes era considerada “normal” em certas sociedades, será que o critério “natural” aplica-se? Julgo que não, embora, verdade seja dita, esta é uma questão que pode ser posta em causa por certas pessoas. Provavelmente questionam-me, onde traço eu a barreira? Difícil de responder. Acho que não existe uma “fórmula geral”, teríamos que compreender cada caso.

Comentário de aff
Data: 12 Março 2007, 18:50

“Sim, aquele parágrafo é meramente provocatório.
No fim do seu comentário repete a mesma pergunta com que termino o texto.” Vasco, não percebo a razão de escreveres com propósitos provocatórios, ou o texto é sério ou não é. Se não é porque lanças perguntas sobre o tema?

Comentário de Gasel
Data: 12 Março 2007, 19:00

sry, não era Tiago.. era Ezequiel! :)

Comentário de Ezequiel
Data: 12 Março 2007, 19:16

ok, Gasel, eu percebi…estou, por agora, a tentar pensar na minha familia e amigos-as em termos “puramente biologicos” …confesso que estou a ter algumas dificuldades! É-me mais fácil pensar no urso pardo…nestes termos…eh ehe he h :)

reparaste no seguinte: o puramente biologico a que tu te referes transforma-se, em poucas palavras, numa determinação essencial (geral) da natureza humana…

Comentário de aff
Data: 12 Março 2007, 19:53

“Não me parece possivel determinar se a homosex. resulta de uma causa natural ou de uma escolha (no sentido amplo de nurture ou de um acto de escolha).”
Ezequiel, se não for de causa natural também não pode ser por um acto de escolha (no sentido de inato vs adquirido).

Comentário de Ezequiel
Data: 12 Março 2007, 20:27

Caro Aff,

1) não sei se o conceito de causa (única. Ou causa natural OU escolha-nurture) é redutor

2) a minha intuição diz-me que nestas coisas faz mais sentido falar em termos de co-ou-multi-determinação (causal?) mas não sei, sinceramente, se podemos falar de causas ou de causalidade, neste contexto.

3) Repara: eu não disse que a causalidade não existe. Disse que me parece impossivel separar o genético do social. As duas dimensões estão profundamente interligadas, de tal forma que raramente podemos falar de uma sem falar na outra. É por isso que também sinto alguma relutancia em falar disto em termos de “escolha.” Será que alguém algures decidiu: Vou escolher ser homossexual! Não me parece veridico. Uma pessoa simplesmente É ou não é homossexual. É possivel que alguem descubra um belo dia que é homossexual. Mas uma descoberta não é uma escolha, no sentido habitual do termo. Dito isto, poderás ripostar e afirmar que só se pode descobrir o que já existe (poderás dizer que a propensão para (etc) a homossexualidade está indelevelmente inscrita no código genético, procurando outra vez por uma causalidade objectiva) Todavia, o que “já existe” pode não ser exclusivamente genético (poderás considerar o passado psicológico e social do individuo ). Ou seja, parece-me impossivel separar o genático do social. Invés de presumir a sua separação (de causas), seria mais sensato presumir a sua interpenetração intrinseca (daí a impossibilidade de reduzir a explicação às “causas” genéticas OU sociais)

O pouquissimo que sei sobre a genética leva-me a pensar o seguinte (e os geneticistas que me corrijam, porque eu sou um nabão na matéria)

1) O dominio da genética não pode ser concebido como um sistema fechado: determina e é determinado (pelo social). É causa e feedback, simultaneamente. Ora, se os genes modificam-se em processos adaptivos o ambiente afecta a genética. Logo a genética não pode ser separada do social. Como é que nós quantificamos e analisamos os feedback sociais de forma “objectiva”? Como é que nós podemos dizer: aqui acaba o impacto social e aqui começa a determinação genética. Gostaria muito que alguém que perceba deste assunto me explicasse este problema epistemológico. Anyone???

Comentário de Ezequiel
Data: 12 Março 2007, 20:32

reli o que escrevi e pareceu-me petulante e pretencioso. Interpretem o que eu escrevi como um interrogação, nada mais, por favor.

Comentário de Tiago Mendes
Data: 12 Março 2007, 21:13

Ezequiel: o genético e o social são muito dificilmente separáveis. Só para não haver dúvidas, eu *não* acho que atracção homossexual seja uma doença. De resto, acho que é “normal”, no sentido de sempre ter existido e de ser, de resto, algo facilmente compreensível sobre certos pontos de vista. Também acho que *não* é contra-natura, e para isso basta olharmos para o reino animal, onde ela também existe, e de forma (evolucionariamente) “estável” (nós, homens, estamos cá na Terra há pouco tempo, mas há animais que estão na Terra há milhões de anos, pelo que a existência, hoje, de homossexualidade entre essas espécies me parece evidência suficiente de que ela não é uma coisa que irá desaparecer). Há bocado falava de “sinais”, não de “sintomas” - foi uma palavra mal escolhida. De resto, repito, não acho que seja uma doença, o que não quer dizer que não ache que haja nela uma componente genética considerável.

Julgo que a evidência no reino animal é importantíssima e um dos maiores desafios de sempre a algumas teorias Darwinianas. É que, pelos vistos, os animais não têm sexo só para procriar. Quer dizer, disto já todos mais ou menos sabíamos, mais que não fosse pelos tarados dos libertinos dos “bonobos”. O ponto é que, mesmo no reino animal, há muito mais que a “vontade procriadora” que deverá esgotar os impulsos sexuais de um César das Neves. Há afectividade, companionship, essas cenas todas. Um tema que nunca tem fim, é o que é.

Comentário de aff
Data: 12 Março 2007, 21:20

Ezequiel, acho que há um indício muito forte para acreditarmos que a homosexualidade pode ter causas genéticas, basta pensarmos como a difenciação masculino/feminino é inteiramente devida a uma determinação biológica. Por outro lado o mundo feminino e masculino interpenetram-se de tal forma que é muito difícil, como dizes, distinguir o que é adquirido do que nasce com a pessoa. Posto acho que estas investigações podem de facto ofender os homosexuais na procura de uma justificação pré-determinada para a sua sexualidade particular, que tem mais interesse a nível social no que refere à dignidade do seu estatuto enquanto pessoas do que as causas naturais que podem determinar a falta dessa dignidade. É como se se decidisse investigar as razões biológicas para haver temperamentos agressivos ou para uma tendência para ter caspa. Não servem para nada, são mais úteis porventura os estudos sobre os fenómenos ovni ou a análises do snato sudário. Para mim este problema, como diz o Vasco, é pífio.

Comentário de Ezequiel
Data: 12 Março 2007, 21:23

Doença e/ou contra-natura, nem pensar nisso (quem é que define o que é a natura da espécie?). Concordo.

Tenho que trabalhar. Desligar o firefox. Over and out. Acho que estou a ficar viciado nesta coisa dos blogs. Estou parado na pagina 132 há dois dias.

cumps

Comentário de Tiago Mendes
Data: 12 Março 2007, 21:25

Caro AFF: não me parece que o Vasco diga que o problema é - para ele - “pífio”, antes pelo contrário. Haverá sempre questões mais importantes que outras, mas os verdadeiros filósofos - os que amam o saber - investigam coisas pelo prazer de investigar, pelo acréscimo de conhecimento, e não tanto pela “utilidade” da coisa. Convém ter isso em mente.

Comentário de Ezequiel
Data: 12 Março 2007, 21:25

Concordo Aff.
cumps,

gotago,

ps. regresso mais logo para dar uma vistinha de olhos..ih..ih..ih

Comentário de aff
Data: 12 Março 2007, 22:13

Tiago, desde que o conhecimento possa ser reprodutivo, parece-me que não é o caso.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 13 Março 2007, 1:03

Belo texto, Vasco.

Cá virei com mais tempo, mas aqui deixo um parágrafo sobre biologia e meio que me agrada sobremaneira: “The old “nature versus nurture” argument has been shown to be irrelevant as research has demonstrated that the ideas we carry, the habits we have, the society we are part of all interact with our biology. The interactions don’t stop there. Our biology interacts with the social and psychological. Our habits continuously modify our brain function; our brain function modifies both our existing habits and our abilities to acquire new learning and new habits. ”
(Richard Frankel (ed.), The Biopsychosocial Approach, University of Rochester Press, Nova Iorque, 2003.).

Só dois ou três apontamentos, para já…

1. Atentem na definição de “normal”, “doença”, “orientação sexual”…pf!
2. A côr dos olhos é geneticamente determinada e não é doença…
3. Não resisto!!!…
“Em termos puramente biológicos - basicamente se quiseres -um ser vivo só vive para se reproduzir, para perpetuar a espécie.” Basicamente básico!
“Nós, já que pensamos e escrevemos em blogs, podemos fazer uns floreados… mas não somos muito diferentes de uma borboleta que esvoaça alguns dias, põe os ovos e morre.” Hummm… faz floreados e é “borboleta”?!….
“Ou pensavas que vieste cá para comer melâncias????” Também viemos cá para “comer” outros animais (sem procriar), não foi?

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 13 Março 2007, 1:06

Ps: Não li os comentários todos, ainda.

Comentário de João Paulo (PortugalGay.PT)
Data: 13 Março 2007, 1:26

“Nós, já que pensamos e escrevemos em blogs, podemos fazer uns floreados… mas não somos muito diferentes de uma borboleta que esvoaça alguns dias, põe os ovos e morre.”

Isto não é bem assim… muitos dos seres vivos mais bem sucedidos e difundidos por todos os habitats não funciona, de todo assim… vejam as formigas, as abelhinhas… etc…. não é por não participarem directamente na reprodução que certos indivíduos não são fundamentais para a sobrevivência e continuação de uma espécie, antes pelo contrário.

Comentário de Tiago Mendes
Data: 13 Março 2007, 1:28

Ana:

“research has demonstrated that the ideas we carry, the habits we have, the society we are part of all interact with our biology. The interactions don’t stop there. Our biology interacts with the social and psychological. Our habits continuously modify our brain function; our brain function modifies both our existing habits and our abilities to acquire new learning and new habits.”

Isto são resultados científicos que fazem corroborar sobretudo a hipótese do Ezequiel: a de que será sempre muito difícil separar os dois efeitos e chegar a conclusões minimamente aceitáveis.

O que não acho lógico é a primeira parte da afirmação:

““The old “nature versus nurture” argument has been shown to be irrelevant as research (…)”

Não é que o debate “nature vs nurture” seja necessariamente “irrelevante”. O que acontece é que as coisas se tornam mais difíceis de distinguir, desde logo porque não são independentes, mas sim interdependentes. Aliás, os hábitos, etc, mudam o comportamento da pessoa e, a longo prazo, poderão ter efeitos na espécie. Eu teria apenas mais cuidado em dizer que “Como isto é tudo uma grande misturada, vamos esquecer esse debate, porque tudo é relativo e nunca poderemos concluir nada mais do que achar que é tudo uma grande misturada”.

Exagero, claro. Para fazer um ponto.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 13 Março 2007, 1:56

Tiago,

Mais que “será sempre muito difícil separar os dois efeitos e chegar a conclusões minimamente aceitáveis” o parágrafo chama atenção para a possibilidade do efeito de “inter-mutabilidade determinística” que as duas dimensões podem ter e que deve ser tida em conta.

“Eu teria apenas mais cuidado em dizer que “Como isto é tudo uma grande misturada, vamos esquecer esse debate, porque tudo é relativo e nunca poderemos concluir nada mais do que achar que é tudo uma grande misturada”.” Eu não diria! Diria qq coisa como “Vamos debater o assunto, mas não percamos de vista que…”. Não é o debate que é irrelevante, é o “versus”, assim, nu e cru!

Comentário de Tiago Mendes
Data: 13 Março 2007, 2:02

“o parágrafo chama atenção para a possibilidade do efeito de “inter-mutabilidade determinística” que as duas dimensões podem ter e que deve ser tida em conta.”

Indeed. Uma espécie de sistema de equações simultâneas, em que existe causalidade nos dois sentidos. Um problema muito interessante, de resto, em termos da possibilidade - que nem sempre existe - de estimar o impacto parcial de certas variáveis. (http://caleb.wabash.edu/econometrics/EconometricsBook/chap24.htm)

“Eu não diria! Diria qq coisa como “Vamos debater o assunto, mas não percamos de vista que…”. Não é o debate que é irrelevante, é o “versus”, assim, nu e cru!”

Compreendo e concordo contigo. O “versus”, nu e cru, é não só redutor, como enganador e mesmo errado. Tens razão.

Comentário de Tiago Mendes
Data: 13 Março 2007, 2:03

Ou melhor: “dou-te razão”. Mas não sei se tens razão ou não. Não tenho autoridade para tal. Mas aceito o teu ponto.

Comentário de Ezequiel
Data: 13 Março 2007, 3:12

Hello Ana,

penso que não se trata de sucumbir à espiral das co-multi-determinações (e à passividade) mas de simplesmente reconsiderar o paradigma do genético-Vs-social, um paradigma que me parece debilitante porque isola “coisas” que não se podem separar. Ous eja, concordamos. Eu acabei de comer um animal lindissimo (muuuuuuu). Que se lixem as melancias!!! :)

Comentário de Ezequiel
Data: 13 Março 2007, 3:23

tentando explorar o outro lado do argumento

Se não podemos falar de factores genéticos e de factores sociais com poderes causais distintos ou diferenciaveis então do que é que podemos falar, concretamente? Chegamos a um beco sem saida pq não dispomos de vocabulário para descrever (interacção não é = a indissociavel) a relação genética-ambiente/social. Quais são os elementos da sintese? Uma das respostas possiveis (e eu estou com os copos, por isso disponho de carte blanche para divagações absurdas e petulantes) é que não estamos a falar de causas simples mas de condições causais (causa: A causa estado B) complexas (a,b,c,d,e…causa a1,b1,c1,d1). Ou seja, the multiple causal reciprocity of Budhism, my dear friends. Tiago, shoudl I shut up, or what????

Comentário de Ezequiel
Data: 13 Março 2007, 3:28

O que eu gostaria mesmo mesmo mesmo de saber é como é que o sacaninha do social se transforma em causalidade genética e vice versa. A relação, merda, a natureza da relação. Não ter vocabulário para descrever algo é fantástico. Nada como ser posto (mesmo na terceira divisão local do pensamento genético) à frente do inefável. Os cientistas detestam o inefável. Arqui-inimigo. Isto começa a ficar ridiculo. Cigarro, cama.

champagne, DAMN. /**\*******************

Comentário de Ezequiel
Data: 13 Março 2007, 3:32

A Fernanda parece que consegue, através de um panopticon conceptual (qual Foucault, qual carapuzza!) incitar os nossos neurões. Ena Fernandinha, corisquinha!

Comentário de aff
Data: 13 Março 2007, 8:28

“O que eu gostaria mesmo mesmo mesmo de saber é como é que o sacaninha do social se transforma em causalidade genética e vice versa.” Desde Darwin que não se fala de outra coisa Ezequiel.

Comentário de aff
Data: 13 Março 2007, 8:34

Vê por exemplo aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Evidence_of_evolution

Comentário de Ezequiel
Data: 13 Março 2007, 13:58

OK

Comentário de Gase
Data: 13 Março 2007, 17:52

‘vejam as formigas, as abelhinhas… etc…. não é por não participarem directamente na reprodução que certos indivíduos não são fundamentais para a sobrevivência e continuação de uma espécie, antes pelo contrário.’

Nopes… não é uma questão de ser directa ou indirectamente. O que é certo é que todo o trabalho de uma colónia de abelhas. de todo e qualquer individuo dessa colónia, só tem um objectivo: reprodução!
Ou a função biológica de uma obreira é produzir mel??? Para o Ezequiel comer com a posta de vaca e a talhada de melância??

Comentário de Ezequiel
Data: 13 Março 2007, 18:16

Foi a abelha Maia que te disse isto?

Comentário de Gasel
Data: 14 Março 2007, 13:03

Não, foi o João Ratão…

Comentário de LR
Data: 14 Março 2007, 23:04

A falsificabilidade é uma bela invenção do Popper. Mas não é, de forma alguma, um critério infalível ou sequer aceitável por algumas ciências.

Comentário de LR
Data: 14 Março 2007, 23:15

Este aparte não diminui o meu aplauso ao texto, claro.

Comentário de dario
Data: 15 Março 2007, 17:37

Olá f., não tenho nada contra o desenvolvimento da ciência. Os estudos cientificos devem ser estimulados. Fico reticente em relação aos usos politicos, que alguns possam fazer, de determinados estudos ou resultados cientificos. Como sabemos há por ai uma agenda “naturalista”, que considero um retrocesso. Cumprimentos.

Comentário de f.
Data: 16 Março 2007, 1:37

olá, dario. o texto foi postado por mim mas não é meu, é do vasco m. barreto. também tenho muitas dúvidas sobre certo tipo de estudos, e partilho a perplexidade do miguel vale de almeida quanto ao ponto de partida, ou seja, a perspectiva de que se parte. e que é, claramente, a ideia de que a heterossexualidade é uma norma ‘natural’ e que portanto é preciso explicar a homossexualidade, como desvio ou incidente.
mas a semana está a chegar ao fim, e segunda há mais.

Comentário de Vasco Barreto
Data: 16 Março 2007, 5:03

MVA e f,

A ideia do texto era discutir por que motivo há tanta resistência em aceitar as causas naturais da orientação sexual. Estas resistências são mais nítidas quando se discute a orientação minoritária e só por esse motivo faz sentido centrar o texto sobre a homossexualidade, sem que isso implique considerá-la como um “desvio”.

Simplificando: a existirem genes que contribuam para o comportamento homossexual (e eu não me comprometo com esta tese), está implícito (sem complicar excessivamente) que haverá genes - e os mesmo genes, apenas cópias diferentes (alelos) - para o comportamento simétrico, isto é, para a heterossexualidade. Uma análise fria da questão trata a homossexualidade como a excepção e as excepções permitem-nos chegar às regras e aprofundá-las. A norma não possui neste contexto qualquer ascendente, É APENAS MENOS INTERESSANTE. Por exemplo, é possível explicar a “homossexualidade natural” sem violar os princípios da evolução, mas a explicação é muito mais complexa e menos intuitiva do que a explicação evolutiva para a heterossexualidade…

Comentário de aff
Data: 16 Março 2007, 14:45

Vasco Barreto, concordo contigo, segundo julgo existe uma pulsão sexual primária que não tem em conta o género do objecto de desejo, essa pulsão é moderada na maioria dos individuos por um processo secundário que está programado nos genes em relação ao sexo oposto. Uma anomalia neste processo secundário leva à homosexualidade. A comprová-lo sabe-se que muitas espécies animais têm comportamentos homosexuais e que mesmo na espécie humana a restrição no contacto com o sexo oposto impele o individuo a ter comportamentos homosexuais. Na especie humana pode haver uma modulação deste processo secundário que determina que a escolha é feita em relação aos individuos do mesmo sexo e não aos do sexo opoto.

Comentário de Tiago Mendes
Data: 16 Março 2007, 19:04

Primeiro a honestidade intelectual e científica, depois a ideologia e a política. Grande Vasco.

Comentário de Sara
Data: 28 Março 2007, 22:45

Existe Realmente Um “Gene Gay”?

Nathan Tabor

“Marido Maravilhoso, Pai Amoroso, Ex-Homossexual. Jesus Cristo Transforma Vidas”.

Essas frases estão escritas em outdoors patrocinados por Stephen Bennett, diretor de um grupo cristão de defesa da família com sede em Huntingdon, Connecticut, EUA. O anúncio, parte de uma campanha nacional que se opôs ao casamento homossexual no ano passado, exibe uma grande foto de Bennett com sua adorável esposa e dois filhos.

Algumas empresas de publicidade se recusaram a aceitar os anúncios de Bennett por causa seu “conteúdo controvertido”. Em todos os lugares em que os anúncios foram colocados, os ativistas de direitos gays se levantaram furiosos para protestar contra a própria idéia de que os homossexuais podem mudar, ou até mesmo se eles deveriam mudar.

Mas Bennett é um dos milhares de homossexuais praticantes que reverteram sua orientação sexual e encontraram a felicidade no casamento heterossexual. Sua mensagem é simples: gays infelizes realmente têm esperança porque uma mudança verdadeira é possível.

Por que os ativistas gays radicais se ofendem tanto com a mensagem de Bennett? Porque a mensagem dele refuta com clareza o mito urbano que criaram com tanto cuidado: a mentira de que 10 por cento da população “nasceram gays” e simplesmente não podem fazer nada para mudar sua condição. Muitos hoje estão sendo ensinados a acreditar que a homossexualidade é uma condição genética, como a cor da pele ou dos olhos. Essa fraude vem sendo promovida durante anos pelos maiores meios de comunicação pró-homossexualismo. Mas como outros mitos urbanos, é mentira. Para saber mais sobre como esse mito começou, visite este site:
http://www.narth.com/docs/istheregene.html

Os que apóiam a tese de que “os homossexuais nasceram assim” freqüentemente se referem a uma série de estudos científicos da década de 1990, principalmente um estudo feito por um pesquisador ativista homossexual chamado Dr. Dean Hamer, do Instituto Nacional do Câncer. Esse estudo supostamente identificou o “cromossomo X” como possivelmente ligado ao homossexualismo. Publicado na revista Science de julho de 1993, esse estudo meramente dizia que os pesquisadores estavam estudando a ligação entre certos genes e a conduta homossexual.

A Rádio Pública Nacional sem nenhuma demora proclamou a noticia, seguida pelo Wall Street Journal e outros grandes jornais. Em seguida a revista Newsweek embelezou sua capa com a manchete “Gene Gay?” As pessoas normais que leram essas noticias entenderam claramente que a ciência havia descoberto um gene que causa ou determina a conduta homossexual. Mas não foi isso o que a pesquisa realmente revelou, conforme até o próprio Dr. Hamer confessou. Como todos os cientistas verdadeiros sabem, a descoberta de uma possível ligação não prova uma relação causa e efeito.

Em seu documento “Os Fatos sobre a Orientação Sexual” (publicado em 2000), a Associação Psiquiátrica Americana contradiz a afirmação de que os “homossexuais nasceram assim”. “Não se conseguiu repetir nenhum estudo científico que apóia alguma etiologia biológica específica que sustente a homossexualidade”, disse a APA. Onde está agora todo o estardalhaço que a pseudo-ciência fez com relação ao gene gay?

Precisamos nos lembrar de que antes de 1973, a APA classificava a homossexualidade como desordem e desvio mental. Mas 1973 não foi um bom ano para os valores morais nos EUA. Nesse ano, o aborto foi legalizado e a APA revisou seu manual para seus profissionais.

Então, numa virada irônica do destino, o Dr. Robert Spitzer, o mesmo medico que convenceu a APA a mudar sua posição sobre o homossexualismo em 1973, apareceu novamente em 2003 e mudou de idéia. Por que esse homem, que no passado trabalhou ardentemente para realizar uma reforma pró-homossexualismo, mudou de idéia? Porque — embora se descrevesse como “inicialmente cético” — ele entrevistou pessoalmente mais de 200 ex-homossexuais que haviam mudado e se tornado heterossexuais através do que ele chamou de “terapia reparativa”!

Para seu crédito, o Dr. Spitzer ousou dizer a verdade sobre suas descobertas, apesar das gritarias ciumentas dos ativistas gays radicais que previram as horrendas implicações dessa revelação. O relatório do Dr. Spitzer, intitulado “200 Participantes que Relataram Mudança da Orientação Homossexual para a Orientação Heterossexual”, foi publicado na edição de outubro de 2003 da conceituada revista Archives of Sexual Behaviour (Arquivos da Conduta Sexual).

“Quase todos os participantes relataram importantes mudanças nos aspectos centrais da orientação sexual, não meramente na conduta observável”, escreveu o Dr. Spitzer. Em outras palavras, eles não apenas mudaram suas ações homossexuais, mas também suas atrações antinaturais!

Além disso, eles estavam mentalmente melhores depois de mudar. “Para os participantes de nosso estudo, não havia nenhuma evidência de prejuízo”, acrescentou ele. O Dr. Spitzer descreveu essas 200 decisões de conversão como uma “meta pensada” que foi alcançada pelas pessoas sem a ajuda de pressões externas.

“Os profissionais de saúde mental precisam parar de agir na direção de proibir terapia que tenha como meta mudar a orientação sexual”, concluiu o Dr. Spitzer. “Muitos pacientes conseguem fazer uma escolha pensada no esforço de desenvolver seu potencial heterossexual e minimizar suas atrações homossexuais”.

Essa declaração, feita pelo homem que há mais de três décadas foi responsável pela redefinição do desvio homossexual para “normalidade”, é uma mudança de direção tremenda.

Os conservadores precisam se levantar e pedir que os homossexuais aceitem os fatos. Eles precisarão reconhecer que seus estilos de vida são escolhas pessoais, antes que qualquer um possa lhes conceder a legitimidade que eles buscam.

O Gene Gay não existe. Quer seja mediante “terapia reparativa” ou mediante um poder lá do alto, o fato permanece aí diante de todos: Os homossexuais PODEM mudar… se quiserem.

Para mais informações, por favor visite: http://www.sbministries.org/

Nathan Tabor é um ativista político conservador que vive em Kernersville, North Carolina, EUA. Ele é doutor em psicologia e tem mestrado em políticas públicas. Ele é um dos editores de http://www.theconservativevoice.com/

Traduzido e adaptado por Julio Severo: http://www.juliosevero.com.br

Fonte: http://www.americandaily.com/article/6852

http://juliosevero.blogspot.com/2005/04/existe-realmente-um-gene-gay.html

Comentário de Rui G
Data: 8 Março 2008, 1:09

Mas que belo texto e comentários. De facto esta é uma questão bastante pertinente. Apenas me parece que não deveria haver esta necessidade tão grande de dissecar este problema. O que interessa se há um ou vários genes a contribuir para se gostar ou não de pessoas do mesmo sexo…boa sorte para o colega geneticista que anda atrás deles… Será que é mesmo preciso isso para as pessoas perceberem que existe, é natural e que as pessoas não têm de se sentir mal por causa disso e olhadas de lado pelos outros? Haja evolução de mentalidades para que as pessoas possam todas viver em paz umas com as outras!
E já agora, a comunicação social também devia aprender a veicular este tipo de notícias de outra mania e sem o alarido que normalmente fazem com este assunto.

Parabéns Vasco…escreve bem e é bem giro :)

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