O antigo consenso

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O memorial aos soldados nazis

Eu estive lá há um ano e meio, junto do memorial aos soldados soviéticos que combateram na Estónia na II Guerra Mundial. Aliás, junto dos dois memoriais: aquele que a URSS construiu em 1970 e que está decrépito, e o outro que o governo da Estónia independente em 1995 construiu para homenagear os soldados nazis alemães – e os estónios que combateram ao lado deles – e que aliás já estavam enterrados antes no lugar onde a URSS decidiu erigir o seu monumento. Como assinalei ali, estão um do lado do outro, mas o memorial aos nazis está impecavelmente cuidado. Isto só pode ser entendido no contexto do conflito da Estónia contra a propensão imperial da Rússia, e dos conflitos entre Estónios e Russos actualmente na Estónia – de que falei nesse texto. Não tenho simpatia pela orientação que os estónios dão à questão, pela hostilidade determinada à Rússia e sobretudo aos russos que lá vivem – não me parece, desde logo, realista. Mas também não vejo que a solução esteja em tentar meter pela goela dos estónios adentro um consenso antifascista que a Europa Ocidental resolveu consagrar há sessenta anos atrás. Não duvidem da sinceridade se os Estónios vos disserem que a ocupação nazi (1940-41) foi para eles (não para os judeus entre eles, evidentemente) menos negativa do que a ocupação soviética (1941-1991). Duvidem só da sensatez. Mas não se pode ignorar por completo a experiência histórica destes povos.

Sobre Ivan Nunes

QUINTA | Ivan Nunes
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