História com barbas

 Lê-se, na contra capa do Público de hoje: “Dia da Mulher: Portuguesas são mães aos 28 anos e vivem até aos 81”. Na página 8, repete-se o headline, que se refere aos dados actualizados do INE a propósito do Dia Internacional da Mulher. Podiam ter destacado, para titular a notícia, outros dados, como o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho, ou a percentagem de abandono escolar, substancialmente inferior à dos homens. Mas não. O adiamento da maternidade é que é o chamariz. Uma história com barbas.

Sobre Joana Amaral Dias

QUARTA | Joana Amaral Dias
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9 respostas a História com barbas

  1. ca diz:

    Realmente um absurdo. Sobretudo quando as mulheres são mais que as mães, aliás mais que homens nas redacções. Digamos que por esta altura a história tem mais buço que barba…

  2. Ezequiel diz:

    Realmente, isto é quase tribal. A “função reprodutiva” persiste como tema central, para alguns.

  3. Pois. Mas a principal razão para os adiamentos na maternidade é precisamente o aumento da sua participação no mercado de trabalho. Há dúvidas?

  4. semoncho diz:

    Realmente é assim tão difícil escrever “cabeçalho” ou mesmo “manchete”?. Sei que é questão de gostos, mas o uso do barbarismo “headline” afeia desnecessariamente o seu texto. Há vezes que é difícil achar a tradução a um termo noutra língua, mas neste caso o difícil é ir procurar o anglicismo.

  5. António Figueira diz:

    Caro Semoncho,
    “Manchete” também é um barbarismo – e porquê “afeia” em vez do tradicional “desfeia”?
    Cordialmente, AF

  6. semoncho diz:

    Sei que manchete é um galicismo, mas muito próximo ao “génio da língua portuguesa” que headline. Além disso é muito utilizado no Brasil.

    Usei “afeia” porque para mim, como galego, é uma palavra muito comum. É mais, graças a isto acabo de me inteirar de que em Portugal prefere-se “desfear”, e no Brasil “enfear” (popularmente) ou “afear” (na literatura).

  7. António Figueira diz:

    Caro Semoncho,
    Estamos sempre a aprender; não sabia que eras galego – e é um facto que manchete é muito usado no Brasil, é o título de uma revista e do canal de televisão do grupo de Assis Chateaubriand, e além disso os brasileiros são uns incansáveis e imaginativos inventores de neologismos; agora quanto ao verbo desfear, peço desculpa: os dois dicionários que uso são ambos brasileiros (Aurélio e Houaiss) e ambos o referem (o Aurélio mesmo com um excerto de Machado de Assis a título de abonação!)
    Cordialmente, AF

  8. semoncho diz:

    Caro António:

    Com certeza ambos dicionários recolhem a forma “desfear”. Mas olhe que tanto o dicionário português “Priberam online”, (http://www.priberam.pt), como o dicionário galego e-Estraviz, (http://www.agal-gz.org/estraviz), reconhecem como válidas as 3 formas: afear, desfear e enfear. Porém na Galiza a forma usual é afear, e em Portugal desfear.

    Quanto a forma preferida no Brasil não posso falar por experiência própria. Mas segundo o seguinte documento (http://www.metodologia.org/gramatica.pdf), que não semelha disparatado, no Brasil a formula mais popular e enfear, sendo afear a forma preferida na linguagem literária.

    Cumprimentos
    Se Moncho

  9. António Figueira diz:

    Caro Se Moncho,
    Sito-me afeiado, desfeiado & enfeiado perante tamanha erudição filológica! Seja como dizes!
    Cumprimentos além-Minho, AF

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