Fora de prazo

O artigo de Gentil Martins que figura no Público de hoje esta fora de prazo. O senhor indigna-se com o facto de a nova lei do aborto, no artigo 6º, ponto 2, estipular que “os médicos ou demais profissionais de saúde que invoquem a objecção de consciência relativamente a qualquer dos actos respeitantes à IVG não podem participar na consulta prevista na alínea b) do nº4 do Artigo 142º do Código Penal ou no acompanhamento das mulheres grávidas a que haja lugar durante o período de reflexão”. Gentil Martins insurge-se: “pretende-se que só os que praticam o aborto possam “aconselhar “ para que a mulher não aborte”. Primeiro, não entende para que serve o acompanhamento. A sua finalidade não é, certamente, “aconselhar para que a mulher não aborte”. A opção é da mulher, tal como foi expresso nos resultados do referendo. O acompanhamento serve, sobretudo, para informar e disponibilizar acompanhamento por psicólogo e /ou assistente social. Esse acompanhamento é, necessariamente, facultativo. Em segundo lugar, é justamente porque os médicos objectores de consciência se opõem à IVG que não podem participar na consulta e no acompanhamento. Opondo-se, só podem orientar a mulher no sentido de não abortar. Os que não são objectores de consciência não orientam a mulher. Respeitam a sua decisão. Apenas contribuem para que a opção (seja lá qual for) seja o mais informada, tranquila e segura possível. A indignação de Gentil Martins é a de quem ainda não percebeu patavina do que aconteceu em Portugal no dia 11 de Fevereiro. O seu artigo é do mês passado.

Sobre Joana Amaral Dias

QUARTA | Joana Amaral Dias
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Uma resposta a Fora de prazo

  1. Ana Matos Pires diz:

    Já é hábito!

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