A Vulgata de Al Capone

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Jonh Baldessari

Vejo na SIC Notícias que o governo vai processar a multinacional General Motors, proprietária da marca OPEL, por incumprimento do contrato que fez com o Estado português. A multinacional embolsou incentivos de milhões de euros, em troca de um plano de investimentos e de laboração que contratualizou com o governo português. A OPEL da Azambuja ficou com o dinheiro, fechou, não cumpriu o contrato e agora o governo quer ser ressarcido. No jornal da SIC notícias pedem um comentário a uma menina de aspecto simpático que é editora do Semanário Económico. Em tom compungido, a menina afirma que o governo quer fazer, deste caso, “um caso exemplar” e queixa-se que o governo “é extremista”. A jornalista até admite que a OPEL não cumpriu o contrato, mas lembra que há uma “lei” que está acima de todas as regras, “a lei da globalização”, que faz com que uma empresa sai e entra quando quer. Portugal não tem direito a pedir de volta os incentivos dados, apesar do não cumprimento do contrato pela multinacional, porque isso “assusta as outras empresas”, garante pesarosa, com esta inoportuna intrusão do direito na lei do mais forte.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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10 respostas a A Vulgata de Al Capone

  1. António Figueira diz:

    Nuno,
    Gosto deste texto, e em particular da última frase, que remete para a citação do Père Lacordaire que serve de mote ao “Esquerda Republicana”: “Entre le fort et le faible, entre le riche et le pauvre, c’est la liberté qui opprime et la loi qui affranchit”, mas permito-me fazer-te um pequeno reparo: a multinacional Opel não existe; existe a multinacional General Motors, proprietária da marca Opel, entre outras.

  2. Sérgio diz:

    Há coisas que gostaria de ter escrito. O seu texto é uma delas.
    Se dúvidas restassem, fica aí demonstrado que o investimento beduíno não vem só de empresas semi-anónimas. Tornou-se regra imperante deste mundo de gente de fluente economês.
    A ética mora longe do mais libertário «laissez-faire», de facto.

    P.S. Que aprendam os governos da terceira via a ter mais juízo e a prestarem menos loas a bezerros de ouro.
    Atenciosamente,
    Sérgio.

  3. pedro oliveira diz:

    Gostava que essa Srª Jornalista me explicasse a “lei da Globalização”, e perguntar-lhe se o Semanário Económico um dia for comprado por uma “Prisa” qualquer, e for para o desemprego, também vai dizer,”paciência é a lei da globalização!”

    pedro oliveira
    vilaforte.blog.com

  4. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Obrigado pelos comentários.
    António, tens razão. Está corrigido.

  5. Insano diz:

    Será que ela tem um Corsa…? I Wonder…

  6. MPR diz:

    A Lei da Globalização… claro… essa lei que está aprovada e publicada em Diário da República número…? pois… não, espera… não é essa… é a directiva da União Europeia que recomenda que os contratos sejam rasgados se… não… também não é essa… Deve ser o complexo de inferioridade, de baixar a cabeça quanto passa o patrão, a toda-poderosa multinacional, e esperar que ela deite para cá uma esmolinha… e desculpe lá o contrato assinado com um Estado soberano, membro da UE, era brincadeirinha… não se tornará a repetir… prometo!

  7. paichão diz:

    Assim se vê como funciona a ética jornalistica(de muitos).Isto é que é a Liberdade de Imprensa.Não é à toa que as corporations têm um jornaleco para educar as massas…Isto um dia destes, está como a Venezuela de Cisneros,o paradigma da comunicação.Safa!

  8. Ricardo S diz:

    Concordo com o MPR, lei da globalização? Não existe uma lei da globalização, mas várias que regulam os mercados. A globalização é um género de “liberdade total” dos mercados, da economia. Mas as empresas terão que respeitar as leis e os contratos.
    Acho muito bem que o Governo esteja com reais intenções de levar a GM a Tribunal, por incumpriemento contratual, se este de facto existir.
    Se eu celebrasse um acordo com a ilustre editora do Semanário Económico em que ela me vendia o seu carro e eu, em contrapartida (por exemplo) lhe pagasse 1.500 euros e pagava as obrigações fiscais adjacentes e se depois, já tendo o carro na minha posse e registado em meu nome, não cumprisse as obrigações fiscais a que me tinha proposto, será que a Senhora me perdoaria e não me levaria a Tribunal por incumprimento contratual? Pelos vistos, perdoava…

    Ricardo S
    legalices.blogspot.com

  9. ca diz:

    Não é novidade que os jornalistas políticos nutrem um fascínio contido pelo poder, tal como, de modo bem mais assanhado, os jornalistas económicos idolatram patrões e gestores. Só por isso satisfaz o desfecho da tentativa de OPA da Sonae sobre a PT. Não haveria a mais ínfima paciência para o festim de «ass-licking» por parte do jornalismo económico caso o Azevedo Jr. levasse a sua avante.

  10. ezer diz:

    Ah,é este o Estado de Direito entendido pelos experts(Abrev dos xicos espertos ).Apparatchiks,aparelho,religião,tou a aprender.Miséria humana no seu melhor/pior.Como a sra editora não tem vertebras e lambe o cu a quem oprime,explora,faz guerras para se encher.Ladrões!!!E seus capachos.

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