A Vulgata de Al Capone

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Jonh Baldessari

Vejo na SIC Notícias que o governo vai processar a multinacional General Motors, proprietária da marca OPEL, por incumprimento do contrato que fez com o Estado português. A multinacional embolsou incentivos de milhões de euros, em troca de um plano de investimentos e de laboração que contratualizou com o governo português. A OPEL da Azambuja ficou com o dinheiro, fechou, não cumpriu o contrato e agora o governo quer ser ressarcido. No jornal da SIC notícias pedem um comentário a uma menina de aspecto simpático que é editora do Semanário Económico. Em tom compungido, a menina afirma que o governo quer fazer, deste caso, “um caso exemplar” e queixa-se que o governo “é extremista”. A jornalista até admite que a OPEL não cumpriu o contrato, mas lembra que há uma “lei” que está acima de todas as regras, “a lei da globalização”, que faz com que uma empresa sai e entra quando quer. Portugal não tem direito a pedir de volta os incentivos dados, apesar do não cumprimento do contrato pela multinacional, porque isso “assusta as outras empresas”, garante pesarosa, com esta inoportuna intrusão do direito na lei do mais forte.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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