Macacos, não me mordam

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Gangues de macacos semeavam o terror na estação de comboios de Benares, atacando e pilhando. Comecei por olhar para eles com uma curiosidade simpática, pelas enormes semelhanças que têm com a nossa espécie. Similitude: são símios. Felizmente um indiano chamou-me a atenção para que, se eles olhavam para mim, não era por curiosidade recíproca: estavam de olho no meu cacho de bananas. Depois de terem perdido perspectivas sobre as minhas bananas, perseguiram, num gangue de dez, um cão que fugia. Mordiam-no e assustavam-no por pura maldade. Só depois de guardar as bananas na mochila percebi o perigo. Os macacos mordem, atacam em bando, estão permanentemente em pose de predadores, à procura da vítima. Na Índia estão por todas as partes, telhados, ruas, estações de autocarro e comboio, templos. Também há cabras, cães, ratos (nas estações de comboios e nos comboios) e as proverbiais vacas; só gatos são um pouco menos conhecidos. Num outro dia, em novo exercício de amabilidade, dei amendoins à mão de um macaco, no túmulo de Akbar, em Agra. Quando acabaram, o macaco deu-me uma palmada na cara, à procura de mais. O macaco é o lobo do homem. [Ler também aqui.]

Sobre Ivan Nunes

QUINTA | Ivan Nunes
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