Notícias da Índia

Na Índia, por estes dias, discute-se a possibilidade de que o adultério deixe de ser criminalmente punido.

«Trata-se de uma questão mentirosa», como já explicou M. R. D’souza. «Despenalização eu seria a favor, mas do que se trata é da liberalização do adultério. A partir de agora, a mulher ou o homem vão poder cometer adultério porque sim, sem terem de se justificar perante ninguém.» O economista J. C. Neves acrescentou que «ter um amante passará a ser um símbolo de status, tão normal como comprar um telemóvel novo». Grupos que se opõem à despenalização apresentaram estudos científicos que demonstram que o adultério é causa de graves perturbações psicológicas para os cônjuges, e que o parceiro ofendido sente dor. «Encornar por opção, sabendo que bate um coração?», pergunta um destes movimentos. O antigo ministro da Segurança Social Baghandas Felix acredita que a liberalização resultaria num aumento do número de divórcios, com o seu cortejo de efeitos negativos tanto ao nível psicológico como social, e para as crianças tanto quanto para os pais. Lembra ainda que a Índia é o país do mundo com maior número de pessoas consideradas «pobres» ou «extremamente pobres» segundo os critérios do Banco Mundial, e que o divórcio dos pais é, em todo o mundo, um dos principais factores propiciadores da pobreza das famílias. Estes factos, bem como o risco da propagação descontrolada da SIDA, estão a inquietar largos sectores da população indiana, que receiam as consequências negativas de uma liberalização do adultério. A Índia é, actualmente, o país com a mais alta taxa de crescimento de infectados por HIV em todo o mundo.

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QUINTA | Ivan Nunes
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