Redenção, utopia e fetiches (acerca de um post do João Galamba)

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Beyoncé a ser fotografada para a Sports Illustrated

As supostas Leis da História permitiram a Marx evitar ficar prisioneiro do imaginário religioso. Abandonadas estas, resta o quê? Em pós-Marxistas como Adorno, o elemento religioso e messiânico parece-me evidente. Noutros como Derrida – the eternal promise of the democracy to come, always deferred -, também. No malabarista-circense-brilhante Zizek, as suas posições ou são vazios – pois apenas negam o que existe – ou voltam ao mesmo – demand the impossible, e coisas que tal.

A ciência substitui a esperança pela (busca da) certeza. Haverá algum tipo de esperança que evite a lógica da promessa religiosa? Ou será que todas as narrativas políticas contém necessariamente um elemento de religiosidade?

João Galamba

“Conhecemos a lenda de um autómato, construído de tal forma, que podia responder, numa partida de xadrez, a qualquer movimento do seu adversário de forma a ganhar todas as partidas. Um fantoche vestido de turco, com um narguilé na boca, está sentado frente ao tabuleiro de xadrez, apoiado numa grande mesa. Um sistema de espelhos dá a ilusão que a mesa não tem segredos ao olhar. Na realidade, no seu interior está escondido um anão corcunda, mestre no xadrez, que através de cordéis comanda o fantoche. Podemos imaginar uma contrapartida filosófica desse mecanismo. O fantoche chamado “materialismo histórico” ganhará sempre. Ele pode enfrentar qualquer desafio desde que tome a seu serviço a teologia. Hoje, ela é reconhecidamente pequena e feia e não ousa mostrar-se”.
Walter Benjamin nas suas Teses Sobre o Conceito da História

O falecido Manuel Vazquez de Montalban começou o seu “Assassinato no Comité Central” com uma frase da dirigente comunista espanhola Irène Falcón que rezava, mais ou menos, o seguinte: “reafirma-se em nós esta fé que Marx aludia, quando dizia que os comunistas são capazes de ‘tomar os céus de assalto’. Quando esta fé arrefece, quando se começa a duvidar, quando não se acredita mais, então é aí que se começa a deixar de ser comunista. Esta é a verdade”. A citação era directamente retirada da Autobiographie de Frederico Sanchez, de Jorge Semprun, em que o antigo dirigente comunista garantia que a confusão entre Marx e religião, invertia o pensamento de Marx. Semprun afiançava que, pelo contrário, para se ser comunista é preciso começar por “não acreditar”. Para provar o seu ponto de vista, relembrava o contexto da citação de Marx, em que ele fala do assalto aos céus. A frase é retirada da carta a Ludwig Kugelmann sobre a comuna, em que Marx opõe os operários e partidários da comuna, aqueles que “tomam os céus de assalto” (Himmelssturmer), aos fieis das religiões, os escravos do céu ou da fé (Himmelsklaven); confrontando, assim, a violência utópica e humanista dos partidários da comuna, às pessoas que escolhem a submissão a uma religião e às hierarquias.
Apesar dessa diferença, penso que a intenção de Marx não está despojada de uma vontade romântica e prometeica de salvar a humanidade das grilhetas da opressão. Estamos perante um desejo e uma esperança que não deixa de ter, em si mesmo, uma certa religiosidade, mesmo que contemporânea. O autor romântico Friedrich Schlegel escrevia que “o desejo revolucionário de realizar o Reino de Deus é (…) o início da História moderna”. Não creio, portanto, que a tarefa que o João Galamba colocou no seu texto: libertar a política da esperança, seja em si algo de positivo. Tenho para mim, que política sem um princípio da esperança é igual a tecnocracia e gestão daquilo que existe. Bem sei que em Marx o socialismo pretendia ser científico por contraposição ao socialismo utópico. E, naturalmente, muito das análises de Marx possuem capacidades explicativas sobre a sua época e o desenvolvimento do capitalismo, tendo conteúdo eminentemente científico (seja lá isso o que for, nas ciências humanas). Agora, para mim, a força do marxismo reside em múltiplas coisas, mas sobretudo na sua pulsão de transformar o mundo. A esse respeito, tendo a concordar com o texto de Luckacs sobre o “Marxismo Ortodoxo”, em que ele afirma: “Let us assume for the sake of argument that recent research had disproved once and for all every one of Marx’s individual theses. Even if this were to be proved, every serious ‘orthodox’ Marxist would still be able to accept all such modern findings without reservation and hence dismiss all of Marx’s theses in toto – without having to renounce his orthodoxy for a single moment. Orthodox Marxism, therefore, does not imply the uncritical acceptance of the results of Marx’s investigations. It is not the ‘belief’ in this or that thesis, nor the exegesis of a ‘sacred’ book. On the contrary, orthodoxy refers exclusively to method. It is the scientific conviction that dialectical materialism is the road to truth and that its methods can be developed, expanded and deepened only along the lines laid down by its founders. It is the conviction, moreover, that all attempts to surpass or ‘improve’ it have led and must lead to over-simplification, triviality and eclecticism”.
Acho que não há nenhuma política científica no sentido que prevê a História como se de uma equação matemática se tratasse. A força de uma política revolucionária está mais dependente das esperanças que movimenta do que dos enunciados “científicos” que contém. Um futuro melhor encontra-se inscrito na História como possibilidade rara. Cabe aos revolucionários organizar esse pessimismo.
É um pouco dessa possibilidade e dessa ligação entre revolução, redenção e utopia que fala Benjamin, quando liga a teologia ao materialismo histórico e afirma o papel de uma certa fé na luta revolucionária. Sobretudo, num tempo que já se provou que o “progresso” e a tecnologia não nos levam automaticamente ao “paraíso”, mas de olhos fechados para a catástrofe.
Uma das muitas anedotas que se contavam na União Soviética, dizia que uma professora, durante uma aula, perguntou ao menino Ivanovitch se “o comunismo era uma doutrina cientifica ou uma teoria revolucionária”. O menino Ivanovitch inclinou-se para que fosse uma teoria revolucionária. A professora exigiu que o aluno justificasse a resposta. Ivanovitch pensou e disse: “tem que ser uma teoria revolucionária, porque se fosse científica tinham experimentado primeiro nos macacos”.
De facto, aquilo que tem que ver com a História humana não se experimenta primeiro em laboratório e depois repete-se na História. Os caminhos da História coexistem e dependem da acção humana, não estão inscritos nas páginas da lei. É esta a nossa esperança, mas também o nosso fado: a História não tem que ter um final feliz.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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21 respostas a Redenção, utopia e fetiches (acerca de um post do João Galamba)

  1. gibel diz:

    Excelente posta, Nuno. E que merece ser bem meditada.”A tradição dos oprimidos ensina-nos que o “estado de emergência” em que vivemos não é a excepção mas a regra(…) a nossa tarefa é realizar um verdadeiro estado de emergência” (Walter Benjamin, “Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política”).
    Benjamin, como Landauer, Bloch, Isaac Deustcher ou Lukács, revêem-se todos numa tentativa de construir um messianismo laico, Reino de Deus sem Deus, em que o proletariado surge enquanto classe-messias numa humanidade que se encaminha para o fim da opressão. A vitória esperada desta classe-messias é a redenção alternativa à redenção tradicional religiosamente entendida e interpretada nos templos (por credos que as mais das vezes se tornaram eles próprios agentes de opressão, sem que Deus, o Messias, ou qualquer outro “metraton” tivessem muita responsabilidade nisso ). Há em tudo isto um grãozinho (pelo menos) do multi-secular profetismo judaico, com a sua tónica no propósito da justiça absoluta e da iminente instauração de uma era de justiça e paz. Mas também para os primeiros cristãos, o Reino de Deus não era suposto ser do outro, mas antes deste mundo!
    Esta reflexão dá pano pra mangas…

    abraço

  2. gibel diz:

    A utopia não será tão quimérica quanto pretendem os nossos dicionários. Etimologicamente será mais que quimera: não aquilo que é necessariamente impossível, mas antes aquilo que não existe em nenhum lugar. Bem lembrou Herkenhoff: “O mito ilude o homem e retarda a História. A utopia alimenta o projeto de luta e faz a História”.

  3. Nuno,

    Excelente post, que dá pano para mangas. Agora não posso responder como ele merece porque tenho de me meter na cozinha. Só uma pequena correcção. Longe de mim reduzir a política a uma técnica. Aqui acho que me interpretaste mal -ou entao eu não me expliquei convenientemente. Mas lá iremos.

    Um abraço,
    Joao

  4. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Gibel e João,
    Obrigado pelos comentários. Estou fora e vou responder para a semana.

    João,
    Expressei-me mal. Não quis dizer que reduzias a política à tecnica. Apenas disse que não havia mal no mundo, antes pelo contrário, da política ser aditivada pela esperança. E que essa esperança não deriva da ciência.

  5. LR diz:

    Nuno,
    Desculpa a intromissão, mas fico com a ideia que não respondeste ao essencial da interpelação do JG: “será que todas as narrativas políticas contém necessariamente um elemento de religiosidade?” Isto, naturalmente tem um escopo bem mais alargado que o do marxismo.
    Mas creio que, para se responder com precisão, seria preciso saber o que é, ao certo, a “religiosidade” para o perguntador…

  6. LR,

    Tem toda a razão sobre a questão da religiosidade. Vou elaborar quando responder ao post do Nuno.

  7. LR diz:

    Desculpem lá, mas enquanto o caldo para o arroz de tamboril apurava, tomei a liberdade de anotar umas ideias sobre esta questão: http://zonafantasma.blogs.sapo.pt/20180.html

  8. J.Urbano diz:

    De um modo sumário diria que se em tempos idos a revolução agricola traduziu-se na criação de sociedades vincadamente estrateficadas, piramidais, elas só foram realmente reconfiguradas com o advento da revolução industrial, que quanto a mim é muito mais decisiva que a revolução Francesa. Os processos de emancipação da modernidade estão intimamente vinculados a esta mutação tecnológica e a uma lógica de dominação da natureza(Bacon, Descartes). A teleologia Marxista cabe muito bem, demasiado bem neste horizonte. Porém pelos vistos estamos agora a passar por uma nova mutação tecnocientifica, em que se instalam novas narrativas utópicas e teleológicas que se ancoram seja na desmaterialização digital, numa singularidade absoluta a atingir, tipo noosfera ou em todo o tipo de promessas da biomedecina e das biotecnologias que nos seduzem com uma longevidade eterna, uma super-inteligência, um corpo perfeito imune a doenças, em suma, com o super-homem. Basta ler alguns textos dos anos noventa do Hermínio Martins para termos diante de nós a desmontagem desses actuais delírios tecnocientificos e de sua desbragada metafisica. É preciso ver que a realidade ou o real sempre foram crueis em relação a todo o tipo de delirios utópicos que tentaram realizar-se através da reengenharia social. Todavia esse mesmo real caiu hoje na mão da tecnociência e tornou-se uma espécie de matéria recombinavel, seja pelo digital, seja pelas biotecnologias, seja pelas nanotecnologias ( saiu a este respeito um texto seminal, no recente livro de Homenagem a Hermínio Martins editado pelo ICS, de Byron Kaldis ). Pelo que parece que as mais recentes utopias tecnológicas compreendem a propría manipulação desse real invisivel(talvez a coisa em si Kanteana), desse real molecular em que não existem mais fronteiras seja de natureza, seja de género ou espécie e em que tudo é recombinável: da transferência de genes de uma espécie para outra, ou mesmo de novos edificios de engenharia molecular mediante as nanotecnologias. Trata-se já não de transformar a sociedade ou a realidade social mas de transformar o próprio real. O problema é que surgirão demasiados problemas. A tecnologia não é neutra. Como se se tratasse simplesmente do bom ou do mau uso dado a ela. Bom, apenas quis levantar algumas questões relacionadas com o post. Mas percebe-se que um certo Marxismo, uma certa esquerda ainda não compreendeu em profundidade o que está a acontecer e ainda vive numa certa imagem e categorias da velha sociedade industrial.

  9. Ezequiel diz:

    Um conceito multifacetado (religiosidade), como todos os conceitos. Multiplicidade de sentidos: Zelo, devoção, disposição-para, crença numa racionalidade oculta bla bla. O conceito multifacetado aplicado na interrogação da natureza de “narrativas politicas.” Dada a multiplicidade de sentidos do conceito e do fenómeno sob consideração, seria impossível não existirem relações entre ambos. A resposta será sempre sim. Apenas resta determinar que tipo de “sim.”

    “será que todas as narrativas políticas contém necessariamente um elemento de religiosidade?” Sim

    de poder? Sim

    de afecto? Sim

    de sedução? Sim

    de objectividade? Sim

    de coerencia? Sim

    de valor estetico? Sim

    de ruptura? Sim

    ad infinitum…

  10. Ezequiel diz:

    ou

    Será que a existencia contem necessariamente um elemento de religiosidade? SIM. Qual é o ELEMENTO? De que é que estamos a falar?

  11. António Figueira diz:

    Proposta metodológica: eliminar desta conversa o termo “religião” e afins, e substituí-lo por uma perífrase do tipo “procura de sentido”; julgo que é simultaneamente mais abrangente e mais rigoroso e permite, em querendo-o, guardar a metafísica num armário. A religião e as ideologias, os mitos e as utopias, as meta-narrativas, em suma, para usar o palavrão, o que pretendem todas é evitar o nosso confronto com o nada; é (quase) tão natural como respirar. Dito isto, dizer que Deus criou o homem ou que foi o homem que criou Deus não é, evidentemente, a mesma coisa.

  12. LR diz:

    Julgo que não se trata tanto de uma “procura de sentido” como da apresentação de um, “ready made” e imune a questões…

  13. Ezequiel diz:

    Caro Antonio

    O “problema” (que não é problema) persiste de qq forma. “Simultaneamente mais abrangente e mais rigoroso…”?????????????? Isto não revela a futilidade da interrogação filosófica. Muito pelo contrário. A procura do sentido é, de certa forma, ainda mais problemático. Find a way out of the maze mate! This is interesting, hey?! A “solução” consiste na especificação. Adoro a razão empirica, honesta, e hostil a generalizações. E é esta especificidade, ou melhor,é nesta especificidade, que a malta aprende qualquer coisinha. A verdadinha é que sempre existiram muitas “religiosidades” dentro do marxismo (livre). O marxismo critico que foi suprimido pelos estados totalitarios leninistas foi outro animalzinho.

    Carp António, a tese do confronto com o nada esta muito en vogue. Nunca a compreendi. Será que podes oferecer uma ilustração literária ou poética deste confronto com o “nada.” E, antes de começar, explicita o que entendes por “nada.” (eh eh eh eheh espero que não me digam que o nada é uma pratica que resiste a qq teorizaçao ou que, não sendo nada-o nada- se transforme em algo…eh ehe eh oh dear oh dear oh dear…this is idiotic!) Não me interpretes mal. É uma tese muito interessante: A metafisica as flight from the nothing, as, perhaps, FEAR. Não concordo com esta proposta, de forma alguma.

  14. Ezequiel diz:

    Ou melhor, como é que o nada pode ser alguma “coisa” ( até simultaneamente mt especifica e abrangente, como a depressão por exemplo-estou a pensar em L Binswanger).

  15. António Figueira diz:

    LR: Tu dizes, um sentido “ready made” e fechado à discussão, eu digo, e não só mas também: a categoria de que eu falo é a das explicações do mundo, mas a existência dessa categoria não significa a equivalência de todas as explicações nela contidas (há-as abertas e fechadas, as “ready made” e as que fazem pensar, etc., etc.; é sempre útil repetir o exercício de tentar ver o mundo pelas lentes dos outros – o que, repito, não equivale a dizer que elas têm as dioptrias certas).

    Ezequiel: Será paradoxal, reconheço, mas neste caso o alargamento da categoria torna-a de facto mais significativa: a “procura de sentido” a que me refiro corresponde, no plano gnoseológico, à tentativa de explicação do mundo e, no plano da ética em geral e da moral prática em particular, à intenção de lhe atribuir um qualquer sentido (“an intelligent design”, que neste caso tanto quer dizer um desenho como um desígnio) que justifique os planos de vida de cada um; vale para as religiões como vale para muitas outras realidades que são imanentes e não transcendentes. O nada é explicável – senão não deveria sequer ser nomeado, como diria o W. – e as práticas que resistem às teorizações são uma bullshit pós-moderna que eu também não levo a sério: por nada entendo a ausência de sentido, o absurdo – que é uma noção psicologista, reconheço, historicamente situada, claro, mas que me parece ainda assim indispensável, apesar das suas limitações.

  16. LR diz:

    AF, não ficou afirmado nem implícito que essas certezas são únicas ou sequer monótonas. Faz parte dos mecanismos de fricção deste mundo que assim não seja, antes pelo contrário.

  17. Ezequiel diz:

    Caro Antonio,

    que conversa: perdoa-me o la la li la ri lo mas se substituires “religiosidade” por “procura de sentido” a resposta sera outra vez (sempre sim) a mesma e o problema da diferenca oculta persistirá. Eu nunca saberei do que e que estas a falar ate me explicares QUE SENTIDO…Poderas dizer que: nao ha ninguem que nao procure sentido (e que, consequentemente, a procura do sentido e um dado-actividade ontologico-a mais importante do que a especificacao do sentido que se “procura”) Poderas apelar a um processo comum e eu direi “AHHHHHH, claro, todos nos procuramos sentido, todos nos vivemos entre sentidos ja constituidos..estabelecemos um territorio comum?? Encontramos terra firma? Pensa bem, suspeito que nao, apesar de tudo.

    Espero que o W a que te referes nao seja George W Bush. eh eh ehe eh h:)
    O nada como ausencia de sentido, como o absurdo. Entre as duas formulacoes, a primeira parece-me mais interessante (a segunda, o absurdo, nunca podera ser NADA…Poder ser nada. Lindo! Ou sera que falavas do absurdo da ausencia de sentido….?) (a malta vai pensar que eu sou arrogante, petulante, mal educado, ams quew se lixe)

    As dimensoes do nada

    O nada evoca inexistencia fisica. O seu primeiro sentido, a origem de todas as dramatizacoes paradoxais, emana desta primeira dimensao e da sua relacao implicita com as seguintes. Quando os nossos antepassados neandartais falavam de nada, nao falavam do vazio existencial heideggeriano (eh ehe ehe he h he h) mas de algo muito concreto tal como: óoo caramelo, ali em baixo nao ha nada per manjare!(Nao há veados!…estou a brincar, nao me leves a mal…acabei de acordar…o winston-gato-apanhou um rato e trouxe-o para a minha cama-simpatico!)

    O nada fisico (a ausencia de materia) que nunca e absoluto (nao ha veados mas ha, ou pode haver, frutos silvestres) é determinado-parcial (referencia real, correspondencia entre enunciado e objecto) Sabemos que quando alguem diz nada nao esta a dizer que nada existe…pergunta O QUÊ?? Falas de quê? (procura o sentido do nada…o sentido especifico…não o sentido filosofico da procura do sentido- o desdem do homem comum pela filosofia é sensato não por ser correcto mas por ser pragmatico)

    Ora o nada fisico-determinado-parcial-real e a constituicao do nada primordial. For a simple reason. We do not need to learn to see. But we do need to learn how to speak and understand. O nada da ausencia do sentido resulta da verbalidade, da textualidade (and o say that the world is text is BULSHIT…the world is text and MUCH more) . O nada visual resulta da ausencia de MUNDO. Quando estes dois “nadas” se juntam o nada da ausencia de sentido assume a intensidade do nada da ausencia de mundo(Ou vice versa). Tornam-se impossiveis de distinguir, tal a fusao. Mas o elemento do concreto, do mundo, persiste. E por esta razao que o meu querido prof de daseinanalysis sempre me disse para considerar as depressoes COISAS no sentido mais concreto do termo, ou seja, como algo que EXISTE. E por esta razao que se pode falar na presenca da ausencia (quando um ente querido morre) na saudade. (mas nao podemos falar na ausencia da presenca!)

    bem, sinto-me um vero peripatetico…

    no worries.

    cumprimentos,

  18. Ezequiel diz:

    my cat is a fucking psyco!

  19. António Figueira diz:

    Ezequiel,
    Só de raspão, antes que a EMEL me pregue uma ostra no carro em segunda fila e o teu gato traga mais um adorável ratinho, não consigo discutir as dimensões do nada com um gajo que teve um prof de dasein analysis como outros tiveram, por exemplo, aulas de basquetebol (esta é quase uma private joke, é tirada de um poema do António Franco Alexandre), mas também não percebo a tua insistência em precisar QUE sentido quando eu digo, e por referência à questão inicial do João Galamba, de saber se a política pode abdicar do religioso, que o que as narrativas políticas têm é de fornecer alguma espécie de sentido, ici ou au-delà, aqui ou no além. De resto, e como adivinhaste, o W era precisamente o de George W Bush, autor do famoso tractatus politico-comicus.
    Até amanhã, AF

  20. Ezequiel diz:

    Only NERDS need basketball classes! 😉

    a “procura de sentido” a que me refiro corresponde, no plano gnoseológico, à tentativa de explicação do mundo e, no plano da ética em geral e da moral prática em particular, à intenção de lhe atribuir um qualquer sentido…”

    have you noticed that this is mere repitition?! There is no FUCKING POINT HERE! That is what I mean by specification.

    Have a nice trip nerd!

  21. Ezequiel diz:

    Bem, eu realmente não fui feito para devaneios ciberneticos. Desculpas pela falta de eduação, que e’ muita e incorrigivel. Dentro de alguns minutos terei o compt desligado e dentro de 4 horas estarei no aeroporto.

    O que eu pretendia dizer e que a politica, a religiosidade, a procura do sentido, e todos os grandes termos filosoficos que decidires explorar sao indeterminados (mas nao sao vazios). Logo, sempre que perguntares, sera que a politica pode abdicar da religiosidade ou da promessa, ou da procura do sentido, a resposta sera sempre NAO (ou melhor sera o sim, do meu comment anterior) porque nao especificamos o que entendemos por religiosidade, por procura de sentido…ficamos embrenhados na ilusao de que estamos a falar da mesma coisa, mas NAO estamos! Não se trata da irredutibilidade da diferenca….mas de outra coisa! Sera a religiosidade o zelo, a crença per si, a crença num ser transcendente, etc (note-se a diferenca entre religiosidade e teismo, por exemplo)…sera que todos nos “procuramos” sentido? Sera tao ridiculo substituir a “procura” pelo “encontro-com-o sentido”, por exemplo? Ou pela “invencao”? (o sujeito pode nao inventar o conceito que evoca nas suas interpretacoes (auto e extro) mas a vivencia de qq conceito e singularizavel, mesmo no mais massificado dos processos sociais…The universal as the dissemination of related differences) A linguagem e sempre labirintica e nos adoramos labirintos, pelos vistos. Todos os conceitos sao, como diria Deleuze, a organizacao de uma multiplicidade que é vivenciada especificamente. MAs isto ja vai longe e irritantemente monotono e paroquial. Qualquer ontologia, que pretenda a universalidade, tem que contemplar esta multiplicidade se não “deseja” ser refutada em poucos minutos. E um trabalho para os chatos dos filosofos. E facil comecar de cima para baixo. A politica nao pode abdicar da religiosidade porque a sedimentacao historica do conceito “religiosidade” (assim como as interpenetracoes de sentidos) e tao densa e complexa que perde o sentido se nao for explicitada…a disciplina da religiosidade, a crenca bla bla bla.

    Mas isto e apenas bla bla. It will not amount to much. My passion lies elsewhere.

    Very kool visiting you!
    auf auf auf wiedersein

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