Grandes males

AUTOR: Carlos Trincão

 

Confirma-se. Os males deste país são o funcionalismo público e os trabalhadores em geral!

            Agora é que eu já não tenho dúvidas: a OCDE é o que está a dizer; ora, quem sou eu para duvidar da OCDE? Pois se a dita afirma que é necessário flexibilizar as leis do trabalho…

            Ora então aí está! Coisa tipo flexissegurança. Eu explico: flexissegurança é assim um gajo trabalhador por conta de outrém poder ser despedido sem regras para segurança do outrém. Acho eu, pois segurança para o despedido é que não é.

            Mas que não, afinal. Dizem os entendidos que não há crise. É assim: com os despedimentos podem ser aumentados os ordenados, logo não há problema… para os que ficam empregados, está bem de ver.

            O que é curioso é que ainda não vi nem ouvi nenhum potencial flexissegurado defender a flexissegurança, portanto devem ser todos burros.

            Também há aquilo, agora, de o Estado já não querer o pessoal da Saúde e da Educação no Funcionalismo Público, curiosamente logo aquelas duas áreas que gastam uma pipa de massa em ordenados.

            Entretanto, continua meio mundo a falar mal dos funcionários públicos em geral, que isto e mais aquilo, que não fazem nenhum e só têm mordomias. E por tudo isso há que acabar com a espécie e com as mordomias que são, basicamente, garantia de trabalho e segurança do e no dito, férias e assistência na doença.

            Ah, pois. É que é necessário que todos os portugueses fiquem iguais, coisa com a qual concordo, obviamente.

            Só que eles enganam-se e querem todos iguais, mas baixinho. O que está bem é ninguém ter nada!

            Enfim.

            O que me faz confusão é esta coisa de toda a malta entendida nas economias dizer cobras e lagartos dos funcionários públicos, raízes de todas os infortúnios dos não funcionários públicos. Se assim é – acredito que o seja porque os entendidos não têm dúvidas – não consigo perceber é que como com tanta incompetência o país continua vivo e as instituições a funcionar.

            Só pode ser prestigitação. Ou então…

            … deixa cá ver: se os tipos dizem que os funcionários públicos da Saúde e da Educação são assim maus e a solução é fazê-los sair do Estado, quer isto dizer que o trabalho vai ter que continuar a ser feito pelos mesmos, mas com outros patrões; e assim  tudo vai melhorar.

            Ora, cá no meu entendimento, o que assim fica provado é que os actuais patrões é que não prestam, não é?

            Digo eu.

            O que me descansa é o PSD. Como agora são contra estas coisas que o PS anda a fazer, estou em pulgas para ir votar neles que resolvem logo tudo no dia a seguir.

Sobre Joana Amaral Dias

QUARTA | Joana Amaral Dias
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