A caminho do paraíso

c28437-11.jpg

O apoiante do “não” e professor de Direito Jorge Miranda assina, no último dia de campanha, um parecer que “garante” a possibilidade de “despenalizar” o aborto caso o “não” ganhe.
É uma espécie de “verdade instrumental”: vale tudo, para combater o pecado e os ímpios, desde que sejam mentiras piedosas.
Fica por explicar como é que, se a maioria do eleitorado se pronunciar contra a “despenalização”, é possível o legislador despenalizar se o “não” ganhar.
Aliás, a campanha do “não” tem sido uma grande procissão de fantasia. Importaram uma investigadora que inventou a descoberta da dor do feto às 10 semanas. Manipularam as estatísticas europeias de aborto de uma forma criativa. Nas vésperas das eleições, pretendem revolucionar a linguística sobre o que significam as palavras “sim” , “não” e “despenalização”.
Nesta campanha é possível tirar duas conclusões, independentemente do resultado:
1. Vai continuar a haver sexo, apesar do “não” pretender substituir a contracepção pecadora pela a abstinência sexual.
2. A subida ao pico dos justos é mais trabalhosa do que parece. Sem menorizar os esforços da fadista e médica Katia Guerreiro, vai ser difícil conquistar o lugar da vanguarda para dar o exemplo aos países ímpios da Europa . Infelizmente, esse lugar já está ocupado pela a Arábia Saudita. E apesar do voluntarismo da Katia Guerreiro, é preciso muito esforço para , em poucos anos, conseguirmos tirar a carta de condução às mulheres, obrigá-las a estar às ordens dos maridos, subjugá-las a preconceitos fundamentalistas, proibir o aborto e, claro, apedrejar as adúlteras.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.