A Barbárie – escrita humorística

O Público tem uma coluna ao domingo chamada «Um livro por semana». Mas muito pouca gente lê um livro por semana, e muito menos os jornalistas, que têm mais com que se entreter. De maneira que foi preciso começar a traduzir. O problema nasceu com a tradução. A pessoa que fez o serviço este domingo, pelas minhas contas, não lê um livro por ano. Mas teve graça a passagem sobre «as potências da Barbárie Muçulmana».

Poder, fé e fantasia

Robert Kagan

Muitas vezes ouvimos dizer que os americanos sabem pouco sobre os outros países; o pior é que sabemos muito pouco sobre nós próprios, a nossa História e o nosso carácter nacional. Quando se trata da política externa, nascemos todos ontem. Por isso, quando um brilhante historiador como Michael B. Oren nos trás o passado de volta, é um feixe de luz num céu escuro.
A opinião geral é que George W. Bush levou os Estados Unidos para um novo caminho quando proclamou uma política para transformar o Médio Oriente e que, quando deixar o cargo, a política voltará a uma tradição de realismo, enraizada na procura do interesse nacional. Isto é má História e má professia, como Owen demonstra nesta série de estórias de americanos durante os últimos quatro séculos.
Como historiador, é mais um contador de estórias do que um grande teórico. Três temas emergem dos seus contos: desde os Fundadores, os americanos têm tentado transformar os povos árabes e muçulmanos para os adaptar aos princípios liberais e cristãos; desde os Puritanos muitos americanos têm estado obcecados com a ideia de “devolver” a Palestina aos judeus; e desde o tempo colonial muitos americanos têm considerado o islão uma religião bárbara e despótica.
Oren demonstra que a hostilidade aos islão é quase tão velha quanto a nação. John Quincy Adams chamou-lhe religião “fanática e fraudulenta”, fundada no “ódio natural dos muçulmanos aos infiéis”.
Esse preconceito foi reforçado por uma infeliz experiência. Nos primeiros anos da república, as potências da Barbárie Muçulmana caíram sobre a navegação americana e capturaram, torturaram e escravizaram centenas de inocentes.
Quando John Adams e Thomas Jefferson imploraram ao paxá de Tripoli que parasse, conta Oren, o emissário do soberano insistiu em que o Corão dava direito aos muçulmanos de fazer guerra a todos os infiéis que encontrassem. E George Washington disse: “Graças a Deus temos uma armada para reformar esses inimigos da Humanidade ou para os reduzir à não existência”.

Sobre Ivan Nunes

QUINTA | Ivan Nunes
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.