Nascidos & nascituros

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Aqui há umas semanas, descobri no “Economist” que as últimas legislativas americanas não tinham servido apenas para dar o contrôlo do Congresso aos Democratas, tinham permitido também a eleição pelo Texas de um social-darwinista que quer acabar com tudo quanto tenha um vago perfume que seja a segurança social e a ajuda pública aos mais desfavorecidos – e quer introduzir no Estado uma lei que, caso o Supremo mude de ideias em relação à constitucionalidade do aborto, ilegalize logo o dito cujo no Texas, com efeitos imediatos.

O desvelo que este senhor (Dan Patricks de seu nome, e host de um talk show de sucesso) revela assim em relação aos nascituros parece pois que não se aplica aos já nascidos – o que é pena, porque se se pode legitimamente duvidar que um feto de cinco centímetros seja uma “pessoa humana”, já essa dúvida não é possível em relação às crianças propriamente ditas.

Longe de mim querer fazer generalizações abusivas, e afirmar que os apoiantes do “não” no referendo do próximo dia 11 não se preocupam com a sorte da nossa infância, mas se me é permitida uma sugestão é que todas as boas intenções expressas, de parte e doutra, nestas últimas semanas e nas duas que estão para vir, se coliguem em favor de uma causa que me parece inquestionável e que deve pouco à metafísica: que se juntem contra a enorme vergonha que é a violência infantil em Portugal (e até a Zita Seabra podia entrar na campanha).

PS: Obrigado à Cláudia pelo boneco.

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SEXTA | António Figueira
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