As contas a Marcelo

Em casa de ferreiro espeto de pau. O site do professor Marcelo tem uma zona para dados e em nenhum deles se faz referência ao estudo que lhes deu origem ou à fonte. A maior parte dos números são completamente inverossímeis (mas muito convenientes para as teses do professor Marcelo), como aquele que garante que só se fazem 1800 abortos clandestinos por ano em Portugal. Relembre-se que o último estudo da Associação para o Planeamento da Família, resultante de um inquérito a 2000 mulheres, revela que 14,8% das mulheres já recorreram ao aborto. O que dá muito mais de 100 anos nas contas do site do professor Marcelo. Já para não falar no suposto número de mulheres atendidas em consequência do aborto clandestino. O professor Marcelo garante que não passaram de 74… Esquecendo-se de dizer a fonte e de esclarecer que todas as mulheres e médicos não reportam, por razões óbvias, que a razão da sua ida ao hospital foi um aborto clandestino, prática que é, como ele parece ignorar, criminalizada e que é passível de actuação por parte do Ministério Público e prisão até 3 anos.
Depois o site, tem os depoimentos mais estapafúrdios que se podem imaginar, para além do inefável Rui Castro, tem uma criatura a quem o professor dá pouso que garante que as mulheres que abortaram foram processadas, não porque a lei as criminaliza, mas porque o Ministério Público está mancomunado com os defensores do “sim” e inventou os processos para escandalizar a opinião pública. A pergunta que se exige é a seguinte: Caro Professor, não é possível construir a sua argumentação de uma forma séria como exigiria a qualquer trabalho que lhe entregassem na faculdade?

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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Uma resposta a As contas a Marcelo

  1. Jurista diz:

    Na minha qualidade de seu ex-aluno, posso garantir que as exigências que o Prof. Marcelo faz na FDL são iguais às que impõe a si próprio: nenhumas.

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