HistoriaZita

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No meio dum zapping tropecei num debate na SIC Notícias. Zita Seabra defendia, com comovente convicção, a actual lei que permite condenar mulheres por abortarem. Com a mesma convicção com que defendeu, durante metade da vida, o contrário. Lembrei-me de uma pequena história. Quando participei numas poucas reuniões com a Zita Seabra, na altura em que era deputada do PCP, ela gostava de contar uma pequena fábula real e edificante que traduzia de uma forma colorida e pedagógica a realidade da “luta de classes”: uma patroa de uma loja tinha decidido “vestir”, com grandes descontos, uma deputada do PSD muito combativa que defrontava a esquerda repetidamente. Helena Roseta tinha sido eleita pelo círculo de Setúbal numa campanha forte contra o PCP e tinha toda a admiração da patroa. As empregadas da loja tiveram uma reacção política inabitual, ofereceram-se para “vestir” ,do seu bolso, a deputada do PCP que mais admiravam pelas suas posições de defesa das mulheres – Zita Seabra. Passados quase vinte anos, devem pensar que mais valia terem ficado quietas ou mesmo ajudado a candidata da patroa, pelo menos não tinham a sensação de que a roupa oferecida, para estar de acordo com a personagem, tinha que levar uns ajustes. Virar a casaca.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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