Pacheco Pereira, o PSD e o aborto

Acho o texto de Pacheco Pereira no Público de hoje extraordinariamente interessante: um monumento de arrogância contra a arrogância. É claro que no essencial Pacheco Pereira tem razão, sobretudo quando diz

as mulheres tralalá-lalá, isto não é nada teórico

mas quem lhe diz a ele que só ele percebeu isto? E donde vem o estranho facto de que, do lado do Não, vemos dirigentes do PSD entre os mais empenhados, pessoas que ocuparam altos cargos no partido, ao passo que do lado do Sim as figuras públicas que alinham são muito mais tímidas, muito mais cheias de reservas? Onde está o video de Pacheco Pereira para responder a Marcelo? Onde estão os líderes e ex-líderes do PSD, como Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa, a assumir aberta, descomplexadamente, posição pelo Sim? Como quer Pacheco que acreditemos nele quando diz que o PSD não é, nunca foi, um partido da direita, se na questão da despenalização do aborto até às dez semanas não há figuras de proa do partido que se empenhem abertamente pelo Sim? Na despenalização do aborto até há dez semanas, meu deus – quando a perseguição criminal é um método de combate ao aborto que já foi afastado em praticamente toda a Europa moderna e mesmo nos Estados Unidos?

Sobre Ivan Nunes

QUINTA | Ivan Nunes
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