
Apetece-me pouco escrever sobre a campanha do referendo. Parece-me uma escolha clara. Olho para o mundo e vejo que na Espanha, França, Suécia, Noruega, Alemanha, Dinamarca, Bélgica, Estados Unidos, Canadá e muitos mais países o aborto está legalizado. Olhando para mais longe, podemos ver que no Afeganistão o aborto é proibido e também costumam lapidar as mulheres. Para mim, a escolha está feita: não pretendo seguir o Afeganistão.




Caro Nuno:
Trata-se de facto de uma bela lógica. Nesta lógica eu poderia escrever “parece-me uma escolha clara. Olho para o mundo e vejo que a Espanha, França, Suécia, Noruega, Alemanha, Dinamarca, Bélgica, Estados Unidos, Canadá são países capitalistas, onde a generalidade dos seus habitantes goza de um bom nível de vida e onde existe liberdade de expressão. Olhando mais longe, podemos ver que Cuba não o é, e que é um país onde não existe liberdade de expressão e onde todos os anos centenas de pessoas arriscam a vida para procurar uma vida melhor. Para mim a escolha está feita: não pretendo seguir Cuba”.
Quer-me parecer que este tipo de lógica, quando normalmente a área política a que pertence é tão crítica do modelo de organização social destes países é um pouco contraproducente.
Caro Nuno Costa,
Você percebeu o argumento, a questão não é serem países capitalistas (a Arábia Saudita também o é), é respeitarem os direitos das mulheres e das pessoas terem diferentes escolhas morais. O seu argumento é fraco para Cuba, por ser o país da região com mais gente formada do sexo feminino e mais mulheres com responsabilidades no mercado de trabalho. Mas, para sua felicidade já há um país com um governo de esquerda que proibiu o aborto: na Nicarágua, Ortega para ser eleito fez um acordo com a Igreja para proibir o aborto.
Também me apetece pouco escrever sobre a campanha, mas acho que o post já diz muito. Prefere-se seguir simplesmente o que os outros fazem em vez de ser capaz de questionar e lutar pelas soluções certas.
Caro Pedro Geada,
O que são “as lutas pelas soluções certas”? Para mim, neste momento, é o “sim” ganhar este referendo e, de uma vez por todas, a lei deixar de condenar as mulheres que abortaram a três anos de cadeia.
Sr Nuno Costa,também no chamado mundo livre não existe liberdade de expressão.basta ver os telejornais e,reparar que TODOS dizem a mesma coisa.Não vejo os apoiantes actuais(Os antigos,estou sempre a vê-los)na TV.Nos chamado Prós e Contras só tenho visto prós e prós.Não vejo nenhuma opinião nos chamados jornais de referencia, dum Noam Chomski,dum Eugénio Rosa,etc.Mas o que era de esperar dos donos dos jornais,filantropismo.Eu,este ano vou a CUBA,se deus quizer…
Caro Nuno:
Talvez não tenha entendido o meu argumento. Não quis vincar nenhuma opinião sobre a despenalização do aborto, nem defender qualquer país. Só acho caricato que, quem como o Nuno, defende uma forma de organização social hoje bastante minoritária, venha para uma questão particular (que podia ser outra) com o argumento “vejam como é que se faz nos países mais desenvolvidos…” e não aplique esse argumento a outras questões mais agrangentes.
P.S. Não tenho nenhuma especie de felicidade em que um governo de esquerda proiba o aborto…
Cara Miriam:
Se não me engano, até há uns tempos a Visão publicava artigos de Chomsky e eu, quer em livrarias, quer em bibliotecas encontro recorrentemente as suas obras. O argumento falacioso do «dizem todos o mesmo» colhe pouco, todos os partidos políticos e inclusivé as pessoas se podem expressar livremente.
No que, creio que ironicamente, designa por o “chamado mundo livre” ninguém é preso por delito de opinião, nem por dissidência política. Em Cuba parece que não é bem assim, mas se prefere Cuba ao “chamado mundo livre” faça favor. No “chamado mundo livre” tem essa liberdade, o inverso é que parece que já não é verdadeiro!
Por aí não. Pela geografia não se vai a lugar nenhum…há e houve tanta miséria a escorrer desses grandes países…da Alemanha? holocausto; da Rússia…; da América…da Espanha?…quer mais exmplos? Deixe lá o Afganistão e o resto …entregues ao Islão.
Encontrou a imagem e precisava de um pretexto para a usar.
Escolheu chocar e fê-lo por duas vezes, através da fotografia – de facto impressionante – e depois pelo uso da lógica da batata.
Independentemente de concordar ou não com a pretendida alteração legislativa, acho que merecíamos mais que este post. Se não quiser escrever sobre o aborto, não o faça. mas este foi poucochinho.
Caro ou cara AMJ,
Para mim, o aborto ilegal e clandestino é chocante. Leio num despacho da IPS de ontem que 500 mil mulheres morrem anualmente em todo o mundo vitimas de aborto em más condições. A sua contestação ao meu post parece-me fraca, você não dá um único argumento. Já o meu post é de facto fraco, mas a questão prinicipal é que é todo verdadeiro. E isso é que o (a) devia fazer pensar.