O artiguinho do Financial Times que o António Figueira destacava aqui anteontem recompensa quem queira dar-lhe atenção. Merecia um destaque, uma chamada, uma frase apelativa:
Porque o artigo ajuda a pensar nalgumas coisas. Por exemplo, no peso, na importância, que um texto bem escrito, uma sabedoria de emprenhar pela orelha, pode ter na definição de políticas. O artigo é sobre os neoconservadores, e nessa medida dá que pensar na vasta casta de neoconservadores portugueses – José Manuel Fernandes, Rui Ramos, Ester Mucznik, João Pereira Coutinho (e a velha Coluna Infame), Helena Matos, Maria de Fátima Bonifácio, João Carlos Espada, Luciano Amaral, Vasco Rato, João Marques de Almeida, Paulo Tunhas, enfim: a lista não é extensiva, e ainda há que incluir outros aparentados, como Pacheco Pereira, Filomena Mónica, José Cutileiro e, em certos dias, João Bénard da Costa (nada do que é reaccionário lhe é estranho). Mas o artigo não é apenas sobre isso, mas também sobre o poder, a influência, de simplify, then exaggerate, do jornalismo bem escrito, da forma como o consumimos e, ainda, do velho papel da hegemonia ideológica, que temos desde há tanto tempo andado a perder em Portugal, e de tal forma que os neoconservadores continuam dominantes na imprensa mesmo depois e apesar de tudo.



