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	<title>Comentários em: Na cova dos lobos</title>
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	<description>cinco dias, cinco pessoas</description>
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		<title>Por: Pedro Carneiro</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1799</link>
		<dc:creator>Pedro Carneiro</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jan 2007 22:33:53 +0000</pubDate>
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		<description>É pena que ainda se confunda Deus, com religião, com igreja católica, com fé...há que saber distinguir conceitos!
É um excelente artigo mas talvez generalize o que não deve ser generealizado.Mas a verdade é que também já fui assim...por isso consigo compreender.
Se os seus amigos que &quot;acreditam na vida eterna&quot; a passam constantemente em lamúrias então devo dizer que tenho muita pena por eles...A vida eterna é esta que vivemos agora!Eternidade não tem de ser medida em segundos,horas ou séculos!Se não formos capazes de acordar para a simplicidade e riqueza do mundo e da vida que temos então nunca viveremos verdadeiramente e bem podemos esquecer ideias de eternidade!
Quanto ao seu &quot;pessimismo&quot;, compreendo porque também fui assim!Valerá mesmo a pena?!
Realmente parece que quem passou por uma conversão fui eu...e que importa isso?&quot;Conversão&quot; é só mais uma palavra e não é em palavras que baseio a minha existência!

Quanto aos vários comentários apenas quero acrescentar:
1-Deus não foi criado pelo Homem, nem este foi criado por Deus!A grande questão não é saber quem pôs o ovo!!
A verdade é que Cada Homem É Deus independentemente do seu tamanho, e isso é prova suficiente!

2-Para quê a &quot;dúvida permanente&quot;?Para quê &quot;a certeza absoluta&quot;?Não quero insultar ninguém mas estes termos são rídiculos!Saibam responder a esta pergunta:
Tenho a Necessidade de Amar e (ainda mais) de Viver (e/ou ser Feliz se assim se quiser entender)??
Sim? Então que se calem as perguntas,que se calem as certezas, porque esta é a maior de todas!
Calem-se e Vivam!

« Os mitos trazem os deuses à terra a fazer de homens. Os sonhos levam os homens ao Céu a fazer de anjos. Mas o Espírito de Amor - e só Ele - enche de tal modo o homem, que faz dele alguém verdadeiramente humano. E humano, mesmo humano em tudo, só se for divino... »</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>É pena que ainda se confunda Deus, com religião, com igreja católica, com fé&#8230;há que saber distinguir conceitos!<br />
É um excelente artigo mas talvez generalize o que não deve ser generealizado.Mas a verdade é que também já fui assim&#8230;por isso consigo compreender.<br />
Se os seus amigos que &#8220;acreditam na vida eterna&#8221; a passam constantemente em lamúrias então devo dizer que tenho muita pena por eles&#8230;A vida eterna é esta que vivemos agora!Eternidade não tem de ser medida em segundos,horas ou séculos!Se não formos capazes de acordar para a simplicidade e riqueza do mundo e da vida que temos então nunca viveremos verdadeiramente e bem podemos esquecer ideias de eternidade!<br />
Quanto ao seu &#8220;pessimismo&#8221;, compreendo porque também fui assim!Valerá mesmo a pena?!<br />
Realmente parece que quem passou por uma conversão fui eu&#8230;e que importa isso?&#8221;Conversão&#8221; é só mais uma palavra e não é em palavras que baseio a minha existência!</p>
<p>Quanto aos vários comentários apenas quero acrescentar:<br />
1-Deus não foi criado pelo Homem, nem este foi criado por Deus!A grande questão não é saber quem pôs o ovo!!<br />
A verdade é que Cada Homem É Deus independentemente do seu tamanho, e isso é prova suficiente!</p>
<p>2-Para quê a &#8220;dúvida permanente&#8221;?Para quê &#8220;a certeza absoluta&#8221;?Não quero insultar ninguém mas estes termos são rídiculos!Saibam responder a esta pergunta:<br />
Tenho a Necessidade de Amar e (ainda mais) de Viver (e/ou ser Feliz se assim se quiser entender)??<br />
Sim? Então que se calem as perguntas,que se calem as certezas, porque esta é a maior de todas!<br />
Calem-se e Vivam!</p>
<p>« Os mitos trazem os deuses à terra a fazer de homens. Os sonhos levam os homens ao Céu a fazer de anjos. Mas o Espírito de Amor &#8211; e só Ele &#8211; enche de tal modo o homem, que faz dele alguém verdadeiramente humano. E humano, mesmo humano em tudo, só se for divino&#8230; »</p>
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	<item>
		<title>Por: Manel</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1699</link>
		<dc:creator>Manel</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 22:19:27 +0000</pubDate>
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		<description>E tenho aqui de defender a minha dama betleana: as palavras do Harrison são de uma beleza, de uma clareza, de uma religiosidade e de uma humildade extraordinárias. Disse.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>E tenho aqui de defender a minha dama betleana: as palavras do Harrison são de uma beleza, de uma clareza, de uma religiosidade e de uma humildade extraordinárias. Disse.</p>
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	<item>
		<title>Por: António Figueira</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1698</link>
		<dc:creator>António Figueira</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 22:18:09 +0000</pubDate>
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		<description>Caro/a Manel,
Rien contre! (a cada um(a) as suas escolhas)
Cordialmente, António</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro/a Manel,<br />
Rien contre! (a cada um(a) as suas escolhas)<br />
Cordialmente, António</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Manel</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1697</link>
		<dc:creator>Manel</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 22:12:55 +0000</pubDate>
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		<description>Com perdão da franqueza, luísa, mas humildade é o que não encontro nas suas palavras, ou deveria dizer, nas suas directrizes. E na ideia de que não somos meros animais cuja evolução atirou para outros patamares de percepção e entendimento - ao mesmo tempo que baralhou alguns instintos e capacidades animais -, encontro também muito pouca humildade de espécie, chamemos-lhe assim. O seu comentário é em si mesmo um exemplo dessa presunção da &quot;fé&quot;, que para mim tem pouco de religioso e muito de conforto fácil. E acho graça à imagem da barata tonta: pois que outra melhor pode descrever o ser humano e estas múltiplas sociedades auto-destrutivas que temos o condão de produzir, nos mais diversos graus do relacionamento humano, e tantas vezes com a benção de igrejas diversas?


Caro António, as aparências iludem. ;)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Com perdão da franqueza, luísa, mas humildade é o que não encontro nas suas palavras, ou deveria dizer, nas suas directrizes. E na ideia de que não somos meros animais cuja evolução atirou para outros patamares de percepção e entendimento &#8211; ao mesmo tempo que baralhou alguns instintos e capacidades animais -, encontro também muito pouca humildade de espécie, chamemos-lhe assim. O seu comentário é em si mesmo um exemplo dessa presunção da &#8220;fé&#8221;, que para mim tem pouco de religioso e muito de conforto fácil. E acho graça à imagem da barata tonta: pois que outra melhor pode descrever o ser humano e estas múltiplas sociedades auto-destrutivas que temos o condão de produzir, nos mais diversos graus do relacionamento humano, e tantas vezes com a benção de igrejas diversas?</p>
<p>Caro António, as aparências iludem. <img src='http://5dias.net/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: luisatoda</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1695</link>
		<dc:creator>luisatoda</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 20:01:40 +0000</pubDate>
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		<description>Ao Manel, diria apenas que me custa acreditar que te contentes com a ideia de que o homem é apenas um (animal) macaco mais evoluido,  que a aquilo que nós aceitamos ter como &quot;consciência&quot;, seja  fruto de uma evolução, de algo,  a partir da arquitectura, cerebral, ou lá o que seja, do macaco.  ´Custa-me crer que admitas não existir um fosso enorme, de carácter qualitativo, entre o homem e o macaco, que, em nós tudo se reduza ao mensurável, logo sujeito á lei de Lavoisier...Não lhe chamemos religião ou outro nome que é costume dar a essa dimensão, evidentemente meta-macacoide...que nos avassala, a partir de muito dentro de nós. Se a situarmos no campo meramente macacóide,  aí, sim, é que surgem todas as interrogações e dúvidas, sem resposta, caímos no círculo fechado e asfixiado, descrito nas palavras do George Harrison...que citaste, no qual seríamos umas baratas tontas...à procura da saída. Quando, afinal, a realidade é bem mais simples...
Basta que, humildemente,  
- deixemos de aceitar que não somos só macacos...
- que a nossa inteligência é muito mais do que energia...é outra coisa; 
- que tudo que nos rodeia e que nós dominamos, até certo ponto, sempre inesgotável, embora não eterno, não é obra do acaso...
O resto virá por acréscimo...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ao Manel, diria apenas que me custa acreditar que te contentes com a ideia de que o homem é apenas um (animal) macaco mais evoluido,  que a aquilo que nós aceitamos ter como &#8220;consciência&#8221;, seja  fruto de uma evolução, de algo,  a partir da arquitectura, cerebral, ou lá o que seja, do macaco.  ´Custa-me crer que admitas não existir um fosso enorme, de carácter qualitativo, entre o homem e o macaco, que, em nós tudo se reduza ao mensurável, logo sujeito á lei de Lavoisier&#8230;Não lhe chamemos religião ou outro nome que é costume dar a essa dimensão, evidentemente meta-macacoide&#8230;que nos avassala, a partir de muito dentro de nós. Se a situarmos no campo meramente macacóide,  aí, sim, é que surgem todas as interrogações e dúvidas, sem resposta, caímos no círculo fechado e asfixiado, descrito nas palavras do George Harrison&#8230;que citaste, no qual seríamos umas baratas tontas&#8230;à procura da saída. Quando, afinal, a realidade é bem mais simples&#8230;<br />
Basta que, humildemente,<br />
- deixemos de aceitar que não somos só macacos&#8230;<br />
- que a nossa inteligência é muito mais do que energia&#8230;é outra coisa;<br />
- que tudo que nos rodeia e que nós dominamos, até certo ponto, sempre inesgotável, embora não eterno, não é obra do acaso&#8230;<br />
O resto virá por acréscimo&#8230;</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Tiago Franco</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1693</link>
		<dc:creator>Tiago Franco</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 18:57:14 +0000</pubDate>
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		<description>Caro Rui

A maior parte do meu parágrafo ser só a reinar consigo, e com o estereótipo de espiritualidade e religiosidade que a grande maioria tem. Daí que tenha usado a expressão &quot;experiência de conversão&quot;. E como você usou os passarinhos e o cenário (bem sei, a reinar connosco, os religiosos). Não leve a sério.

A única coisa que disse com convicção foi o segundo parágrafo, que ainda acho que vence a sua interpretação e a do Lobo Antunes juntas. A ideia é: &quot;se querem interpretar e tirar conclusões sobre a crença dos homens em Deus com base em situações extremas de adrenalina e irreflexão existencial, então interpretem lá isto&quot;.

Ah, e quanto aos que acham que os religiosos se sobrevalorizam por esperarem a vida eterna, olhem que pelo menos o livro dos cristãos não nos enche o ego por aí além.

Ahh, e sobre as dúvidas. O religioso tem a certeza que tem dúvidas,  porque obediência ao seu deus. Está inerente ao valor do respeito e do amor. E nós temos um livro para interpretar, já os ateus têm-se a eles mesmos. Estão muito mais no direito de decidir não ter dúvidas.

Ahhh, neste tenho de bater: &quot;Em termos gerais, creio que querer definir a não-crença como uma espécie de crença é um equívoco. Nele caem com naturalidade as pessoas religiosas (porque têm tendência a ver a realidade através do prisma que é o seu)&quot;

Isto não é equívoco coisa nenhuma. Digo-o eu, português que frequentou o ensino português, e cristão que creceu em família protestante. Não queira falar de prismas a religiosos europeus, não se esqueça que eles aprenderam a bíblia e o Darwin, enquanto que os outros só se ficam pelo segundo. Acho que nestas circunstâncias, fica bem claro quem é que está mais habilitado para falar sobre os prismas dos outros e ser compreensivo com eles. 
Mais, se antigamente os cientistas riam-se do Darwin, e agora toda a gente se ri dos religiosos, tenho boas razões para concluir que a &quot;razão instantânea&quot; está do lado de quem não se ri (não que o Rui se tenha &quot;rido&quot;; mas a condescencência na análise do outro prisma faz-me logo lembrar angústias passadas (é reflexo condicionado com certeza)). Porque a história repete-se, não é?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Rui</p>
<p>A maior parte do meu parágrafo ser só a reinar consigo, e com o estereótipo de espiritualidade e religiosidade que a grande maioria tem. Daí que tenha usado a expressão &#8220;experiência de conversão&#8221;. E como você usou os passarinhos e o cenário (bem sei, a reinar connosco, os religiosos). Não leve a sério.</p>
<p>A única coisa que disse com convicção foi o segundo parágrafo, que ainda acho que vence a sua interpretação e a do Lobo Antunes juntas. A ideia é: &#8220;se querem interpretar e tirar conclusões sobre a crença dos homens em Deus com base em situações extremas de adrenalina e irreflexão existencial, então interpretem lá isto&#8221;.</p>
<p>Ah, e quanto aos que acham que os religiosos se sobrevalorizam por esperarem a vida eterna, olhem que pelo menos o livro dos cristãos não nos enche o ego por aí além.</p>
<p>Ahh, e sobre as dúvidas. O religioso tem a certeza que tem dúvidas,  porque obediência ao seu deus. Está inerente ao valor do respeito e do amor. E nós temos um livro para interpretar, já os ateus têm-se a eles mesmos. Estão muito mais no direito de decidir não ter dúvidas.</p>
<p>Ahhh, neste tenho de bater: &#8220;Em termos gerais, creio que querer definir a não-crença como uma espécie de crença é um equívoco. Nele caem com naturalidade as pessoas religiosas (porque têm tendência a ver a realidade através do prisma que é o seu)&#8221;</p>
<p>Isto não é equívoco coisa nenhuma. Digo-o eu, português que frequentou o ensino português, e cristão que creceu em família protestante. Não queira falar de prismas a religiosos europeus, não se esqueça que eles aprenderam a bíblia e o Darwin, enquanto que os outros só se ficam pelo segundo. Acho que nestas circunstâncias, fica bem claro quem é que está mais habilitado para falar sobre os prismas dos outros e ser compreensivo com eles.<br />
Mais, se antigamente os cientistas riam-se do Darwin, e agora toda a gente se ri dos religiosos, tenho boas razões para concluir que a &#8220;razão instantânea&#8221; está do lado de quem não se ri (não que o Rui se tenha &#8220;rido&#8221;; mas a condescencência na análise do outro prisma faz-me logo lembrar angústias passadas (é reflexo condicionado com certeza)). Porque a história repete-se, não é?</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Miguel Marujo</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1689</link>
		<dc:creator>Miguel Marujo</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 18:00:53 +0000</pubDate>
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		<description>Obrigado pelo esclarecimento, António. Retiro-lhe qualquer remoque a si, e mantenho a frase para muitos que, como defendo, fazem do ateísmo uma versão crente de verdade única. De resto, de acordo: longe de mim, também querer fazer proselitismo com quem quer que seja.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado pelo esclarecimento, António. Retiro-lhe qualquer remoque a si, e mantenho a frase para muitos que, como defendo, fazem do ateísmo uma versão crente de verdade única. De resto, de acordo: longe de mim, também querer fazer proselitismo com quem quer que seja.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: luisatoda</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1686</link>
		<dc:creator>luisatoda</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 17:35:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/#comment-1686</guid>
		<description>Antes de mais, parabéns ao Rui. É delicioso ler e segui-lo no seu escrito. Não sou filósofo, mas todos temos a nossa filosofia, pelo menos, enquanto não enlouquecermos. por isso, ao António figueira e ao André vejo-os a viajar , dentro dum comboio muito engatilhado de dúvidas, e seguem descansados, satisfeitos, sem saberem donde vem e para onde vai o comboio...Ainda não descarrilou...enquanto puderem mudar de carruagem...se algum companheiro os chatearem demais...e lá vão, saciados com o ouvirem &quot;pouca terra...pouca terra...uhh!..Uhh...&quot; Mas será assim? Lá bem no fundo? Quando todo mundo dorme e não vem o sono?...Para onde é que esta droga segue?...O revisor, mesmo que saia a meio, deve saber...e lá vai uma olhadela pela janela a ver se alcança o nome duma terrinha ou estação...
Nadsa mau.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de mais, parabéns ao Rui. É delicioso ler e segui-lo no seu escrito. Não sou filósofo, mas todos temos a nossa filosofia, pelo menos, enquanto não enlouquecermos. por isso, ao António figueira e ao André vejo-os a viajar , dentro dum comboio muito engatilhado de dúvidas, e seguem descansados, satisfeitos, sem saberem donde vem e para onde vai o comboio&#8230;Ainda não descarrilou&#8230;enquanto puderem mudar de carruagem&#8230;se algum companheiro os chatearem demais&#8230;e lá vão, saciados com o ouvirem &#8220;pouca terra&#8230;pouca terra&#8230;uhh!..Uhh&#8230;&#8221; Mas será assim? Lá bem no fundo? Quando todo mundo dorme e não vem o sono?&#8230;Para onde é que esta droga segue?&#8230;O revisor, mesmo que saia a meio, deve saber&#8230;e lá vai uma olhadela pela janela a ver se alcança o nome duma terrinha ou estação&#8230;<br />
Nadsa mau.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: António Figueira</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1685</link>
		<dc:creator>António Figueira</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 17:22:05 +0000</pubDate>
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		<description>Caro Miguel,
Perdoe-me que o contradiga, mas a &quot;falsa certeza&quot; a que eu me referia não era (necessariamente) a sua; eu referia-me a um comentário anterior, em que alguém justificava Deus com a necessidade de dar um sentido à existência - posição que me parece, por um lado pouco corajosa (porque se recusa a enfrentar a provável ausência de sentido dessa mesma existência), e por outro, como creio que foi o assinado Manel (mas que escreve no feminino?!) que já disse, extremamente presumida. Pessoalmente, parece-me muito mais crível que o homem tenha criado Deus do que o contrário, mas nem sequer me passa pela cabeça tentar fazer proselitismo...
Cordialmente, AF</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Miguel,<br />
Perdoe-me que o contradiga, mas a &#8220;falsa certeza&#8221; a que eu me referia não era (necessariamente) a sua; eu referia-me a um comentário anterior, em que alguém justificava Deus com a necessidade de dar um sentido à existência &#8211; posição que me parece, por um lado pouco corajosa (porque se recusa a enfrentar a provável ausência de sentido dessa mesma existência), e por outro, como creio que foi o assinado Manel (mas que escreve no feminino?!) que já disse, extremamente presumida. Pessoalmente, parece-me muito mais crível que o homem tenha criado Deus do que o contrário, mas nem sequer me passa pela cabeça tentar fazer proselitismo&#8230;<br />
Cordialmente, AF</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Miguel Marujo</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1682</link>
		<dc:creator>Miguel Marujo</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 16:00:50 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/#comment-1682</guid>
		<description>Eu que já me tinha deliciado com o artigo (e o seu engenho), sem concordar com o remate natural para um ateu de que é melhor não existir vida eterna (sou católico, sim), apenas assinalo para debate que o ateu não terá &quot;crença&quot; nem &quot;fé&quot; na sua não-crença. Mas há ateísmos (os -ismos) que se publicam diariamente numa versão crente da sua única verdade, numa versão intolerante das fogueiras inquisitoriais, sem pingo de vontade em dialogar. A minha &quot;falsa certeza&quot;, como escreve o António Figueira&quot;, constrói-se, se calhar, mais de (ou, pelo menos, tantas) dúvidas permanentes que a sua certeza na permanente dúvida.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Eu que já me tinha deliciado com o artigo (e o seu engenho), sem concordar com o remate natural para um ateu de que é melhor não existir vida eterna (sou católico, sim), apenas assinalo para debate que o ateu não terá &#8220;crença&#8221; nem &#8220;fé&#8221; na sua não-crença. Mas há ateísmos (os -ismos) que se publicam diariamente numa versão crente da sua única verdade, numa versão intolerante das fogueiras inquisitoriais, sem pingo de vontade em dialogar. A minha &#8220;falsa certeza&#8221;, como escreve o António Figueira&#8221;, constrói-se, se calhar, mais de (ou, pelo menos, tantas) dúvidas permanentes que a sua certeza na permanente dúvida.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Manel</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1680</link>
		<dc:creator>Manel</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 14:43:57 +0000</pubDate>
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		<description>Assino em baixo, Teresa.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Assino em baixo, Teresa.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: teresa</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1675</link>
		<dc:creator>teresa</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 12:56:16 +0000</pubDate>
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		<description>Porque é que o sentido do que aqui vivemos haveria de ser um outro mundo, uma outra vida?
Se esse fosse o sentido da vida, a vida não teria qualquer sentido!
O sentido da vida é aquilo que cada um de nós faz no dia-a-dia. 
Se tivermos em conta o tempo, contabilizado no nosso relógio de pulso (visto apenas na óptica de um individuo) 1 hora pode ser muito tempo, 1 mês é ainda mais, claro, e então 1 ano, 1 vida…). Mas se contabilizarmos o tempo pelo relógio Universal, descobrimos que milhares de anos-luz são apenas uma fracção de segundo.
Ou seja, somos tão pequeninos… tão insignificantes… e tão pretensiosos.
Eu/Deus – Eu/Ser Superior – Eu/Insubstituível.
O sentido da vida deve ser a evolução do indivíduo como pessoa – p. ex. fazer bem aos outros AQUI -, e a consequente evolução da humanidade.
Pensarmos que o sentido da vida é uma outra vida que vai haver não sei aonde, porque não sei o quê, é uma perda de tempo e um desperdício da vida que temos, que é esta, aqui e agora, e nem sequer sabemos por quanto tempo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Porque é que o sentido do que aqui vivemos haveria de ser um outro mundo, uma outra vida?<br />
Se esse fosse o sentido da vida, a vida não teria qualquer sentido!<br />
O sentido da vida é aquilo que cada um de nós faz no dia-a-dia.<br />
Se tivermos em conta o tempo, contabilizado no nosso relógio de pulso (visto apenas na óptica de um individuo) 1 hora pode ser muito tempo, 1 mês é ainda mais, claro, e então 1 ano, 1 vida…). Mas se contabilizarmos o tempo pelo relógio Universal, descobrimos que milhares de anos-luz são apenas uma fracção de segundo.<br />
Ou seja, somos tão pequeninos… tão insignificantes… e tão pretensiosos.<br />
Eu/Deus – Eu/Ser Superior – Eu/Insubstituível.<br />
O sentido da vida deve ser a evolução do indivíduo como pessoa – p. ex. fazer bem aos outros AQUI -, e a consequente evolução da humanidade.<br />
Pensarmos que o sentido da vida é uma outra vida que vai haver não sei aonde, porque não sei o quê, é uma perda de tempo e um desperdício da vida que temos, que é esta, aqui e agora, e nem sequer sabemos por quanto tempo.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Manel</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1672</link>
		<dc:creator>Manel</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 11:36:50 +0000</pubDate>
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		<description>O que eu acho mais engraçado no ser humano, com todas as evidências de que é apenas um macaco evoluído [apenas, é como quem diz, que não é nada pouco], é a sua tendência para a presunção de que a sua vida tem de ter um sentido que o transcenda, de que a sua consciência não é mero resultado de uma evolução e que, por conseguinte, há algo para lá da morte que o espera. É, para mim, uma coisa muito pouco religiosa, pois insiste em colocar-nos num patamar diferente dos outros seres vivos e sobretudo dos outros animais - quando o que nos distingue é esta consciência [este enorme e misterioso cérebro] que nos torna tão doloroso acreditar que a morte seja o seu fim. Não será o fim da matéria nem da energia, mas isso não são evangelhos, é Lavoisier. É pena, penso eu, que a palavra religião esteja tão longe da noção de religação e tão colada ao antropomorfismo, a deuses feitos à imagem do homem. A religação está toda nas palavras do George Harrison: &quot;and to see you&#039;re really only very small and life flows on within you and without you&quot;. Estamos sós, mas estamos todos sós, donde não estarmos sós; somos a diferença e a indiferença, insubstituíveis e ignoráveis. Eu cá sou uma ateia muito religiosa, essa é que é essa. E absolutamente pagã.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O que eu acho mais engraçado no ser humano, com todas as evidências de que é apenas um macaco evoluído [apenas, é como quem diz, que não é nada pouco], é a sua tendência para a presunção de que a sua vida tem de ter um sentido que o transcenda, de que a sua consciência não é mero resultado de uma evolução e que, por conseguinte, há algo para lá da morte que o espera. É, para mim, uma coisa muito pouco religiosa, pois insiste em colocar-nos num patamar diferente dos outros seres vivos e sobretudo dos outros animais &#8211; quando o que nos distingue é esta consciência [este enorme e misterioso cérebro] que nos torna tão doloroso acreditar que a morte seja o seu fim. Não será o fim da matéria nem da energia, mas isso não são evangelhos, é Lavoisier. É pena, penso eu, que a palavra religião esteja tão longe da noção de religação e tão colada ao antropomorfismo, a deuses feitos à imagem do homem. A religação está toda nas palavras do George Harrison: &#8220;and to see you&#8217;re really only very small and life flows on within you and without you&#8221;. Estamos sós, mas estamos todos sós, donde não estarmos sós; somos a diferença e a indiferença, insubstituíveis e ignoráveis. Eu cá sou uma ateia muito religiosa, essa é que é essa. E absolutamente pagã.</p>
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	<item>
		<title>Por: André Esteves</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1670</link>
		<dc:creator>André Esteves</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 10:51:24 +0000</pubDate>
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		<description>Muito bem dito: &quot;Antes a dúvida permanente que a falsa certeza.&quot;
Afinal só assim nasce a verdadeira tolerânçia.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bem dito: &#8220;Antes a dúvida permanente que a falsa certeza.&#8221;<br />
Afinal só assim nasce a verdadeira tolerânçia.</p>
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		<title>Por: António Figueira</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1668</link>
		<dc:creator>António Figueira</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 10:12:10 +0000</pubDate>
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		<description>E porque é que esta trapalhada toda há-de ter um sentido? Antes a dúvida permanente que a falsa certeza.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>E porque é que esta trapalhada toda há-de ter um sentido? Antes a dúvida permanente que a falsa certeza.</p>
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		<title>Por: luisatoda</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1647</link>
		<dc:creator>luisatoda</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2007 00:49:28 +0000</pubDate>
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		<description>Ó Rui, olha que o (nosso )amigo Lobo Antunes até terá a sua razão: se não houvesse uma vida para lá desta...com Deus...que sentido teria toda esta trapalhada toda?...seria a dúvida permanente, a insegurança, a desconfiança, uma injustiça, a solidão...etc. etc...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ó Rui, olha que o (nosso )amigo Lobo Antunes até terá a sua razão: se não houvesse uma vida para lá desta&#8230;com Deus&#8230;que sentido teria toda esta trapalhada toda?&#8230;seria a dúvida permanente, a insegurança, a desconfiança, uma injustiça, a solidão&#8230;etc. etc&#8230;</p>
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		<title>Por: rui tavares</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1637</link>
		<dc:creator>rui tavares</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2007 22:59:28 +0000</pubDate>
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		<description>Obrigado a todos pelos comentários. Vou (pelo menos por agora) responder apenas a este do Tiago a quem parece que este post descreve uma experiência de conversão. Fé, crença, conversão... Parece-me um canhão de uma palavra para acertar num mosquito de uma experiência. Será conversão um gajo que já não acreditava na vida eterna ter chegado à conclusão que não só a vida eterna não existia como até era mais simpático ela não existir? Como digo no texto, não foi assim que me pareceu na altura... e, apesar de tudo, sei reconhecer experiências mais próximas da conversão (o apaixonar-se, o adoptar uma causa, etc.).

Em termos gerais, creio que querer definir a não-crença como uma espécie de crença é um equívoco. Nele caem com naturalidade as pessoas religiosas (porque têm tendência a ver a realidade através do prisma que é o seu), mas é muito comum em muitas descrições que as pessoas fazem do agnosticismo, etc. Diz-se, por exemplo, que fulano tem &quot;fé&quot; no ateísmo, que afinal a sua &quot;crença na dúvida&quot; é uma crença como qualquer outra, por aí adiante.

Cada um usa as palavras que quer. Simplesmente, parece-me tão desadequado falar de &quot;fé&quot;, &quot;crença&quot; ou &quot;conversão&quot; forçosamente a propósito de qualquer reflexão ou experiência filosófica, como um crítico de arte que só usasse categorias da crítica de arte para tudo, da política ao sexo e à ciência.

Vou dar o exemplo, partindo do princípio que o Tiago não acredita em Astarte. A sua não-crença em Astarte será uma espécie de fé? É você um crente fervoroso na não-crença em Astarte? Parece-me mais provável que não acredite nela, ponto final. Agora suponhamos que o Tiago não sabia da existência de Astarte, nem que se tratava de uma deusa fenício-babilónica. Imagine-se que toma conhecimento do mito de Astarte, e que nem lhe passa pela cabeça que ele possa ser real, e que muito menos possa sequer considerar em devotar-se a Astarte, e até que sinta um certo alívio por não andar a carregar com crenças semelhantes na sua vida. Poderia então eu dizer que o Tiago passou por uma experiência de conversão à não-crença em Astarte? Que há nitidamente um antes e um depois na sua história, e que se sente francamente melhor depois de não-acreditar em Astarte?

Pode chamar-lhe &quot;conversão&quot;, se quiser. Eu acho que até &quot;desconversão&quot; estaria longe de ser adequado. Você simplesmente nunca acreditou em Astarte, e apenas se lembrou de que estava bem sem acreditar. Houve um antes e um depois? Claro. Há sempre um antes e um depois em qualquer história.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado a todos pelos comentários. Vou (pelo menos por agora) responder apenas a este do Tiago a quem parece que este post descreve uma experiência de conversão. Fé, crença, conversão&#8230; Parece-me um canhão de uma palavra para acertar num mosquito de uma experiência. Será conversão um gajo que já não acreditava na vida eterna ter chegado à conclusão que não só a vida eterna não existia como até era mais simpático ela não existir? Como digo no texto, não foi assim que me pareceu na altura&#8230; e, apesar de tudo, sei reconhecer experiências mais próximas da conversão (o apaixonar-se, o adoptar uma causa, etc.).</p>
<p>Em termos gerais, creio que querer definir a não-crença como uma espécie de crença é um equívoco. Nele caem com naturalidade as pessoas religiosas (porque têm tendência a ver a realidade através do prisma que é o seu), mas é muito comum em muitas descrições que as pessoas fazem do agnosticismo, etc. Diz-se, por exemplo, que fulano tem &#8220;fé&#8221; no ateísmo, que afinal a sua &#8220;crença na dúvida&#8221; é uma crença como qualquer outra, por aí adiante.</p>
<p>Cada um usa as palavras que quer. Simplesmente, parece-me tão desadequado falar de &#8220;fé&#8221;, &#8220;crença&#8221; ou &#8220;conversão&#8221; forçosamente a propósito de qualquer reflexão ou experiência filosófica, como um crítico de arte que só usasse categorias da crítica de arte para tudo, da política ao sexo e à ciência.</p>
<p>Vou dar o exemplo, partindo do princípio que o Tiago não acredita em Astarte. A sua não-crença em Astarte será uma espécie de fé? É você um crente fervoroso na não-crença em Astarte? Parece-me mais provável que não acredite nela, ponto final. Agora suponhamos que o Tiago não sabia da existência de Astarte, nem que se tratava de uma deusa fenício-babilónica. Imagine-se que toma conhecimento do mito de Astarte, e que nem lhe passa pela cabeça que ele possa ser real, e que muito menos possa sequer considerar em devotar-se a Astarte, e até que sinta um certo alívio por não andar a carregar com crenças semelhantes na sua vida. Poderia então eu dizer que o Tiago passou por uma experiência de conversão à não-crença em Astarte? Que há nitidamente um antes e um depois na sua história, e que se sente francamente melhor depois de não-acreditar em Astarte?</p>
<p>Pode chamar-lhe &#8220;conversão&#8221;, se quiser. Eu acho que até &#8220;desconversão&#8221; estaria longe de ser adequado. Você simplesmente nunca acreditou em Astarte, e apenas se lembrou de que estava bem sem acreditar. Houve um antes e um depois? Claro. Há sempre um antes e um depois em qualquer história.</p>
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	<item>
		<title>Por: Tiago Franco</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1621</link>
		<dc:creator>Tiago Franco</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2007 14:49:15 +0000</pubDate>
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		<description>O testemunho do Rui parece-me a mim uma experiência de conversão. Há um antes e um depois, e vejo que se sente francamente melhor durante o depois. Claro que um ateu também é um religioso da sua própria religião. Com os últimos estudos da psicologia (que tanto corroem os religiosos), não sei como é que ainda há dúvidas nisso. Mas diferente disso é acreditar em Deus, com a mesma certeza prática de que um estalo na cara aleija.

Quanto ao provérbio, e como não podia deixar de ser, ambas a interpretações estão mal. Na cova dos lobos, descobrem-se quem são os ateus e os crentes. Acho que não vale a pena estar a lembrar aqui a quantidade de crentes que morreram crentes à boca dos leões no circo romano (que me parece a mim uma experiência bastante próxima de estar encurralado numa cova de lobos, com o extra de também haverem lobos na assistência).

Cumprimentos</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O testemunho do Rui parece-me a mim uma experiência de conversão. Há um antes e um depois, e vejo que se sente francamente melhor durante o depois. Claro que um ateu também é um religioso da sua própria religião. Com os últimos estudos da psicologia (que tanto corroem os religiosos), não sei como é que ainda há dúvidas nisso. Mas diferente disso é acreditar em Deus, com a mesma certeza prática de que um estalo na cara aleija.</p>
<p>Quanto ao provérbio, e como não podia deixar de ser, ambas a interpretações estão mal. Na cova dos lobos, descobrem-se quem são os ateus e os crentes. Acho que não vale a pena estar a lembrar aqui a quantidade de crentes que morreram crentes à boca dos leões no circo romano (que me parece a mim uma experiência bastante próxima de estar encurralado numa cova de lobos, com o extra de também haverem lobos na assistência).</p>
<p>Cumprimentos</p>
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	<item>
		<title>Por: Francis Seleck</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1620</link>
		<dc:creator>Francis Seleck</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2007 14:00:59 +0000</pubDate>
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		<description>Gostei de ler!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei de ler!</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: João Miguel Almeida</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1619</link>
		<dc:creator>João Miguel Almeida</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2007 13:55:40 +0000</pubDate>
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		<description>Um texto brilhante, como de costume. Mas não concordo com essa interpretação dos provérbios húngaros e ingleses de que «os ateus são maus companheiros de trincheira». Não creio que o provérbio diga respeito às reacções dos outros, mas à reacção de um «eu» numa situação em que não pode fazer nada para se safar numa situação e tem de acreditar em alguma coisa para não sucumbir ao medo. Não necessariamente em Deus, no sentido teológico rigoroso, mas em algum tipo de protecção sobrenatural.
Já agora também há crentes que dizem: «fia-te na virgem e não corras». A questão é que na «cova dos lobos» não se pode fugir para lado nenhum. A análise dos provérbios é complicada. A Espanha é dos países mais católicos do mundo e também aquele com maior quantidade de expressões blasfemas.
Quanto à questão da eternidade, os ateus agora também possuem a sua hipótese: é ler «A Possibilidade de uma ilha» de Houllebecq. Gostei do romance, mas porque não estava em fase de precisar de me animar.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Um texto brilhante, como de costume. Mas não concordo com essa interpretação dos provérbios húngaros e ingleses de que «os ateus são maus companheiros de trincheira». Não creio que o provérbio diga respeito às reacções dos outros, mas à reacção de um «eu» numa situação em que não pode fazer nada para se safar numa situação e tem de acreditar em alguma coisa para não sucumbir ao medo. Não necessariamente em Deus, no sentido teológico rigoroso, mas em algum tipo de protecção sobrenatural.<br />
Já agora também há crentes que dizem: «fia-te na virgem e não corras». A questão é que na «cova dos lobos» não se pode fugir para lado nenhum. A análise dos provérbios é complicada. A Espanha é dos países mais católicos do mundo e também aquele com maior quantidade de expressões blasfemas.<br />
Quanto à questão da eternidade, os ateus agora também possuem a sua hipótese: é ler «A Possibilidade de uma ilha» de Houllebecq. Gostei do romance, mas porque não estava em fase de precisar de me animar.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Sinfonia do disparate consonante</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1614</link>
		<dc:creator>Sinfonia do disparate consonante</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2007 13:01:13 +0000</pubDate>
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		<description>Com intelecto, sem interioridade.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Com intelecto, sem interioridade.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Seven Van</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1611</link>
		<dc:creator>Seven Van</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2007 12:22:58 +0000</pubDate>
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		<description>Brilhante, genial,... não há adjectivos capazes para tanto brilhantismo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Brilhante, genial,&#8230; não há adjectivos capazes para tanto brilhantismo.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: André Esteves</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1610</link>
		<dc:creator>André Esteves</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2007 12:11:56 +0000</pubDate>
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		<description>Excelente artigo!!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Excelente artigo!!</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: teresa</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1607</link>
		<dc:creator>teresa</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2007 10:59:54 +0000</pubDate>
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		<description>Sem querer tomar qualquer posição sobre a questão do ateismo, apenas gostaria de deixar um comentário sobre o provérbio hungaro que referiu: tal expressão popular significa, unicamente, que, numa situação de aflição, e esgotados os meios humanos de salvamento, qualquer um recorre a meios (sobre)naturais para livrar a sua pele, nada mais. Se isso é verdade ou não, cada um é que saberá...
Quanto ao resto, e estender a interpertação à ideia de que o ateu é mau companheiro em determinadas circunstâncias, é demasiado extensivo, ou mesmo fora das margens do ditame popular.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Sem querer tomar qualquer posição sobre a questão do ateismo, apenas gostaria de deixar um comentário sobre o provérbio hungaro que referiu: tal expressão popular significa, unicamente, que, numa situação de aflição, e esgotados os meios humanos de salvamento, qualquer um recorre a meios (sobre)naturais para livrar a sua pele, nada mais. Se isso é verdade ou não, cada um é que saberá&#8230;<br />
Quanto ao resto, e estender a interpertação à ideia de que o ateu é mau companheiro em determinadas circunstâncias, é demasiado extensivo, ou mesmo fora das margens do ditame popular.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Manel</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1604</link>
		<dc:creator>Manel</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2007 10:25:23 +0000</pubDate>
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		<description>Um post absolutamente &quot;bright&quot;, em todos os sentidos da palavra.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Um post absolutamente &#8220;bright&#8221;, em todos os sentidos da palavra.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Gonçalo Leite Velho</title>
		<link>http://5dias.net/2007/01/15/na-cova-dos-lobos/comment-page-1/#comment-1595</link>
		<dc:creator>Gonçalo Leite Velho</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2007 03:29:46 +0000</pubDate>
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		<description>Não sei porquê isto lembra-me o Zizek (2001). Não pelo facto da crónica do Rui estar de acordo com o que o Zizek diz, mas mais por revelar esse aparente lado interno e pessoal da crença que se apresenta numa dada forma de ateísmo. Parece quase inócua, ou seja o ateísmo como não-crença, numa diferença face ao outro mas que provém do interior do ser (uma espécie de: &quot;pensando para os meus botões acredito que...&quot;). 
Mas não é somente interior pois não? Ela afinal vem de um quadro mais alargado. Porque não reconhecer isso? Porquê ceder ao jogo da crença como algo que pertence à intimidade de cada um?

Zizek, S. (2001) On Belief. London:Routledge</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei porquê isto lembra-me o Zizek (2001). Não pelo facto da crónica do Rui estar de acordo com o que o Zizek diz, mas mais por revelar esse aparente lado interno e pessoal da crença que se apresenta numa dada forma de ateísmo. Parece quase inócua, ou seja o ateísmo como não-crença, numa diferença face ao outro mas que provém do interior do ser (uma espécie de: &#8220;pensando para os meus botões acredito que&#8230;&#8221;).<br />
Mas não é somente interior pois não? Ela afinal vem de um quadro mais alargado. Porque não reconhecer isso? Porquê ceder ao jogo da crença como algo que pertence à intimidade de cada um?</p>
<p>Zizek, S. (2001) On Belief. London:Routledge</p>
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