Cultura, “raça” & religião

Na mesma edição do I.C.S. – “Razão, Tempo e Tecnologia: Estudos em homenagem a Hermínio Martins”, organizada por Manuel Villaverde Cabral, José Luís Garcia e Helena Mateus Jerónimo – surge também um pequeno artigo de Perry Anderson sobre multiculturalismo que se recomenda a todos os monomaníacos do véu ou, mais singelamente, a todos quantos queiram prolongar a discussão que aqui se travou sobre o seu uso na Europa. A obra não indica quando é que o artigo foi escrito nem em que contexto, mas a sua motivação é essencialmente política (procurando estabelecer a atitude que a esquerda deverá adoptar face ao discurso multicultural), distinguindo, com esse objectivo, entre o multiculturalismo original de origem norte-americana, que tenta benignamente acomodar as diferenças de “raça”, e o seu sucedâneo europeu, com que Perry Anderson se mostra muito menos complacente, e no quadro do qual a palavra “cultura” designa não já uma cor de pele diferente mas uma religião. Vale a pena ler.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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4 respostas a Cultura, “raça” & religião

  1. Ezequiel diz:

    O conceito de multiculturalismo (norte americano) nunca foi elaborado em termos de “raça”. A Austrália talvez. Os EUA não.

  2. Nuno Ramos de Almeida diz:

    António,
    Aqui o único monomaniaco do véu, és tu: que pretendes apedrejar qualquer mulher que o use. Mas, folgo muito ver-te convertido ao Perry Anderson, agora so falta leres os textos deles sobre algumas ortodoxias…mas isso, parece-me, vai demorar mais tempo.

  3. António Figueira diz:

    Nuninho,
    O P.A. é um grande scholar, um erudito num domínio que me é particularmente caro – a história das ideias – e que escreve um inglês lindo (no kidding); à parte isso, escreve coisas muito interessantes e outras sensivelmente menos (os textos dele sobre a revolução portuguesa, por ex., são risíveis, e o seu tributo ao trotskismo é irracional, e só se pode compreender por motivos de afecto, presumivelmente autobiográficos, que me escapam); quanto à ideia de eu me “converter” a ele (ou seja a quem for), parece-me totalmente insana – aliás o termo “conversão” tem um perfume religioso que me causa alergia, mas fico-te grato pelo interesse revelado.
    AF

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