Souto Moura

A história do processo Casa Pia, e em particular da forma como os vários agentes foram gerindo a sua relação com a imprensa, as implicações políticas da agenda mediática, etc., está por fazer. Enquanto não for feita, as declarações de escândalo sobre «violação de segredo de justiça» devem ser vistas como votos piedosos na melhor das hipóteses, mas mais provavelmente como exercícios frios de hipocrisia. A antiga assessora de imprensa de Souto Moura, que foi despedida por manter conversas sobre o processo com jornalistas, diz que o antigo Procurador sabia de tudo, geria tudo. Não é por a personagem já não estar em funções que esta história pode deixar de ser investigada até ao fim.

Na primeira entrevista desde que se demitiu, no Verão de 2004, Sara Pina afirma que Souto Moura sabia de tudo e que reunia com ele “várias vezes ao dia para lhe dar conta do que se ia passando e obter as informações que devia dar”. (…) Sara Pina afirmou que “o procurador-geral supervisionava e acompanhava o seu trabalho e os contactos estabelecidos com a comunicação social”. “A minha função era de responsável pelo Gabinete de Imprensa da Procuradoria-Geral e enquanto tal agi sempre como porta-voz: os jornalistas colocavam-me as questões que eu transmitia ao procurador-geral que me dizia o que fazer, mesmo porque eu nunca tive acesso aos processos em investigação”, disse a ex-assessora de Souto Moura. (…) “Eu transmitia-lhe o que me era dito [pelos magistrados] e ele decidia o que se divulgaria [à imprensa]”, afirmou. (…) A ex-assessora adiantou também que o teor das respostas dadas aos jornalistas eram dadas por Souto Moura verbalmente e muitas vezes por escrito, geralmente manuscritos que diz conservar.

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QUINTA | Ivan Nunes
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