Russian Endings

I love thrillers – e por isso guardei a longa prosa que o Economist publicou sobre o affaire Litvinenko para ler durante as também longas e entorpecentes digestões com que costumo celebrar o Natal. Mas entretanto não pude impedir-me de pensar que, uma história destas, só com russos é que podia acontecer – e, quando falo de ecos do passado, não falo só da Guerra Fria, vou mais longe e falo do tempo dos czares também: há ecos de uma intrigalhada à la Raspoutine nesta história da corte do Sr. Poutine. Lembrei-me de uma pérola que descobri há uns tempos, graças ao interesse da minha mulher por uma artista inglesa chamada Tacita Dean, que fez um trabalho intitulado “Russian Endings”, que nasce por sua vez da seguinte descoberta: que os dinamarqueses (grandes produtores de cinema no início do século XX) tinham de preparar sempre dois finais diferentes para os seus filmes, conforme os exportavam para o Ocidente ou para a Rússia; do lado de cá, a malta queria happy ends, do lado de lá, pediam Russian endings, que eram tragédias de caixão à cova. Junte-se-lhes polónio 210 e temos uma história digna dos novos tempos.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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Uma resposta a Russian Endings

  1. Ezequiel diz:

    eh eh eh eh

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