Aborto

Parece que o MIC de Manuel Alegre vai convocar um referendo interno sobre o aborto antes do referendo a sério. A ideia é demasiado absurda para merecer comentários, senão um: que o MIC faz lembrar cada vez mais os GDUP’s (ainda alguém se lembra?) que em 76 conseguiram a proeza de, em poucos meses, transformar o capital político do otelismo de 800.000 votos e 16% em Junho em não mais do que 100.000 e 2,5% em Dezembro (Otelo depois deu ele próprio uma mãozinha e conseguiu acabar a sua carreira uns ignóbeis 80.000 votos em 1980; a malta pode ser parva mas não é estúpida). Contra este paralelismo, pode dizer-se que Manuel Alegre teve bastante mais votos do que alguma vez Otelo teve (mais de um milhão) e que, de qualquer maneira, o MIC não é suposto ir a votos, ao que eu digo, quanto à segunda parte ainda bem, e quanto à primeira que Alegre também não sabe o que há-de fazer com os votos que teve, que ainda não percebeu muito bem como é que lhe foram parar e que, obviamente, nunca mais há-de repetir. Em resumo, a transformação da tragédia em farsa, para utilizar a imagem do velho Karl, é exactamente igual.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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3 respostas a Aborto

  1. Roteia diz:

    Disparates destes acontecem quando alguém reclama a notoriedade numa área para a qual não está talhado. A ambição do poder, quando não exercidada em consonância com as qualidades políticas para certos cargos, dá nisto. A ambição de Manuel Alegre começa por desmantelár, em primeiro lugar, as suas próprias qualidades. É triste. Por este andar o que sobrará do poeta?

  2. mj diz:

    Então não era Alegre um dos elos de ligação entre o PS e o General Spínola. Meus amigos a mim parece-me que aos votos, foi feito aquilo que se queria fazer e fez.
    Perdoem-me a sinonímia mas trata-se apenas de impostura.

  3. FESTAS FELIZES!

    “A luta para manter a paz é infinitamente mais difícil que qualquer operação militar.”
    (Anne O’Hare McCormick)

    Até sempre 🙂

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