As aventuras do nosso agente em Teerão: vive e deixa morrer

Relato da viagem a Teerão pelo próprio Nuno Rogeiro:

Regresso de Teerão, onde o estado policial não conseguiu encontrar-me, nem saber onde dormi, de onde telefonei, e com quem falei (com duas ou três excepções). A avaria nos computadores do aeroporto foi também providencial, no meu regresso.
Seja como for, esclarecimentos adicionais aos bem-intencionados (os outros podem continuar com a medicação), e um abraço emocionado aos amigos. (…)

Quando cheguei ao aeroporto de Teerão, não estava ninguém à minha espera. Não conhecia a cidade, não conhecia ninguém (directamente) na cidade, não conhecia os locais de pernoita da cidade, e, mais estranho, não tinha qualquer morada de referência (a não ser o bairro de Niavaran). Os hotéis – tanto quanto sei – não aceitam cartões de crédito (as transacções passam pelos EUA, e as “travestidas” que vão ao Dubai nem sempre resultam), e o meu telemóvel não tinha roaming para o país (só a Vodafone é que tem, ou a V e mais uma, creio).
A organização estava a dar-me a primeira mensagem sobre o que achava…da minha mensagem. O truque é velho: deixar o inimigo apodrecer, desmoralizar, para depois o velar “ao sítio”.
Mas há vantagens em ser um combatente de outras guerras. E a verdade é que sobrevivi. Tive em Teerão anjos da guarda de várias nacionalidades, que fintaram a clique que ocupa a nação orgulhosa, e que é denunciada pelos próprios órgãos de poder alternativos que existem no país. Passei quatro dias terríveis, com o MNE local a tentar adivinhar onde estava, quem me levava, como andava, com quem falava.
No dia aprazado para a minha mensagem, saí da clandestinidade para a sede do IPIS. Insisti para os meus 30 minutos. Encontrei muita gente do MNE, nobre e profissional, revoltada com a afluência de nazis e gangs racistas. Esperavam outras pessoas, e outras causas.
Quando me fizerem sinal para entrar, perguntei se garantiam os 30 minutos, e uma sala livre do Grande Dragão do KKK (ele podia entrar quando eu acabasse).
Não sabia o que me ia acontecer, não sabia o que ia acontecer. A minha protecção era quase nula, e a verdade é que deixara, em Lisboa, uma mulher inolvidável, os meus filhos e os meus amigos de gerações.
Não sou mártir nem herói, e ali era um homem quase só. (…)

Podem ter a certeza de que, do regime (o grupo de Almadinejad não é parvo), não haverá mais erros de “casting” deste tipo.
Mas este chega.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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7 Respostas a As aventuras do nosso agente em Teerão: vive e deixa morrer

  1. Um verdadeiro Jaime Bunda…

  2. Ezequiel diz:

    ah ah ha ha ha ahhahah a ha ha ha ha ha h ah :) :) :) :)
    Typical understatement! Nada melodramático.

  3. reza palevi diz:

    O tipo tem um ego enorme e,pensa que é o Bond.Ele que vá aos EUA e,vai ver se nao dao com ele.E é um estado ‘democrático’!Do que é que ele se queixa?´Comé que o gaijo se xama?

  4. A personagem é infantil.
    Estranho é todo o tempo de antena que lhe dão em pt.

  5. Se ele fosse Baha’i, talvez as autoridades iranianas lhe tivessem dado um “acompanhamento” diferente!

  6. Bem eu diria que subscrevo quase na
    integra o artigo de Nuno Rogeiro, porque tendo Amigos a viver em Teerão (Iranianos de gema) o retrato aqui mostrado, corresponde á realidade dos dias de todos os iarnianos (em especial as novas gerações, mas não só)que anseiam por mudanças e melhorias de condições de vida e a que o regime tirânico de Almadinejah, não falando na colossal tragédia grega que é a da negação de factos históricos que pelo seu conteúdo daria vontade rir, se não fosse uma autêntica comédia de non-sense!
    jorgemadureira

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