Vamos falar do sanduíche (II)

Outro dia, por acaso, descobri que o maradona é colunista do jornal Metro, que se oferece no metro. O maradona é um dos raros casos de blogger que é, por assim dizer, apenas blogger, mas que como blogger é um autor de mão-cheia. É curiosa e sintomática a relação que o maradona mantém com a imprensa escrita. O jornal Metro, como outros antes dele, não sabendo o que fazer aos textos do maradona, arruma-o em temática desportiva (e provavelmente corrige-lhe as gralhas e arranja-lhe as vírgulas). Como blogger, o maradona tanto escreve sobre bola, como sobre livros, programas de televisão, aquecimento global ou os textos da Joana Amaral Dias; e em nenhum deles é propriamente especialista. O que o maradona tem é uma singular curiosidade intelectual, algum trabalho, bastante sentido de humor. O pseudónimo deve ter sido, como quase tudo o resto, uma intuição do momento: não há nenhuma razão para acantonar o maradona em temática desportiva.

Mas o maradona também não sabe o que há-de fazer com a imprensa escrita. As crónicas que se lêem dele têm normalmente menos graça, menos força, são mais banais do que o que se lê no blog. Acho que o jornal Metro tomou a decisão certa ao convidar o maradona para escrever artigos. Mas há qualquer coisa de incongruente, ou mesmo de anacrónico, em forçar jornais e bloggers a um mesmo espartilho.

Sobre Ivan Nunes

QUINTA | Ivan Nunes
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