Pinochet no inferno

As notícias relativas ao funeral de Pinochet estão recheadas de detalhes interessantes. A trasladação do cadáver para a Academia Militar, onde foi velado, teve de ser feita de noite, de helicóptero, para evitar reacções adversas. O corpo foi cremado, por medo de que pudesse vir a ser profanado. A cremação, inicialmente prevista para um dos maiores cemitérios de Santiago do Chile, teve de ser realizada num outro lugar mais discreto, a 100 km da capital chilena. É certo que Pinochet nunca foi levado à justiça. Mas, desde 1998 – ano do mandato de captura do juiz Garzón – e até depois de morto, o antigo ditador não fez outra coisa senão inventar esquemas e fugir. É um caso (e talvez raro) de quem, por mais que se proteja, não fica a coberto dos crimes que praticou. Pelas suas decisões e subterfúgios, os seus familiares revelam que têm consciência disso. Suponho que o inferno seja isto.

Outros poderão conferir esta informação melhor do que eu. A acreditar na entrada do wikipédia, a palavra latina para inferno nada tem que ver com calor. Refere-se a «lugar coberto ou oculto». Precisamente.

Sobre Ivan Nunes

QUINTA | Ivan Nunes
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