Alain Badiou:Por detrás da lei do lenço islâmico, o medo

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Para contribuir para a discussão sobre o lenço islâmico suscitada pelos textos da Joana Amaral Dias e António Figueira comecei a traduzir um texto que o filósofo francês Alain Badiou publicou no Le Monde. Infelizmente, não tive tempo para traduzir os 17 mil caracteres. Deixo aos leitores a parte traduzida , mais o orginal em francês e uma versão em inglês. Parece-me suficientemente interessante, para continuar a aprofundar a discussão. Aproveitando os próximos dias, pretendo escrever qualquer coisa sobre o assunto.
TEXTO DE ALAIN BADIOU.

Le Monde, 22/3/2004

1. As amáveis republicanas e republicanos defenderam um dia que era necessária uma lei para proibir todos os lenços muçulmanos sobre os cabelos das raparigas. Em primeiro lugar, na escola, depois se possível em todo o lado. Que digo eu, uma lei? Uma Lei! O presidente da República que era um político tão limitado como insubmersível. Totalitariamente eleito por 82% dos eleitores, entre os quais todos os socialistas, gente em que é recrutada um número razoável dos amáveis republicanos em questão, decidiram legislar sobre a roupa: uma lei, sim, uma Lei, contra o pequeno milhar de jovens que colocam o lenço islâmico sobre a cabeça. As peladas, as atrevidas! Muçulmanas, ainda por cima!
É assim, mais uma vez, na linha da capitulação de Sedan, de Pétain, da guerra da Argélia, dos pequenos golpes de Miterrand, das leis celeradas contra os operários sem papeis, a França surpreende o mundo. Depois da tragédia, a farsa.
2. Sim, a França conseguiu finalmente encontrar um problema à sua altura: o lenço que cobre a cabeça de algumas jovens. Podemos dizer, a decadência deste país parou. A invasão muçulmana, há muito tempo diagnosticada por Le Pen, e hoje confirmada pelos intelectuais indubitáveis, encontrou a sua resposta. A batalha de Potiers não passava de tremoços, Carlos Martel, uma segunda faca. Chirac, os socialistas, as feministas e os intelectuais Iluministas cheios de islamofobia ganharam a batalha do lenço islâmico. De Potiers ao lenço, a consequência é boa e o progresso considerável.
3. A causa grandiosa tem argumentos de novo tipo. Por exemplo: o lenço deve ser proscrito porque é o sinal da dominação do machos (o pai, os irmãos) sobre as jovens e as mulheres. Aquelas que se obstinam a usar o lenço têm que ser excluídas. Resumindo: as jovens e as mulheres são oprimidas. Logo, devem ser punidas. É como se disséssemos: “Esta mulher foi violada, tem que ser presa”. O lenço islâmico é tão importante que merece uma lógica de axiomas renovados.
4. Se, pelo contrario: são elas que querem livremente usar o maldito lenço islâmico, as rebeldes, as patifes! Devem ser punidas. Esperem: isso não é um sinal de opressão pelos machos? O pai e os irmãos não são para aqui chamados? De onde vem, então, a necessidade de proibir esse lenço? É que ele é ostentatoriamente religioso. As patifes “ostentam” as suas crenças. Ao castigo, já!
5. Ou é o pai e os irmãos, e em nome do feminismo o lenço deve ser arrancado. Ou é a própria jovem segundo a sua crença, e devido ao laicismo o lenço deve ser arrancado. Cabeças despidas! Por todo o lado! Que todo o mundo, como se dizia antigamente – mesmo os não muçulmanos – saiam “em pelo”.
6. Tomem nota que o pai e os irmãos da jovem do lenço muçulmano não são simples comparsas familiares. Insinua-se muitas vezes, chega-se mesmo a declarar: o pai é um operário embrutecido, um pobre tipo vindo directamente da aldeia e preso às linhas da Renault. Arcaico. Mas estúpido. O irmão mais velho negoceia shit. Moderno. Mas corrompido. Subúrbios patibulares. Gente perigosa.
7. A religião muçulmana junta às taras das outras religiões, uma gravíssima: é, neste país, a religião dos pobres.
8. Imaginemos o reitor dum liceu, seguido de um esquadrão de inspectores munidos de réguas, tesouras e livros de jurisprudência: para verificar à porta do estabelecimento se os lenços, as kippas e outra coberturas são “ostentatórias”. Este lenço grande como um selo dos correios? Esta Kippa como uma moeda de dois euros? Perigoso, muito perigoso. O minúsculo poderá muito bem ser a ostentação do maior. Mas, que vejo eu? Bolas! Um chapéu alto! Hélas! Mallarmé, interrogado sobre o chapéu alto, disse: “Quem colocou uma coisa dessas não a pode tirar. O mundo acabará, não o chapéu.” Ostentação de eternidade.

1. A few likeable Republican women and men once put forward the idea that a bill banning scarves from the hair of schoolgirls had to be drafted. First, ban the scarf from school. Then, ban it from elsewhere and everywhere if possible. Did I hear “a law”? A Law! The President of the Republic was as limited a politician as he was unsinkable.
Totalitarianly elected by 82 percent of voters, including all of the Socialists, i.e. those from whom a good number of the likeable Republican women and men used to be recruited, Chirac nodded his assent: a law, yes, a Law against a few thousand young girls who put the aforementioned scarf over their hair. Those hairless, mangy things! Muslims, moreover! This is how, once again, likewise to the surrender in Sedan, Pétain, the Algerian War, Mittérand’s deceits and the villainous laws against workers without working papers, France has astonished the world. After the tragedies, the farce.

2. Indeed, France has finally found a problem worthy of itself: the scarf draping the heads of a few girls. Decadence can be said to have been stopped in this country. The Muslim invasion, long diagnosed by Le Pen and confirmed nowadays by a slew of indubitable intellectuals, has found its interlocutor. The battle of Poitiers was kid’s stuff, Charles Martel, only a hired gun. But Chirac, the Socialists, feminists and Enlightenment intellectuals suffering from Islamophobia will win the battle of the headscarf. From Poitiers to the hijab, the consequence is right and progress considerable.

3. Grandiose causes need new-style arguments. For example: hijab must be banned; it is a sign of male power (the father or eldest brother) over young girls or women. So, we’ll banish the women who obstinately wear it. Basically put: these girls or women are oppressed. Hence, they shall be punished. It’s a little like saying: “This woman has been raped: throw her in jail.” The hijab is so important that it deserves a logical system with renewed axioms.

4. Or, contrariwise: it is they who freely want to wear that damned headscarf, those rebels, those brats! Hence, they shall be punished. Wait a minute: do you mean it isn’t the symbol of male oppression, after all? The father and eldest brother have nothing to do with it? Where then does the need to ban the scarf come from? The problem in hijab is conspicuously religious. Those brats have made their belief conspicuous. You there! Go stand in the corner!

5. Either it’s the father and eldest brother, and “feministly” the hijab must be torn off, or it’s the girl herself standing by her belief, and “laically” it must be torn off. There is no good headscarf. Bareheaded! Everywhere! As it used to be said-even non-Muslims said it-everyone must go out “bareheaded.”

6. Notice well how the hijab girl’s father and eldest brother are not your mere parental associates. It has often been insinuated, sometimes even declared, that the father is an idiotic worker, a loser “right out from the country” and working the assembly line at Renault. An archaic guy, but stupid. The eldest brother deals hash. A modern guy, but corrupt. Sinister suburbs. Dangerous classes.

7. The Muslim religion adds the following very serious taint to other religions: in France, it is the religion of the poor.

8. Picture a secondary school principal, followed at a few centimeters’ length by a squad of inspectors armed with scissors and books on jurisprudence: at the school gate they’re going to check whether the hijabs, kippas and other hats are “conspicuous.” That hijab, as big as a postage stamp perched upon a chignon? That kippa the size of a two-Euro coin? Fishy, very fishy. The tiny may well be the conspicuous version of the huge. Wait a minute, what do I see? Watch out! It’s a top hat! Well now! When once questioned about top hats, Mallarmé said it all: “Whoever put such a thing on cannot remove it. The world would end, but not the hat.” Conspicuous of eternity.

9. Secularism. A rust-proof principle! Three or four decades ago, high schools forbade the sexes from mixing in a single classroom. Pants weren’t allowed for girls. Catechism and chaplaincy were compulsory. Communion was solemn, with the guys in white armbands and the cutie pies under tulle veils. A real veil, not a headscarf. And you’d like me to hold that hijab as a crime? That symbol of a lag, of unrest, of a temporal intertwining? Ought these young ladies who pleasantly blend yesterday and today to really be excluded? Go on, let the capitalist grinder turn. Irrespective of the comings and goings, the repenting or the worker arrivals from afar, capitalism will figure out how to substitute the fat Moloch of merchandise for the dead gods of religions.

10. While we’re on the subject, isn’t business the real mass religion? Compared to which Muslims look like an ascetic minority? Isn’t the conspicuous symbol of this degrading religion what we can read on pants, sneakers and t-shirts: Nike, Chevignon, Lacoste… Isn’t it cheaper yet to be a fashion victim at school than God’s faithful servant? If I were to aim at hitting a bull’s eye here-aiming big-I’d say everyone knows what’s needed: a law against brand names. Get to work, Chirac. Let’s ban the conspicuous symbols of Capital, with no compromises.

11. Clear something up for me, please. What exactly characterizes Republican and feminist rationality on what is to be shown of the body in different spaces and at different times, and on what is not? As far as I understand, nowadays still, and not only at school, neither nipples are shown, nor pubic hair, nor the male member. Do I have to get angry that these parts are “withdrawn from the sight of others”? Must I suspect husbands, lovers and eldest brothers? Not that long ago in our own countryside-and still to this day in Sicily as elsewhere-widows wore black scarves, dark stockings and mantillas. You don’t have to be an Islamic terrorist’s widow to do so.

12. Strange is the rage reserved by so many feminist ladies for the few girls wearing the hijab. They have begged poor president Chirac, the Soviet at 82 percent, to crack down on them in the name of the Law. Meanwhile the prostituted female body is everywhere. The most humiliating pornography is universally sold. Advice on sexually exposing bodies lavishes teen magazines day in and day out.

13. A single explanation: a girl must show what she’s got to sell. She’s got to show her goods. She’s got to indicate that, henceforth, the circulation of women abides by the generalized model, and not by restricted exchange. Too bad for bearded fathers and elder brothers! Long live the planetary market! The generalized model is the top fashion model.

14. It used to be taken for granted that an intangible female right is to only have to get undressed in front of the person of her choosing. But no. It is vital to hint at undressing at every instant. Whoever covers up what she puts on the market is not a loyal merchant.

15. Let’s argue the following, then, a pretty strange point: the law on the hijab is a pure capitalist law. It orders femininity to be exposed. In other words, having the female body circulate according to the market paradigm is obligatory. For teenagers, i.e. the teeming center of the entire subjective universe, the law bans any holding back.

16. It is said virtually everywhere that the “veil” is an intolerable symbol of control over female sexuality. Do you really believe female sexuality to not be controlled in our society these days? This naiveté would have made Foucault laugh. Never has so much care been given to female sexuality, so much attention to detail, so much informed advice, so much distinguishing between its good and bad uses. Enjoyment has become a sinister obligation. The universal exposure of supposedly exciting parts is a duty more rigid than Kant’s moral imperative.

In passing, between our tabloids’ “Enjoy it, women!” and our great-grandmothers’ dictate “Don’t enjoy it!” Lacan long ago established an isomorphism. Commercial control is more constant, more certain, more massive than patriarchal control could ever be. Generalized prostitutional circulation is faster and more reliable than the hardships of family incarcerations, the turnabouts of which kept audiences laughing for centuries from Ancient Greek comedy to Molière.

17. The mother and the whore. In some countries, reactionary laws are drafted in favor of the mother and against the whore. In other countries, progressive laws are drafted in favor of the whore and against the mother. Yet it’s the alternative between the two which must be rejected.

18. Not however by the “neither… nor…”, which only perpetuates on neutral ground (i.e. at the center, like with François Bayrou?) what it professes to contest. “Neither mother, nor whore,” that’s quite pathetic. As is “neither whore nor submissive,” which is simply absurd: isn’t a “whore” generally submissive, and oh so much? In France in the past, they used to be called “les respectueuses” (the respected). Public submissives, all in all. As for “subs” themselves, perhaps they are only private whores.

19. There’s no getting around it: thought’s enemy nowadays is property, business, things such as souls, but not faith. What should be said instead is that [political] faith is what lacks the most. The “rise of religious fundamentalism” is but a mirror through which sated Westerners consider the frightful effects of the devastation of minds over which they have presided. And especially of the ruining of political thought, which Westerners have attempted to organize everywhere, either under cover of insignificant democracies or with the sizable back-up of humanitarian paratroopers. Under such conditions, secularism, professing to be at the service of different forms of knowledge, is but a scholarly rule by which to respect the competition, train according to “Western” norms and be hostile to every conviction. This is a schooling system for consumer cool, soft business, free ownership and disillusioned voters.

20. One will never go into raptures enough over feminism’s singular progression. Starting off with women’s liberation, nowadays feminism avers that the “freedom” acquired is so obligatory that it requires girls (and not a single boy!) to be excluded owing to the sole fact of their dressing accoutrements.

21. All of the society jargon about “communities,” and the as metaphysical as furious combat pitting “the Republic” against “communitarianisms,” all of that is utter nonsense. Let people live the way they want to, or can, eat what they are used to eating, wear turbans, dresses, hijabs, miniskirts or tap-dancing shoes, to bow low at any time […] to take low-bow pictures of each other or speak in colorful jargons. These kinds of “differences” do not have the slightest universal scope. They neither hinder thought, nor uphold it. Nor is there a reason to either respect or vilipend them. That the “Other” lives a little bit differently-as admirers of discreet theology and portable morality are wont to say after Lévinas-is so obvious an observation as to be meaningless.

22. As for the fact of human animals grouping together according to their origins, this is a natural and inevitable consequence of what are most often the miserable conditions immigrants face when arriving in France. Only the cousin or the fellow village countryman can, volens nolens, greet you at the St. Ouen l’Aumone home. One would really be obtuse to have to formally stress the point that the Chinese go to where the Chinese already are.

23. The only problem regarding these “cultural differences” and “communities” is certainly not their social existence, habitat, work, family or school. It is that their names are vain when what is in question is a truth, whether it be of art, science, love or, especially, politics. That my life as a human animal is wrought with particularities is the law of things. That the categories of this particularity profess to be universal, thereby taking upon themselves the seriousness of the Subject, that’s when things regularly get disastrous. What matters is the separation of predicates. I can do mathematics in yellow underwear, or I can have a Rasta’s dreadlocks and work as an activist for policies subtracted from electoral “democracy.” The theorem isn’t any more yellow (or not-yellow), than is the slogan under which we gather made of dreads. Nor for that matter does the slogan consist of an absence of dreadlocks.

24. It is said that schooling is gravely threatened by as insignificant a particularity as a few girls’ hijabs. This very feeling casts suspicion over the belief that truth has anything to do with what is being played out here. Instead, we find opinions, base and conservative opinions at that. Weren’t politicians and intellectuals seen to be asserting that schooling exists first and foremost to “train citizens”? What a gloomy program. In our times, the “citizen” is a little bitter-sensualist clutching at a political system-any semblance of which to truth is simply foreclosed.

25. Shouldn’t we be preoccupied in both high and low places that the number of girls of Algerian, Moroccan and Tunisian origin, with their chignon tightly wound, an austere look on their faces, and doggedly at work, make up with a few Chinese, who are no less bound to the family universe, formidable class brains? Nowadays, it takes a lot of abnegation to do so. And it could very well turn out that Chirac the Soviet’s Law ends up noisily banishing some excellent students.

26. “To enjoy with no hindrances.” That stupid motto from 1968 never ran the motor of knowledge at high speed. A certain dose of voluntary asceticism, the deeper reason for which has been known ever since Freud, is not foreign to the land of teaching. From it at least a few rough fragments of effective truths have emerged. So much so, that a headscarf may end up being useful. When patriotism, that hard alcohol of apprenticeship, is entirely lacking, every kind of idealism, even the cheap kind, is welcome-at least for those assuming that the object of schooling has little to do with “training” consumer-citizens.

27. In truth of fact, the Scarfed Law expresses one thing and thing alone: fear. Westerners in general, the French in particular, are but a shivering, fearful lot. What are they afraid of? Barbarians, as usual. Those from within, i.e. the “young suburbanites”; those from without, i.e. “Islamist terrorists.” Why are they frightened? Because they are guilty, but claim to be innocent. They are guilty of having renounced and attempted to annihilate-ever since the 1980s-every kind of emancipatory politics, every revolutionary form of Reason, and every true assertion of something else. Guilty of clutching at their lousy privileges. Guilty of being but old children playing with their manifold purchases. Yes, indeed, “in a long childhood, they have been made to age.” They are thus afraid of everything a little less aged. A stubborn young lady, for instance.

28. But especially, Westerners in general and the French in particular are afraid of death. They are no longer able to imagine how an Idea might be something for which risks are worth taking. “Zero death” is their most important desire. They see millions of people around the world who, for their part, have no reason to be afraid of death. And among them, many die in the name of an Idea almost daily. For the “civilized” this is the source of a most intimate sense of terror.

29. I am well aware the Ideas one is ready to die for are usually not worth very much. Being convinced that all gods withdrew long ago, I am grieved whenever young men and young women tear their bodies apart in horrendous massacres under the funereal invocation of something that has not existed for a long time. I am also aware that those fearsome “martyrs” have been made into instruments by conspirators concerned little about whom they intend to slaughter. It will never be repeated enough how Bin Laden is a creature of the American services. I am not naïve enough to believe in the purity, nor in the greatness, nor even in any effectiveness whatsoever of these suicide slaughters.

30. But I say that this atrocious price is first of all paid by the meticulous destruction of all forms of political rationality by the dominators of the West. This undertaking has only come about through the abundance of intellectual and popular complicity, notably in France. You wanted to fiercely liquidate the Idea of revolution as far as into its memory? You wanted to uproot all usage, even allegorical ones, of the word “worker”? Don’t complain about the result. Clench your teeth and kill the poor. Or have them be killed by your American friends.

31. We get the wars we deserve. In this world that is numbed with fear, the big gangsters mercilessly bomb countries drained of blood. Medium gangsters practice targeted assassinations of those who bother them. It’s the really small crooks who draft laws against hijab.

32. They’ll say it’s less serious. To be sure. It’s less serious. Before the late Tribunal of History, we’ll obtain extenuating circumstances: “As a specialist in hairdressing styles, he only played a small role in the scandal.”

Derrière la Loi foulardière, la peur
par Alain Badiou, philosophe, écrivain et professeur à l’école normale supérieure.

[Le Monde, édition du 22 février 2004]

1. D’aimables républicaines et républicains arguèrent un jour qu’il fallait une loi pour interdire tout foulard sur les cheveux des filles. A l’école d’abord, ailleurs ensuite, partout si possible. Que dis-je, une loi ? Une Loi ! Le président de la République était un politicien aussi limité qu’insubmersible. Totalitairement élu par 82 % des électeurs, dont tous les socialistes, gens parmi lesquels se recrutaient nombre des aimables républicain(e)s en question, il opina du bonnet : une loi, oui, une Loi contre le petit millier de jeunes filles qui mettent le susdit foulard sur leurs cheveux. Les pelées, les galeuses ! Des musulmanes, en plus ! C’est ainsi qu’une fois de plus, dans la ligne de la capitulation de Sedan, de Pétain, de la guerre d’Algérie, des fourberies de Mitterrand, des lois scélérates contre les ouvriers sans papiers, la France étonna le monde. Après les tragédies, la farce.

2. Oui, la France a enfin trouvé un problème à sa mesure : le foulard sur la tête de quelques filles. On peut le dire, la décadence de ce pays est stoppée. L’invasion musulmane, de longtemps diagnostiquée par Le Pen, aujourd’hui confirmée par des intellectuels indubitables, a trouvé à qui parler. La bataille de Poitiers n’était que de la petite bière, Charles Martel, un second couteau. Chirac, les socialistes, les féministes et les intellectuels des Lumières atteints d’islamophobie gagneront la bataille du foulard. De Poitiers au foulard, la conséquence est bonne, et le progrès considérable.

3. A cause grandiose, arguments de type nouveau. Par exemple : le foulard doit être proscrit, qui fait signe du pouvoir des mâles (le père, le grand frère) sur ces jeunes filles ou femmes. On exclura donc celles qui s’obstinent à le porter. En somme : ces filles ou femmes sont opprimées. Donc, elles seront punies. Un peu comme si on disait : “Cette femme a été violée, qu’on l’emprisonne”. Le foulard est si important qu’il mérite une logique aux axiomes renouvelés.

4. Ou, au contraire : ce sont elles qui veulent librement le porter, ce maudit foulard, les rebelles, les coquines ! Donc, elles seront punies. Attendez : ce n’est pas le signe d’une oppression par les mâles ? Le père et le grand frère n’y sont pour rien ? D’où vient qu’il faut l’interdire, alors, ce foulard ? C’est qu’il est ostentatoirement religieux. Ces coquines “ostentent” leur croyance. Au piquet, na !

5. Ou c’est le père et le grand frère, et féministement le foulard doit être arraché. Ou c’est la fille elle-même selon sa croyance, et “laïcisement” il doit être arraché. Il n’y a pas de bon foulard. Tête nue ! Partout ! Que tout le monde, comme on disait autrefois – même les pas-musulmanes le disaient – sorte “en cheveux”.

6. Notez bien que le père et le grand frère de la fille au foulard ne sont pas de simples comparses parentaux. On l’insinue souvent, parfois on le déclare : le père est un ouvrier abruti, un pauvre type directement “venu du bled” et commis aux chaînes de Renault. Un archaïque. Mais stupide. Le grand frère deale le shit. Un moderne. Mais corrompu. Banlieues patibulaires. Classes dangereuses.

7. La religion musulmane ajoute aux tares des autres religions celle-ci, gravissime : elle est, dans ce pays, la religion des pauvres.

8. Imaginons le proviseur d’un lycée, suivi d’une escouade d’inspecteurs armés de centimètres, de ciseaux, de livres de jurisprudence : on va vérifier aux portes de l’établissement si les foulards, kippas et autres couvre-chefs sont “ostentatoires”. Ce foulard grand comme un timbre poste perché sur un chignon ? Cette kippa comme une pièce de deux euros ? Louche, très louche. Le minuscule pourrait bien être l’ostentation du majuscule. Mais, que vois-je ? Gare ! Un chapeau haut de forme ! Hélas ! Mallarmé, interrogé sur le chapeau haut de forme, l’a dit : “Qui a mis rien de pareil ne peut l’ôter. Le monde finirait, pas le chapeau.” Ostentation d’éternité.

9. La laïcité. Un principe inoxydable ! Le lycée d’il y a trois ou quatre décennies : interdiction de mélanger les sexes dans la même classe, pantalon décommandé aux filles, catéchisme, aumôniers. La communion solennelle, avec les gars en brassard blanc et les mignonnes sous le voile de tulle. Un vrai voile, pas un foulard. Et vous voudriez que je tienne pour criminel ce foulard ? Ce signe d’un décalage, d’un remuement, d’un enchevêtrement temporel ? Qu’il faille exclure ces demoiselles qui mêlent agréablement hier et aujourd’hui ? Allez, laissez faire la broyeuse capitaliste. Quels que soient les allers et retours, les repentirs, les venues ouvrières du lointain, elle saura substituer aux dieux morts des religions le gras Moloch de la marchandise.

10. Au demeurant, n’est-ce pas la vraie religion massive, celle du commerce ? Auprès de laquelle les musulmans convaincus font figure de minorité ascétique ? N’est-ce pas le signe ostentatoire de cette religion dégradante que ce que nous pouvons lire sur les pantalons, les baskets, les tee-shirts : Nike, Chevignon, Lacoste,… N’est-il pas plus mesquin encore d’être à l’école la femme sandwich d’un trust que la fidèle d’un Dieu ? Pour frapper au cœur de la cible, voir grand, nous savons ce qu’il faut : une loi contre les marques. Au travail, Chirac. Interdisons sans faiblir les signes ostentatoires du Capital.

11. Qu’on m’éclaire. La rationalité républicaine et féministe de ce qu’on montre du corps et de ce qu’on ne montre pas, en différents lieux et à différentes époques, c’est quoi ? Que je sache, encore de nos jours, et pas seulement dans les écoles, on ne montre pas le bout des seins ni les poils du pubis, ni la verge. Devrais-je me fâcher de ce que ces morceaux soient “dérobés aux regards” ? Soupçonner les maris, les amants, les grands frères ? Il y a peu dans nos campagnes, encore de nos jours en Sicile et ailleurs, les veuves portent fichus noirs, bas sombres, mantilles. Il n’y a pas besoin pour cela d’être la veuve d’un terroriste islamique.

12. Curieuse, la rage réservée par tant de dames féministes aux quelques filles à foulard, au point de supplier le pauvre président Chirac, le soviétique aux 82 %, de sévir au nom de la Loi, alors que le corps féminin prostitué est partout, la pornographie la plus humiliante universellement vendue, les conseils d’exposition sexuelle des corps prodigués à longueur de page dans les magazines pour adolescentes.

13. Une seule explication : une fille doit montrer ce qu’elle a à vendre. Elle doit exposer sa marchandise. Elle doit indiquer que désormais la circulation des femmes obéit au modèle généralisé, et non pas à l’échange restreint. Foin des pères et grands frères barbus ! Vive le marché planétaire ! Le modèle, c’est le top modèle.

14. On croyait avoir compris qu’un droit féminin intangible est de ne se déshabiller que devant celui (ou celle) qu’on a choisi (e) pour ce faire. Mais non. Il est impératif d’esquisser le déshabillage à tout instant. Qui garde à couvert ce qu’il met sur le marché n’est pas un marchand loyal.

15. On soutiendra ceci, qui est assez curieux : la loi sur le foulard est une loi capitaliste pure. Elle ordonne que la féminité soit exposée. Autrement dit, que la circulation sous paradigme marchand du corps féminin soit obligatoire. Elle interdit en la matière – et chez les adolescentes, plaque sensible de l’univers subjectif entier – toute réserve.

16. On dit un peu partout que le “voile” est l’intolérable symbole du contrôle de la sexualité féminine. Parce que vous imaginez qu’elle n’est pas contrôlée, de nos jours, dans nos sociétés, la sexualité féminine ? Cette naïveté aurait bien faire rire Foucault. Jamais on n’a pris soin de la sexualité féminine avec autant de minutie, autant de conseils savants, autant de discriminations assénées entre son bon et son mauvais usage, La jouissance est devenue une obligation sinistre. L’exposition universelle des morceaux supposés excitants, un devoir plus rigide que l’impératif moral de Kant.

Au demeurant, entre le “Jouissez, femmes !” de nos gazettes et l’impératif “Ne jouissez pas !” de nos arrière-grands-mères, Lacan a de longue date établi l’isomorphie. Le contrôle commercial est plus constant, plus sûr, plus massif que n’a jamais pu l’être le contrôle patriarcal. La circulation prostitutionnelle généralisée est plus rapide et plus fiable que les difficultueux enfermements familiaux, dont la mise à mal, entre la comédie grecque et Molière, a fait rire pendant des siècles.

17. La maman et la putain. On fait dans certains pays des lois réactionnaire pour la maman et contre la putain, dans d’autres, des lois progressistes pour la putain et contre la maman. C’est cependant l’alternative qu’il faudrait récuser.

18. Non pas toutefois par le “ni… ni…”, qui ne fait jamais que perpétuer en terrain neutre (au centre, comme Bayrou ?) ce qu’il prétend contester. “Ni maman ni putain”, cela est tristounet. Comme “ni pute ni soumise”, lequel est au demeurant absurde : une “pute” n’est-elle pas généralement soumise, oh combien ? On les appelait, autrefois, des respectueuses. Des soumises publiques, en somme. Quant aux “soumises”, elles ne sont peut-être que des putains privées.

19. On y revient toujours : l’ennemi de la pensée, aujourd’hui, c’est la propriété, le commerce, des choses comme des âmes, et non la foi. On dira bien plutôt que c’est la foi (politique) qui manque le plus. La “montée des intégrismes” n’est que le miroir dans lequel les Occidentaux repus considèrent avec effroi les effets de la dévastation des consciences à laquelle ils président. Et singulièrement la ruine de la pensée politique, qu’ils tentent partout d’organiser, tantôt sous couvert de démocratie insignifiante, tantôt à grand renfort de parachutistes humanitaires. Dans ces conditions, la laïcité, qui se prétend au service des savoirs, n’est qu’une règle scolaire de respect de la concurrence, de dressage aux normes “occidentales” et d’hostilité à toute conviction. C’est l’école du consommateur cool, du commerce soft, du libre propriétaire et du votant désabusé.

20. On ne s’extasiera jamais assez sur la trajectoire de ce féminisme singulier qui, parti pour que les femmes soient libres, soutient aujourd’hui que cette “liberté” est si obligatoire qu’elle exige qu’on exclue des filles (et pas un seul garçon !) du seul fait de leur apparat vestimentaire.

21. Tout le jargon sociétal sur les “communautés” et le combat aussi métaphysique que furieux entre “la République” et “les communautarismes”, tout cela est une foutaise. Qu’on laisse les gens vivre comme ils veulent, ou ils peuvent, manger ce qu’ils ont l’habitude de manger, porter des turbans, des robes, des voiles, des minijupes ou des claquettes, se prosterner à toute heure devant des dieux fatigués, se photographier les uns les autres avec force courbettes ou parler des jargons pittoresques. Ce genre de “différences” n’ayant pas la moindre portée universelle, ni elles n’entravent la pensée, ni elles ne la soutiennent. Il n’y a donc aucune raison, ni de les respecter, ni de les vilipender. Que “l’Autre”, – comme disent après Levinas les amateurs de théologie discrète et de morale portative – vive quelque peu autrement, voilà une constatation qui ne mange pas de pain.

22. Quant au fait que les animaux humains se regroupent par provenance, c’est une conséquence naturelle et inévitable des conditions le plus souvent misérables de leur arrivée. Il n’y a que le cousin, ou le compatriote de village, qui peut, volens nolens, vous accueillir au foyer de St Ouen l’Aumône. Que le chinois aille là où il y a déjà des Chinois, il faut être obtus pour s’en formaliser.

23. Le seul problème concernant ces “différences culturelles” et ces “communautés” n’est certes pas leur existence sociale, d’habitat, de travail, de famille ou d’école. C’est que leurs noms sont vains là où ce dont il est question est une vérité, qu’elle soit d’art, de science, d’amour ou, surtout, de politique. Que ma vie d’animal humain soit pétrie de particularités, c’est la loi des choses. Que les catégories de cette particularité se prétendent universelles, se prenant ainsi au sérieux du Sujet, voilà qui est régulièrement désastreux. Ce qui importe est la séparation des prédicats. Je peux faire des mathématiques en culotte de cheval jaune et je peux militer pour une politique soustraite à la “démocratie” électorale avec une chevelure de Rasta. Ni le théorème n’est jaune (ou non-jaune), ni le mot d’ordre qui nous rassemble n’a de tresses. Non plus d’ailleurs qu’il n’a d’absence de tresses.

24. Que l’école soit, dit-on, fort menacée par une particularité aussi insignifiante que le foulard de quelques filles amène à soupçonner que ce n’est jamais de vérité qu’il y est question. Mais d’opinions, basses et conservatrices. N’a-t-on pas vu des politiciens et des intellectuels affirmer que l’école est d’abord là pour “former des citoyens”? Sombre programme. De nos jours, le “citoyen” est un petit jouisseur amer, cramponné à un système politique dont tout semblant de vérité est forclos.

25. Ne serait-on pas préoccupé, en haut et bas lieu, de ce que nombre de filles d’origine algérienne, marocaine, tunisienne, le chignon bien serré, la mine austère, acharnées au travail, composent, avec quelques Chinois non moins vissés à l’univers familial, de redoutables têtes de classe ? De nos jours, il y faut pas mal d’abnégation. Et il se pourrait que la Loi du soviétique Chirac aboutisse à l’exclusion tapageuse de quelques excellentes élèves.

26. “Jouir sans entraves”, cette ânerie soixante-huitarde, n’a jamais fait tourner à haut régime le moteur des savoirs. Une certaine dose d’ascétisme volontaire, on en connaît la raison profonde depuis Freud, n’est pas étrangère au voisinage de l’enseignement et d’au moins quelques rudes fragments de vérités effectives. De sorte qu’un foulard, après tout, peut servir. Là où désormais le patriotisme, cet alcool fort des apprentissages, fait entièrement défaut, tout idéalisme, même de pacotille, est le bienvenu. Pour qui du moins suppose que l’école est autre chose que la “formation” du citoyen-consommateur.

27. En vérité, la Loi foulardière n’exprime qu’une chose : la peur. Les Occidentaux en général, les Français en particulier, ne sont plus qu’un tas frissonnant de peureux. De quoi ont-ils peur ? Des barbares, comme toujours. Ceux de l’intérieur, les “jeunes des banlieues”; ceux de l’extérieur, les “terroristes islamistes”. Pourquoi ont-ils peur ? Parce qu’ils sont coupables, mais se disent innocents. Coupables d’avoir, à partir des années 1980, renié et tenté d’anéantir toute politique d’émancipation, toute raison révolutionnaire, toute affirmation vraie d’autre chose que ce qu’il y a. Coupables de se cramponner à leurs misérables privilèges. Coupables de n’être plus que de vieux enfants qui jouent avec ce qu’ils achètent. Eh oui, “dans une longue enfance on les a fait vieillir”. Aussi ont-ils peur de tout ce qui est un peu moins vieux qu’eux. Par exemple, une demoiselle entêtée.

28. Mais surtout, Occidentaux en général et Français en particulier ont peur de la mort. Ils n’imaginent même plus qu’une Idée puisse valoir qu’on prenne pour elle quelques risques. “Zéro mort”, c’est leur plus important désir. Or, ils voient partout dans le monde des millions de gens qui n’ont aucune raison, eux, d’avoir peur de la mort. Et, parmi eux, beaucoup, presque chaque jour, meurent au nom d’une Idée. Cela est pour le “civilisé” la source d’une intime terreur.

29. Et je sais bien que les Idées pour lesquelles on accepte aujourd’hui de mourir ne valent en général pas cher. Convaincu que tous les dieux ont de longue date déclaré forfait, je me désole de ce que de jeunes hommes, de jeunes femmes, déchiquettent leurs corps dans d’affreux massacres sous la funèbre invocation de ce qui depuis longtemps n’est plus. Je sais en outre qu’ils sont instrumentés, ces “martyrs” redoutables, par des comploteurs peu discernables de ceux qu’ils prétendent abattre. On ne redira jamais assez que Ben Laden est une créature des services américains. Je n’ai pas la naïveté de croire à la pureté, ni à la grandeur, ni même à une quelconque efficacité, de ces tueries suicidaires.

30. Mais je dis que ce prix atroce est d’abord payé à la destruction minutieuse de toute rationalité politique par les dominants d’Occident, entreprise que n’ont rendue aussi largement praticable que l’abondance, notamment en France, des complicités intellectuelles et populaires. Vous vouliez avec acharnement liquider jusqu’au souvenir de l’Idée de révolution ? Déraciner tout usage, même allégorique, du mot “ouvrier”? Ne vous plaignez pas du résultat. Serrez les dents, et tuez les pauvres. Ou faites-les tuer par vos amis américains.

31. On a les guerres qu’on mérite. Dans ce monde transi par la peur, les gros bandits bombardent sans pitié des pays exsangues. Les bandits intermédiaires pratiquent l’assassinat ciblé de ceux qui les gênent. Les tout petits bandits font des lois contre les foulards.

32. On dira que c’est moins grave. Certes. C’est moins grave. Devant feu le Tribunal de l’Histoire, nous obtiendrons les circonstances atténuantes : “Spécialiste des coiffures, il n’a joué dans l’affaire qu’un petit rôle”.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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25 respostas a Alain Badiou:Por detrás da lei do lenço islâmico, o medo

  1. Patricia Vieira diz:

    Gostava que durante um bocadinho quer o Estado quer as Pessoas que discutem este assunto, parassem de o encarrar como uma questão religiosa e ganhassem distância em relação à chamada guerra do ocidente contra o Islão. O véu, o nikab e todas as variantes de nomes e formas e tamanho é, e sempre foi (mas poderá não vir a ser no futuro), um sinal de opressão e falta de direitos das mulheres. Está longe de ser o único. Basta ir a qualquer país muçulmano ou mesmo à India hindu para se saber que é assim. As mulheres exibem sinais constantes de submissão perante os homens, quer de comportamento, como por exemplo andar sempre uns passos atrás dos homens, quer por artefactos como a roupa que lhes é “permitida”. Haverá quem usa essa roupa ou se comporta com inferioridade por opção, mas é certamente uma minoria. Também haverá quem goste de levar tareias do marido mas a violência doméstica é um crime público – e bem, a meu ver. O véu é da mesma ordem e, se pararem para pensar sem misturar todas as guerras e argumentos que legitimam outras discussões que não a que representa o uso do veu, talvez possamos ter bom senso a comentar e o estado a legislar. Talvez daqui a uns anos se possa ver o véu como moda ou como afirmação de identidade. Até lá é preciso ter a certeza que as mulheres podem escolher livremente um símbolo que as humilha e subjuga. Eu sou crente, provavelmente ao contrário de maior parte dos comentadores, e acredito que todas as religiões são boas e são péssimas. E o véu muçulmano é mais uma vez uma instrumentalização da religião por parte dos homens muçulmanos para poderem continuar a mandar nas mulheres e o ocidente liberal mais uma vez embarca nesta farsa cheio de boa consciência, achando-se a defender as liberdades e tradições e passando por cima do fundamental.

  2. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Patrícia Vieira,
    Excelente comentário. Interessante e muito bem pensado. Só tenho uma discordância se existem mulheres em França e na Holanda que afirmam querer usar livremente o véu. Qual é o júri que define quando elas são livres?

  3. Ezequiel diz:

    O véu é um artefacto. As práticas de opressão das mulheres, são práticas. Pensar que se pode acabar com as práticas através da proibição dos arteactos-simbolos é de uma ingenuidade infantil. Decidimos que o véu é “um sinal de opressão e falta de direitos das mulheres.” É a materialização imagistica (?) de um regime cultural opressivo? Estou a pensar na senhora das limpezas que conheci há uns tempos em Coimbra. Usava um lenço, à la rural.

    Cara Patricia, será que me poderia explicar porque é que o véu é um sinal de opressão e de faltas de direitos? Uma coisa é levar tareias. Outra é usar um véu. Da mesma ordem? A Patricia nunca deve ter apanhado umas bofetadas em toda a sua vida. Não é nada agradável e, como deve imaginar, não tem mesmo nada a ver com o uso do véu.

    Sinceramente, se não estivesse aqui pensaria que estes são textos de neo conservadores “universalistas.”

    Caro Nuno, então inventas uma possibilidade absurda? É mais do que evidente que existem milhares de mulheres em França e na Holanda, algumas até com cursos de filosofia da ENS, que decidem usar o véu? Cós diabos, esta discussão é simplesmente absurda. Proibi-se de o uso do véu porque o véu é um simbolo de uma relação social injusta. Isto é ridiculo. Poderiamos ser mais audaciosos e defender a tese de que todas as injustiças no mundo muçulmano emanam da preponderância da teologia na cultura política. É, afinal de contas, o absolutismo teológico que é invocado na legitimização social da opressão das mulheres muçulmanas. Pois bem: Acabamos com todas as mesquitas na Europa. Já agora, acabamos também com o Vaticano, com o sr Padre lá da villa, com a minha tia que decidiu ser freira e tenho que me apressar a avisar a Sra das limpezas que o lenço que ela usa, as suas botas de pele de boi, são simbolos inequivocos do seu atraso civilizacional (e ela que nem conhece Deleuze, Derrida e Badiou)

    Olha, bordamerda: façam um referendo sobre o véu para as mulheres muçulmanas! Porra, já não posso ouvir falar mais desta coisa. O Alain um peu barroque Badiou(que sempre é mais interessante do que o chato do Bernard Henry-Levi…bolas, tanta acrobacia semantica para dizer coisinhas tão simples), tem toda a razão. Dezenas de madrassas na Europa com imans lunáticos a pregar a destruição do ocidente e dos seus valores civilizacionais. Um senhor no Irão que ameaça repetidamente a destruição de um outro estado e do seu povo. E, por aqui, todos preocupadissimos com o véu. E se fossem pentear macacos para o Zoo? Que tal?

  4. Ezequiel diz:

    “E o véu muçulmano é mais uma vez uma instrumentalização da religião por parte dos homens muçulmanos para poderem continuar a mandar nas mulheres…”

    Cara Patricia (sou um pouco rude, por favor não me interprete mal)

    Este tipo de modelo conceptual (o da instrumentalização da religião,da religião posta ao serviço de relações sociais opressivas, etc) não se aplica fácilmente ao mundo muçulmano. É um esquema conceptual atractivo porque permite a simplificação express ou a tradução de algo obscuro para um vocabulário conceptual familiar. O que se passa é algo muito mais profundo. Não se trata apenas de uma instrumentalização. Nenhum muçulmano crente pensa na religião como algo que o serve como um meio.

    É sempre impressionante ver como é que todos nós projectamos expectativas nas nossas interpretações uns dos outros…

    Mas fico por aqui…

  5. Patricia Vieira diz:

    Caro Nuno, infelizmente não é fácil a qualquer juri decidir excepções à Lei. Mas há maneiras sensatas de legislar e julgar e decidir. É preciso que quem legisla tome em consideração que há excepções e que todas devem ser levadas em conta. Não é muito claro que as mulheres que querem usar o véu o possam vir a fazer? Não não é. Mas a lei é assim para tudo, infelizmente. Se essas mulheres forem, erradamente, privadas da liberdade de usar o véu, é o preço a pagar para que todas possam fazer essa escolha livremente.

    Caro Ezequiel,
    Ingenuidaded é pensar que o véu não é um simbolo. As mulheres que o querem usar livremente fazem-no porque é um símbolo, um símbolo da sua religião, um símbolo de afirmação cultural, um símbolo de identidade ou porque querem simplesmente chatear ou ser diferentes, mas é usado como símbolo, e não para tapar o sol holandês da cabeça.
    E não, nunca levei uns tabefes, nem nunca tive que usar véu a não ser para entrar nas mesquitas. Mas suponho que o Ezequiel também não e que nem nunca se lhe pôs a necessidade de, para sair à rua, ter que estar coberto dos pés à cabeça, andar com os olhos no chão, nunca dirigir a palavra a nenhum homem, e se fizesse, por ventura, algo de mais ousado do que isso, desonrando o pai e os irmãos, ser morto à pedrada. E isto, caro Ezequiel, são práticas e não símbolos. São a prática de vida de centenas de milhares de mulheres. Ingenuidade é pensar que o terror, a humilhação, a falta de identidade existem apenas com os tabefes.
    Alegro-me também que fale na senhora da aldeia que usa o lenço preto na cabeça e que a sua prima tenha decidido ser freira. Porque, felizmente, agora elas fazem-no com certeza por escolha. Mas convém não lavar as mãos do passado porque tanto o lenço como ser freira durante séculos não quiserem dizer a mesma coisa que hoje. O lenço foi durante muitos anos um sinal de submissão: era usado por mulheres casadas por respeito ao marido. As solteiras não usavam lenço. E quanto a ir para freira, as familias mandavam as raparigas que não podiam casar, que engravidavam, que tinham comportamntos que pusessam a “honra” em causa. E outras, muitas, íam para freiras porque o convento era o único local onde mandavam ou não tinham que prestar contas a todos os homens que mandavam na sua vida.
    Para finalizar, entristece-me um bocado que os homens se inflamem tanto com a proibição do chador e venham socorrer as mulheres que o querem usar. Antes desta polémica não os vi inflamarem-se tanto com as privações das liberdades das mulheres. É que, para além da sua prima e da senhora da limpeza, há ainda hoje muitas mulheres, para dar um exemplo corriqueiro, que não se sentam à mesa com os maridos, apenas os servem, durante toda a sua vida.
    E por mim basta, nesta semi-polémica, que vou fazer o almoço para o marido.

  6. Ezequiel diz:

    Cara Patricia,

    Eu não disse que o véu não é um simbolo. O próprio uso do véu é uma pratica (simbolica) que pode ser interpretada em termos de repressão. Com todo o respeito, eu também não disse que não existem formas mais ou menos subtis de reprimir. Apenas disse que o tabefe e a imposição normativa (mais sofisticada, que recorre à tradição, ás directrizes religiosas etc) não são da mesma ordem. Quanto à sua descrição das “práticas de vida” de milhares de mulheres muçulmanas concordo plenamente. Sem dúvida alguma. O que eu pretendia clarificar é simplesmente o seguinte: uma coisa são valores e outra são simbolos.(esta é uma distinção precária pq eles entrecruzam-se) Preferiria, de longe, contribuir para que a sua descrição deixasse de ter qualquer validade (ou seja, combater os valores de base de tudo isto, do uso do véu. Penso que se deve começar pelos valores basilares mais importantes e não pelos simbolos-praticas.) Discordamos apenas no que diz respeito a tacticas. Eu já me chateei muito com as privações dos direitos das mulheres, acredite. Apenas não acredito que o lenço per si, seja problemático. As mulheres que se sentem sob esta imensa e brutal repressão sabem, certamente, o lenço ou o véu não são os culpados de tudo isto. Fico chateado e cansado só de pensar no tempo que vai levar a mudar tudo isto.

    Felizmente, nunca tive uma prima que tivesse decidido ir para freira. Teria ido buscá-la ao convento( ou mosteiro?? estou confuso) São todas livres, muito livres, as minhas primas. São muitas Primas e 1 Primo. Somos uma minoria (activa) 🙂 Nunca vivi em Coimbra.

    Espero que não a tenha irritado nesta semi-conversa.
    All the best Patricia! 🙂

  7. António Figueira diz:

    Nuno,
    Podias ter acrescentado a feliz coincidência de, na semana que acabou, ter passado duas vezes na Cinemateca o “La maman et la putain” (o filme do Jean Eustache de 73), que não só versa um tema glosado neste artigo do Badiou como ajuda a perceber o caldo de cultura em que ele está submerso.
    Referida a efeméride, permite-me que te diga que os comentários da Patrícia Vieira (que eu não sei quem é) me parecem de longe mais interessantes do que o arrazoado inapelavelmente gauchiste do teu estimável filósofo.
    Abraço, AF

  8. Nuno Cruz diz:

    Discussao bem interessante, esta, e sobre a qual ainda nao consegui ter certezas…

  9. Ezequiel diz:

    cara Patricia,

    Eu não gostaria de viver numa sociedade onde existe um critério substantivo de conformidade cultural. Penso que não é necessário puxar os muçulmanos pelas orelhas para o século XXI. Ou seja, acredito que seja possivel democratizar e liberalizar a cultura muçulmana (ou mts aspectos) sem que isto implique a sua transfiguração para uma excentricidade do cosmopolitanismo ocidental. Penso que é possivel viver com mulheres com véus que não estão impiedosamente sujeitas aos maridos ou aos manos. Penso que é possivel ser-se um(a) crente muçulmano(a), conviver livremente com laicos numa sociedade plural, sem qualquer problema. O republicanismo Françês é, na verdade, o outro lado do nacionalismo (nascem juntos). Os casos dos EUA e do Canadá são muito interessantes. Demonstram que é possivel.O proprio pluralismo estimula a formação de valores democráticos (por exemplo, garante a falsificação permanente de absolutismos) Em grande parte, talvez este eterno optimismo americano (entre outros factores) tenha sido responsável por um certo messianismo…

    Desculpe lá insistir na conversa. Gostaria apenas que escrevesse mais qq coisa. Gostei mt de ler o que escreveu. A breath of fresh air! 🙂

  10. António Figueira diz:

    Caro Ezequiel,
    Vejo que acredita que o republicanismo americano é menos “espesso” que o francês, e teme que exigir o respeito de direitos fundamentais a muçulmanos seja uma forma de etnocentrismo encapotado… Apetece-me recordar-lhe aquela frase do Geertz segundo a qual não existe contradição entre etnocentrismo e universalismo porque todo o mundo é etnocêntrico…
    Cordialmente, AF

  11. Nuno Ramos de Almeida diz:

    António,
    É interessante que a polémica dos véus em França e da proibição das pessoas usaram trages islâmicos na rua na Holanda apareça neste momento, em que alguns tanto falam de choque de civilizações.
    É interessante que a hierarquia da Igreja, venha dizer que na Europa os muçulmanos devem respeitar as tradições cristâs do continente e vestir-se dessa forma, como se os muçulmanos não fossem tão europeus como os cristãos.
    Acho que uma sociedade justa, permite a cada um e cada uma vestir-se como bem entender.
    Sobre, a liberdade de cada um, adoro aqueles que defendem a liberdade, mas que afirmam que aqueles que pensam de uma forma diferente não são livres.
    O teu comentário sobre Badiou é depreciativo e pouco argumentativo… o que me parece pouco “estimável”. Já o teu elogio sobre a opinião interessante da Patrícia Vieira parece-me natural: ela defendeu o teu ponto de vista melhor do que tu (sem aquela canga de Iluminismo e velha República).

  12. Ezequiel diz:

    Caro António,

    Sim, mas sinto-me mais inclinado para um universalismo relacional. Além disso, gostaria de mencionar o seguinte: a natureza dos regimes políticos não são determinados apenas pela forma como o poder político é organizado( regras institucionais, jurisprudencia etc) mas também pela natureza da polis no sentido mais amplo. Nos EUA e no Canadá o pluralismo radical é um fait accompli (com uma história turbulenta, é certo) desde os primordios da mais antiga democracia liberal consituticional. Este pluralismo inaugural (terra de imigrantes, a diferença como FACTO constitutivo da polis), que não é um principio formal mas uma pratica-valor experiencial (e não estou a insinuar que é tudo um mar de rosas nos EUA. O racismo persiste, mas tem vindo a diminuir consistentemente, especialmente nas camadas mais jovens que ouvem hip hop), explica muitas das diferenças entre o republicanismo françês e o americano.

    Conheço mal o trabalho do antropologo Geertz mas recordo-me de uma falha que mencionei a um colega do lse nos meus dias de estudante: a concepção Geertziana da cultura é fundamentalmente concentrica( revolves around questions of essence, identity etc hence the ethno-centric). Na minha opinião, as culturas também são ex-centricas (conceito de hospitalidade, expressividade cultural perante o outro. Aqui notamos a presença de algo mt diferente: relação. Existe um universalismo relacional que não é etnocentrico nem universalista(na concepção ocidental: universalismo de identidade)

    Enfim, isto é um imbroglio sem fim: a relação dos valores com a identidade, da identidade com os factos da polis (por vezes existem profundas discrepancias), etc

    Se me permitem, gostaria de recomendar dois livros (só li partes dos dois-falta de tempo-mas gostei muito daquilo que li) Espero que não me interpretem mal.

    http://www.amazon.co.uk/Dignity-Difference-Avoid-Clash-Civilizations/dp/0826468500/sr=1-1/qid=1165853375/ref=sr_1_1/203-0279655-8873523?ie=UTF8&s=books

    http://www.amazon.co.uk/Community-Nothing-Studies-Continental-Thought/dp/0253208521/sr=1-1/qid=1165853449/ref=sr_1_1/203-0279655-8873523?ie=UTF8&s=books

    melhores cumprimentos,
    ezequiel

  13. Ezequiel diz:

    ah, caro António, desculpe mas esqueci-me disto..

    Eu não tenho qq prob com o argumento de que se deve exigir aos muçulmanos e a todos os outros o respeito pelos direitos fundamentais . Já disse, e repito, que não acreduti que exista qualquer incompatibilidade intrinseca ou empirica entre o universalismo dos direitos fundamentais e o pluralismo cultural(ou multiculturalismo ou etc) No que diz respeito a direitos fundamentais, não são só os muçulmanos que os violam (a violencia domestica no portugal catolico ou laico, não é baixa!) O que o António defende vai muito além da exigencia da conformidade com os direitos fundamentais.

    Melhores cumprimentos, ezequiel

  14. Ezequiel diz:

    o universalismo não começa e acaba com os direitos fundamentais (apesar da sua importancia primordial)…..

  15. Ezequiel diz:

    vejo que ainda não abandonaste completamente o vocabulário da fil política: thick versus thin universalism. eh eh ehe e sinto saudades :)! Foste aluno do Gray, certo?

  16. António Figueira diz:

    Caro Ezequiel,
    É sempre um prazer ler os teus comentários e vou espreitar os livros que referes; quanto ao mais, segui de facto as aulas do Gray, mas o thick’n’thin, salvo erro, é do Walzer, nas Spheres of Justice.
    Caro Nuno,
    Mea culpa, fui de facto algo depreciativo em relação ao Badiou (há um certo estilo de pessoa e de prosa que consegue sempre irritar-me, reconheço) mas reconheçamos também que o texto dele é mais expressionista que propriamente argumentativo; de qualquer maneira, amanhã adiantarei posições mais substanciais para o debate.
    Abraços, AF

  17. António Figueira diz:

    “Canga” de iluminismo e república?! Achas fora de moda e preferes as trevas e o despotismo?

  18. Nuno Ramos de Almeida diz:

    É uma alternativa um pouco forçada, não achas?

  19. Ezequiel diz:

    sim, o termo é do Walzer…mas foi universalizado através do dialogo eh eh eh e(just being a cheeky geezer! 🙂 )

  20. Ezequiel diz:

    no amazon uk não se consegue espreitar o community of those…mas no amazon us, é possivel… cá está…É uma delicia ler Lingis…elegante, profundo e lúcido…

    http://www.amazon.com/gp/reader/0253208521/ref=sib_dp_pt/103-7247178-0667827#reader-link

  21. Ezequiel diz:

    and this, mate, is a reality…not a principle, nor a plan…just life!

    http://www.untoldlondon.org.uk/

  22. Ezequiel diz:

    And I will defend this until I am blue in the face! Its worth it! 🙂

  23. Patricia Vieira diz:

    Caro Ezequiel,

    Obrigado por querer que eu diga mais umas coisinhas, mas efectivamente eu não tenho mais nada de fundamental para dizer. Para mim esta discussão é coisa simples, no sentido em que eu acredito verdadeiramente que o véu é sinónimo de tudo o que já disse aqui. E acredito que a liberdade não é o direito MAIS fundamental que existe ao cimo da terra. E que a proíbição, não tem que ser o inferno encarnado. Especialmente quando se trata de diminuir liberdades de pessoas que já têm imensas em favor aquelas que não têm nenhumas (chame-lhe distribuiçao se quiser). E acredito que levar esta discussão para o terreno político, como tem sido feito recorrentemente, prejudica toda e gente.
    A proíbição não começou agora, ao contrário do que diz o Nuno, a proíbição começou há quase 20 anos, quando a mesma França resolveu obrigar as meninas e raparigas muçulmanas a cumprir todas as dísciplinas curriculares da primária e do secundário, nomeadamente Educação Fisica e Biologia, e tem vindo a ser discutida desde então. Mas há vinte anos, esta discução não era interessante para maior parte das pessoas porque não era politizada como hoje.
    Dir-me-ão que hoje é preciso contextualizar. Muito bem, então chamem-lhe as coisas pelos nomes, e digam às mulheres muçulmanas que têm que esperar, em nome de outras “guerras”. Em vez de as deixarem cair mais uma vez, mas cheios de boa consciência, em nome de uma liberdade que não é a delas. Sejamos sérios.

  24. Ezequiel diz:

    Cara Patricia,

    O que me interessa é o seguinte: como é que a proibição do véu pode contribuir para uma redistribuição mais equitativa da liberdade? Acredita que o desaparecimento do véu irá alterar a configuração de poderes que é responsável pela submissão injusta das mulheres no cultura muçulmana e em outras culturas? Por outras palavras, qual seria a eficácia real da aboliçao, do ponto de vista da democratização e liberalização? Dado que não existe, tanto quanto sei, um movimento de mulheres muçulmanas que defende a abolição do véu, o que é que devemos fazer? Mas, seja como for, fico-lhe mt grato pelos seus comentários. Eu investiguei esta problemática (pluralismo radical e a constituição de novas interpretações do universalismo) há algum tempo atrás. É por esta razão que estou a gostar muito de ler o que tem para dizer (daí a minha insistencia não gosto de ser impertinente).

    Eu sei que existem inumeros mecanismos dissuasores à contestação-emancipação das mulheres no seio das comunidades muçulmanas. Como é que todos aqueles que desejam ajudar as mulheres muçulmanas podem ajudar a causa da emancipação? Se fosse responsável pela formulação de uma estratégia comunicativa, o que é que propunha?

    A problemática que levanta é muito interessante porque poderemos estar a perverter uma liberdade (a que se refere ao uso do véu) em nome de outra (a que se refere à necessidade de abolir um regime simbolico que está associado a relações de poder injustas. (?)

    Devo dizer que, apesar de ser um liberal (tradicional) convicto não considero a liberdade um valor absoluto. Qt à politização, discordo consigo. Se o uso do véu é, de facto, uma pratica opressiva, as mulheres muçulmanas devem procurar aliados na sua luta de emancipação. A mobilização política sempre se fez através da comunicação-politização. Quanto à educação, prefiro a solução Canadiana. Aprende-se biologia, “world history”, “world religions” etc.

    melhores cumprimentos,
    Obrigado!
    ezequiel

  25. Ezequiel diz:

    dissuasores DA…(desculpas pelo meu português)

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