Estudos que tais e liberalizações a mais

 

  Autor: Carlos Trincão

 

Neste domingo, pela manhã, calhou ouvir na rádio que, nesse mesmo dia, pela tarde, iria ser apresentado, não sei onde, um estudo sobre a juventude portuguesa de hoje. A notícia adiantava as conclusões: que os jovens, hoje, saem mais tarde de casa dos pais, que entram mais tarde no mercado de trabalho, que não há mercado de trabalho e mais umas coisas que, a bem ver, vão dar ao mesmo.

 

Ao que parece, a dita notícia lá teve a concretização anunciada, o estudo foi mostrado, o Ministro apareceu por lá e pronto.

 

Agora o que me apetece perguntar é: então e aquelas conclusões não são evidentes para toda a gente há muito tempo? Então, o Ministro só acredita nestas coisas quando uma Comissão o escreve?

 

Mas como esta pergunta é insuficiente, deixo outras duas: que razão tem pairado nos éteres governativos para que, sendo estas evidências tão evidentes, não tenha sido, evidentemente, abordado um modelo de desenvolvimento que, de vez, entenda as pessoas como gente e que a Economia serve os cidadãos?

 

Na verdade, queira-se ou não, o que nos tem sido mandado para cima da mesa é o oposto: a Economia é um fim e os meios para o atingir são as pessoas.

 

Mesmo a propósito, não é?, dizem as notícias de hoje, terça-feira, que é possível existirem por aí hospitais que estão a recusar acompanhamento médico a doentes com características, digamos, muito onerosas.

 

Foi lançada a suspeita, embora não se concretizem acusações ou dêem exemplos. O que não é bom. Porém, diz o ditado que não há fumo sem fogo…

 

As coisas não ficam por aqui. Acabo de ouvir, na televisão, a notícia do aumento do salário mínimo nacional para 403 euros em 2007, com compromisso de 2009 ver 450 euros e 2011 acolher o meio milhar.

 

É bom, claro. De resto, as confederações sindicais disso deram boa nota; contudo, não me passou despercebida a alusão, por parte de um representante de uma das confederações patronais, ao bom caminho que o nosso país trilha na senda da liberalização das leis laborais (sonante eufemismo para “despedimentos”, como sabemos), alusão essa dita num tom que mais não é do que o aviso: este aumento do salário mínimo mais não é do que a moeda de troca para a dita liberalização.

 

Fica a dúvida: a liberalização chega em 2011? Vamos ter um bocadinho de liberalização já em 2007? E em 2009 qual vai ser a percentagem de liberalização em vigor?

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QUARTA | Joana Amaral Dias
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