My name is Fernandes, José Manuel Fernandes

O inenarrável José Manuel Fernandes, uma espécie de comissário político honorário da administração Bush em Portugal, escreveu estas linhas:

O site do Bloco de Esquerda era uma delícia (…) Na primeira notícia dava-se conta, de forma amigável e mesmo simpática, da manifestação do Hezbollah que tinha por objectivo derrubar o governo democrático do Líbano. Na segunda exultava-se com o alegado fracasso de uma greve contra o golpe de Estado constitucional em curso na Bolívia, onde o recém-eleito Presidente quer aprovar uma nova constituição por maioria simples e não de dois terços (era interessante saber o que pensaria o Bloco se o PS, que tem maioria na nossa AR, tivesse idêntico projecto). Na terceira exulta-se com a vitória antecipada de Hugo Chávez, o caudilho venezuelano. Hezbollah, Morales, Chavez -é caso para dizer ao Bloco: «Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és…».

Os leitores podem ler o Esquerda.net julgar com a sua inteligência. Apesar de ser um espaço partidário, no Esquerda gostamos de dar artigos diversificados para as pessoas reflectirem. Por exemplo, no dossier sobre a Venezuela publica-se até um interessante texto de Francis Fukuyama de denúncia do chavismo.

Digamos que a única diferença, em relação à cobertura do Público (que esta semana destaca Cuba, Venezuela e Líbano) é que no Esquerda também se publicam opiniões favoráveis a Chávez.

Sintomaticamente, o director do Público não divulga o endereço do Esquerda, para as pessoas não poderem ajuizar por si. Mas, o que seria de esperar de um director que teve uma posição tão compreensiva a quando do golpe de Estado promovido pelos Estados Unidos, contra o presidente eleito da Venezuela…

Nota: Sou editor do Esquerda, embora esteja fora do país e, por isso, não tenha responsabilidade directa sobre os textos em questão.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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Uma resposta a My name is Fernandes, José Manuel Fernandes

  1. viana diz:

    José Manuel Fernandes só demonstra no seu editorial que é ignorante. Tenho pena dele, a expôr-se desta maneira ao ridículo…

    Vejamos:

    1) acaba o corpo principal do seu editorial com esta frase “Apenas o Deus de cada um e também o daqueles que não têm fé.”

    Mas, senhores, o que é que isto quer dizer?! O homem não sabe que quem não tem fé (ateus e agnósticos) também não “tem” Deus?!… O que é que é o “Deus (…) daqueles que não têm fé”?!!

    Depois, tal frase vem a propósito da divisa nacional dos EUA e que está inscrita nas moedas e notas de dolar: “In God We Trust”. Tal divisa não existe desde a fundação dos EUA (que era inicialmente uma divisa de inspiração colectivista – E Pluribus Unum), como JMF dá a entender, tendo sido iniclamente introduzida em moedas de cêntimos de dólar no séc. XIX durante a Guerra Civil sob pressão de fundamentalistas religiosos. Tornou-se a divisa nacional dos EUA em 1956 mais uma vez sob pressão de fundamentalistas religiosos que queriam acentuar a oposição ao “regime ateu da URSS”. Ainda hoje a existência de tal divisa é contestada por aqueles que o ignorante JMF diz que a aceitam (os sem fé):

    “Some opponents of the phrase argue that the First Amendment and a need for Thomas Jefferson’s “wall of separation between church and state” requires that the motto be removed from all public use, including on coins and paper money. They argue that religious freedom includes the right not to believe in the existence of deities and that the gratuitous use of the motto infringes upon the religious rights of the unreligious. They argue that an endorsement of any deity by the government is unconstitutional.”

    (http://en.wikipedia.org/wiki/In_God_We_Trust)

    2) relativamente ao Líbano, que eu saíba o direito de manifestação é um dos fundamentos da Democracia, e é apenas esse direito que o Hezbollah está a utilizar para levar o governo libanês a demitir-se. Por acaso o Hezbollah tentou derrubar o governo pela força? Então que é que pretende insinuar o pobre ignorante JMF? Tão ignorante que chama Democracia ao Líbano, um país onde não está implementado um dos elementos mais básicos da Democracia: cada cidadão tem apenas um voto, igual a qualquer outro. Ora, no Líbano, os lugares no parlamento são previamente distribuídos pelas várias confissões religiosas. Actualmente, esses lugares são atribuídos em igual número a cristãos e a muçulmanos, isto apesar de os primeiros representarem hoje apenas 40% da população. Em particular, os muçulmanos xiitas, que representam 35% da população só têm direito a 25% dos lugares no parlamento. Ou seja, o voto dum cristão vale aproximadamente 1.75 vezes mais do que o voto dum muçulmano xiita! E JMF chama a isto Democracia!!

    (ver
    http://en.wikipedia.org/wiki/Lebanon#Demographics
    http://en.wikipedia.org/wiki/Parliament_of_Lebanon)

    3) pelo contrário, JMF designa Hugo Chavez de “caudilho”. Implicitamente, JMF quer dar a entender que acha que a Venezuela não é realmente uma Democracia. Porquê?… Porque não ganha quem ele quer, eis porquê. Ou então porque é tão ignorante que não sabe que todas as eleições e referendos que Hugo Chavez ganhou, algumas de forma esmagadora, foram consideradas justas e democráticas quer pela UE quer pela Organização dos Estados Americanos. E a que acabou de decorrer é disso exemplo. Pelo contrário, JMF nada diz sobre o que se passa no México, onde teve lugar uma eleição fraudulenta e onde hoje está a ter lugar um regresso à repressão e matança generalizada de opositores ao poder instaurado (http://counterpunch.org/peller12022006.html).

    4) por último, Evo Morales, e a questão da aprovação da Constituição por maioria absoluta ou por 2/3. Mais uma vez, demonstrando profunda ignorância, JMF, não menciona que o partido MAS de Evo Morales **pretende** que a versão final da Constituição seja aprovada por maioria de 2/3 na Assembleia Constituinte, e caso tal não aconteça propõe referendar a nova Constituição. O que o MAS se opõe é à chantagem dos outros partidos que exigem uma maioria de 2/3 para aprovar passos intermédios durante a escrita da nova Constituição. Pretendem constituir uma minoria de bloqueio de modo a impedir que a nova Constituição alguma vez veja a luz do dia (http://www.democracyctr.org/blog/2006/11/vote-issue-explodes-again-in.html).

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