Um caso de polícia?

Carmona Rodrigues apareceu ao eleitorado como um anti-político: um homem independente e simpático que prometia ser o contrário de Santana Lopes. O antigo primeiro-ministro era superficial, arrogante, vistoso, Carmona afirmava-se estudioso, dialogante e discreto. Com a ajuda da péssima campanha do Partido Socialista e do seu candidato Manuel Maria Carrilho o actual presidente da câmara foi eleito.
Passado pouco tempo, a magia da propaganda desfez-se em fumos de corrupção. Na autarquia Lisboeta os escândalos sucedem-se: empreendimentos construídos sem licença de obras e com a conivência da autarquia, administrações de empresas municipais como a EPUL que criam prémios milionários para si próprios, dinheiros mal explicados dados a clubes de futebol e agora a cereja em cima do bolo: a câmara autoriza o loteamento de um terreno em Marvila, contra pedido expresso do governo, onde com muita probabilidade vai passar o TGV, permitindo a uma empresa privada vir a obter à conta do Estado uma choruda indemnização de cerca de 60 milhões de euros.
O mandato de Carmona Rodrigues arrisca-se a ser conhecido como a altura que Lisboa foi entregue por meia dúzia de patacos a grandes empresas do imobiliário. Ninguém compreende a necessidade de apoiar tal fúria construtora, existem na cidade dezenas de milhar de casas à venda e igual número de casas devolutas, não há visivelmente necessidade de tal política. Começa a ser claro que esta é não só uma gestão politicamente criminosa, como uma gestão muito turva nos seus motivos. No próprio PSD há quem, como a Presidente da Assembleia Municipal, Paula Teixeira da Cruz, comece a não querer alinhar em tal descalabro.
É preciso que esta câmara se demita antes que estrague irremediavelmente a cidade.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged . Bookmark the permalink.

4 Responses to Um caso de polícia?

Os comentários estão fechados.