Um caso de polícia?

Carmona Rodrigues apareceu ao eleitorado como um anti-político: um homem independente e simpático que prometia ser o contrário de Santana Lopes. O antigo primeiro-ministro era superficial, arrogante, vistoso, Carmona afirmava-se estudioso, dialogante e discreto. Com a ajuda da péssima campanha do Partido Socialista e do seu candidato Manuel Maria Carrilho o actual presidente da câmara foi eleito.
Passado pouco tempo, a magia da propaganda desfez-se em fumos de corrupção. Na autarquia Lisboeta os escândalos sucedem-se: empreendimentos construídos sem licença de obras e com a conivência da autarquia, administrações de empresas municipais como a EPUL que criam prémios milionários para si próprios, dinheiros mal explicados dados a clubes de futebol e agora a cereja em cima do bolo: a câmara autoriza o loteamento de um terreno em Marvila, contra pedido expresso do governo, onde com muita probabilidade vai passar o TGV, permitindo a uma empresa privada vir a obter à conta do Estado uma choruda indemnização de cerca de 60 milhões de euros.
O mandato de Carmona Rodrigues arrisca-se a ser conhecido como a altura que Lisboa foi entregue por meia dúzia de patacos a grandes empresas do imobiliário. Ninguém compreende a necessidade de apoiar tal fúria construtora, existem na cidade dezenas de milhar de casas à venda e igual número de casas devolutas, não há visivelmente necessidade de tal política. Começa a ser claro que esta é não só uma gestão politicamente criminosa, como uma gestão muito turva nos seus motivos. No próprio PSD há quem, como a Presidente da Assembleia Municipal, Paula Teixeira da Cruz, comece a não querer alinhar em tal descalabro.
É preciso que esta câmara se demita antes que estrague irremediavelmente a cidade.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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4 respostas a Um caso de polícia?

  1. José Andrade diz:

    Porque é que ninguém cita a entrevista de Carmona a Mª Flor Pedroso na Antena 1? Isto para um retrato fidedigno do homem que continuamente diz “pois, não sei, isso..”. Encostado à parede, diz que admira Aznar, o que só pode ser o ‘soundbite’ da semana.

  2. Nuno diz:

    Enquanto ninguém na classe política for responsabilizada criminalmente e cumprir de facto pena de prisão por este tipo de “decisões” que vão custar ao bolso dos contribuintes essa bela soma o país vai apodrecendo aos poucos! E depois muitos se admirarão com outra qualquer forma de ditadura que por aí apareça tal e qual como na 1ª Republica, a culpa disto tudo é, foi e sempre será da nossa medíocre classe política que prefere a política da terra queimada e do jogo político em troca do bem comum, todos sem excepção da direita retrógrada à esquerdazinha politicamente correcta.

  3. Não esqueçamos que o Carmona “estudioso, dialogante e discreto” foi sempre o “produto” que ele sabia que vendia bem. E vendeu, graças a Carrilho, que assim nos deixou entregues ao Carmona genuino, criatura de uma incultura patética, grosseiro e sem a mais ténue ideia de projecto para Lisboa a não ser, como está à vista de todos os lisboetas, o que NRA refere neste post.

  4. É verdade o que escreves sobre a imagem de Carmona Rodrigues aquando das eleições. Contudo reafirmo a tese que Carmona ganhou as eleições porque a esquerda as perdeu:
    – o PS, por estar minado por um grupo de empreiteiros e afins de igual ou maior perigo que esta direita, e porque apresentou um candidato débil capaz de se auto-mutilar em praça pública por uma boa capa de jornal.
    – a esquerda porque mais uma vez não se conseguiu unir.

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