Classificados

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Para alguns, sou um mundo de tentações. Para outros, sou apenas mais um farmacêutico que se traveste.

Em 1998, a London Review of Books resolveu seguir o exemplo da New York Review of Books e abrir uma secção de «classificados» pessoais. Lá porque as pessoas gostam de livros e ideias não quer dizer que não precisem de estar com outras. Mas o primeiro anúncio que receberam era bizarro, e a partir daí estabeleceu-se um padrão. Os textos são literários, irónicos, frequentemente autodestrutivos. Este mês, está nas livrarias uma selecção dos melhores anúncios pessoais da LRB, They call me naughty Lola. Alguns têm a cara de blogs conhecidos. [Apanhei a história aqui.]

Lavrando o mais solitário sulco. 19 anúncios pessoais, e ainda insisto. Uma única resposta recebida. Era a minha mãe, a dizer que não me esqueça de comprar o pão quando voltar do Aki. Homem, 51 a.
Puta na cozinha, cozinheira na cama. Mulher com prioridades trocadas, 37 a., procura homem que saiba mexer uma boa salada.

Homem tímido e feio, afundado em largos períodos de autocompaixão, de meia-idade, com flatulência e excesso de peso, procura o impossível.

All I need is the air that I breathe and to love you. E um automóvel de cinco portas (com ar-condicionado). E um mínimo de 55.000 libras por ano.

Uma vez encontrei o meu par ideal nesta coluna. Era um anúncio que eu mesmo tinha enviado uns anos antes e se tinham esquecido de publicar.

Sobre Ivan Nunes

QUINTA | Ivan Nunes
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