Democracia regional

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O Papa pediu, os extremistas religiosos israelitas exigiram, a polícia cumpriu : a marcha do orgulho gay em Jerusalém foi violentamente reprimida. Talvez, na próxima invasão israelitas, determinadas pessoas deixem de nos atazanar com as supostas qualidades democráticas e laicas do Estado de Israel e passem a condenar o assassínio de milhares de palestinianos e libaneses.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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29 respostas a Democracia regional

  1. Ezequiel diz:

    http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/6136682.stm

    “Hamas refused to recognise Israel, renounce violence and respect previous Israeli-Palestinian agreements.”

    “Hamas insists it will never join a government that recognises the State of Israel.”

    http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/3191309.stm

    Em maio 2000 Israel abandonou o sul do libano. No entretanto, o hizbollah armou-se até aos dentes (MILHARES DE ROCKETS,da siria e irao)

    http://www.crisisgroup.org

    Critico Israel? SIM SENHOR. Mas não me esqueço dos outros…

    Uma das poucas pessoas em Portugal que tenta compreender a problemática Israelo-Arabe a partir de uma perspectiva honesta e equilibrada é o Dr. Miguel Portas. Outros, como o Sr. Daniel Oliveira, passam uma semana em Gaza e regressam especialistas sobre politica do medio oriente. Fico sempre perplexo com a facilidade com que as percepções de uma semana são transformadas em argumentos conclusivos.

    PS: Sabes, porventura, quantas marchas gay já tiveram lugar em israel? Sabes, porventura, que Israel recebe dezenas de gays palestinianos que são perseguidos na Palestina? A repressão ilegal e injustificada da marcha gay não teve nada que ver com os ortodoxos israelitas, nem com os arabes muçulmanos, nem com o Papa…

  2. Ezequiel diz:

    Interpretation begins when you decide which aspects of a given phenomenon are relevant, which aspects you grant the privilege of visibility. This making-visible of interpretation constitutes the most elementary dimension of political arithmetic: it presents those that can (or can not) be counted as parts of the real.

    abraço,
    ezequiel

  3. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro Ezequiel,
    A sua ideia que o Miguel Portas só foi à Palestina uma vez, é falsa. Mas, de facto eu nunca fui. Mas digo-lhe: não é preciso ir ao Sudão para condenar os massacres no Darfur e também não é preciso ir ao Médio Oriente para saber que os Israelitas massacram sistematicamente palestinianos.
    E sejamos claros, Israel é um Estado religioso, parte dos seus fundamentalistas são tão ditadoriais e maus como os fundamentalistas islâmicos. Conhecendo a história do fundamentalismo na religião é interessante verificar que bin Laden foi treinado pelos EUA, a Arábia Saudita é apoiada por Washington, o Paquistão é o aliado de Bush e que no seu combate à OLP durante muitos anos os serviços de segurança de Israel apoiaram a criação do Hamas.

  4. Ezequiel diz:

    Caro Nuno,(estou com mt mt pressa, desclps plo txt telgfico)

    estava a falar do Daniel Oliveira e não do Miguel Portas (ouvi-o num programa da rtp onde foi entrevistado por uma senhora que se veste com umas blusas com folhados etc-foi mt equilibrado- não sei qts vezes foi lá-eu nunca lá pus os pés-referia-me apenas ao grau de validação e a uma postura ridiculamente simples) Tdvia, por vezes é salutar visitar os sitíos com tempo. Sem dúvida, não é preciso ir aos sitios para criticar o que por lá se passa.

    Sim, é verdade, aqui os numeros não mentem. Os Israelitas matam mais Palestinianos do que Palestinianos matam Israelitas. (isto agora vai ficar feio, mas peço a tua paçiencia)

    Pq é que isto acontece?

    lançam rockets a partir de zonas civis (isto faz pt de qualquer manual de guerrilha urbana, desde os Anarcas russos até Ché etc) -o uso de civis como escudos- e o uso do mal infligido aos civis como arma moral- uma estratégia em que o Hamas e Hizbolah são EXIMINIOS. Mts Palestinianos ajudam organizações como o hamas de boa vontade. Outros são “obrigados.” A politica oficial militar do estado de israel é o assassinato selectivo de MEMBROS de organizações terroristas. É isto que eles tentam fazer. A resposta do hamas e do hezbolah a esta estratégia foi uma mais profunda imersão no mundo civil…com tudo o que isto acarreta.

    Sim sei que existem fundamentalistas em Israel. Será que podes citar alguns (sê mais especifico) e diz-me, por favor, que poder é que eles, os fundamentalistas, tem? Israel é um estado liberal democrata, com alguns aspectos religiosos (o critério “religião hebraica” não determina a possibilidade de se ser, ou não, cidadão do estado de Israel…2 milhoes de Árabes… Druzos, Cristãos, Ateus, etc)

    Sim, Bin Laden foi treinado pela CIA para derrubar os Reds no Afeganistão ( My enemys enemy is my friend, so it goes). O calculo foi correcto: A derrota no afeganistão foi um factor decisivo no colapso da URSS (houve outros, mas este foi dramático). A Arábia Saudita é protegida por Washington (e não apoiada, são coisas distintas). É sabido que muitos na AS apoiam o terrorismo internacional. Poderiam tentar mudar o regime na AS? Ostracizar a AS? Estás disposto a andar de bicicleta todos os dias? (eu ando) Desmprego nos 15%-20%? Até a Rússia desenvolver plenamente o seu potencial energético, nada a fazer (particularmente com a tragédia Iraque) O Musharaf é um outro personagem: deixa terroristas á solta, apanha alguns lá de vez em quando, e pede bilhões para os continuar a “apanhar.” (ou seja, há um incentivo financeiro para continuar a apanhar terroristas…só podes apanhar aquilo que existe..se não existe…deixas que “apareçam”…é um mundo nojento, sem dúvida..um ciclo infernal! ) Nunca ouvi falar desta teoria de que os serviços secretos israelitas apoiaram a criação do hamas?? Não me parece mt credivel (imagino que a lógica elaborada deste raciocinio seria the divide and rule logic) Não teria sido necessário pq a OLP nunca foi uma organização coerente. Além disso, qq bom estratega sabe que qd se multiplicam os centros de decisão, aumenta-se a probabd de uma guerra civil..que..por sua vez… intensifica o prob do terrorismo…(a competição entre organizações terroristas faz-se da seguinte maneira: quem é que consegue matar mais judeus ou ocidentais?? )

    Estou certo que não concordarás com isto que escrevi. Ás tantas estou completamente errado. Provavelmente estou completamente errado. Não sei.

    ps: Sempre gostei mt do Miguel Portas. Gostei mt de o ouvir no prog que mencionei onde ele é entrevistado por aquela senhora com as camisolas extravagantes. Fiquei com a impressão que ele conhece bem o médio oriente.

    Que tenha mt saúde.

    abraço, ezequiel

  5. Ezequiel diz:

    E o Darfur, caro Nuno, e o Darfur (A liga arabe recusa-se a permitir a intervençao nas NU. Porquê? ) Somalia?

    Its so bloody obvious…

  6. Ezequiel diz:

    Depois de reler o que escrevi…isto pode parecer cheesy mas a verdade é que sempre que eu tento compreender uma guerra sinto uma profunda angustia por perceber que eu não sei do que estou a falar. Nunca vivi ou testemunhei uma guerra. Para mim é algo tão profundamente trágico que nem sequer consigo pensar direito. Sinceramente, a guerra (qualquer guerra, as suas motivações, os mal entendidos, a raiva, a espiral de estereotipos e generalizações, tudo.. etc) é algo tão tão irracional, cruel, ridiculo, trágico e incompreensivel que me faz sentir a mais profunda estupidez e impotencia. A única coisa que eu posso escrever é que eu desejo a paz para todos. (sounds hopelessly idealistic but thats the way I feel)

  7. Lutz diz:

    A notícia da supressão da parada é mais do que triste, mas o comentário contido no post é falacioso. A alegação de que o argumento em defesa de Israel, que garante liberdades cívicas aos seus cidadãos, em contraste a repressão das mesmas num estilo mediéval, nas sociedades e pelas sociedades a sua volta, deixa de ser válido, é hipócrito.

    Sem prejuizo pela crítica justa à violência assassina das forças israelitas contra os civis do territorio palestiniano.

  8. xatoo diz:

    sim senhor.
    o Ezequiel diz que nunca viu uma guerra
    mas ela passa em frente dos nossos narizes todos os dias (já não são é como dantes, com montes de batatada como nos filmes de hóliu)
    ainda esta semana tivemos aqui um porta-aviões à porta com 5000 funcionários de diversas profissões “clean” cuja função é despejar bombas por tudo o que é mundo.
    Já não sei quem é que dizia que não é preciso ver (se calhar foi o Saramago), para compreender, a forma mais segura, a melhor, é seguirmos simplesmente a nossa intuição.
    mas há malta que nem um porta-aviões consegue ver, quanto mais distinguir um homenzinho daqueles de fato-escuro e pasta preta das multinacionais de um favelado do Darfur, do Burundi ou da Cidade de Deus.

  9. luispedro diz:

    Violentamente reprimida? Qual é a fonte?

    O Guardian, entre outros, diz (http://www.guardian.co.uk/israel/Story/0,,1945420,00.html):


    After a week of riots, Jerusalem’s controversial gay pride parade passed off peacefully yesterday in spite of protests from ultra-religious Jewish groups.

    Peace was bought only by moving the event two miles from the city centre into the sterile government district. The area was closed to traffic and surrounded by 3,000 police officers, with riot police and horses in reserve.

    An observation balloon flew over the city centre and a helicopter patrolled. There was a small confrontation, far from the main event, when 30 activists attempted a march but were opposed by extreme rightwing settlers. Both groups were taken away by police.

  10. Pingback: Rabbit’s blog » Blog Archive » Mini Vitória em Israel

  11. Ezequiel diz:

    mt pertinente

    Domingo, BBC

    Reporters (r)

    23:30 (Lisboa)
    A weekly programme of stories filed by BBC reporters from all over the world, ranging from analyses of major global issues to personal reflections and anecdotes.

  12. Nuno Ramos de Almeida diz:

    A fonte da notícia é o El Pais (http://www.elpais.es/articulo/sociedad/elpporsoc/20061110elpepusoc_4/Tes/). 1.Os massacres de palestinianos e a tortura generalizada a cidadãos israelitas de origem árabe não são questões menores. Um regime que os pratica não é um regime democrático.
    2.A questão da democracia nos paises árabes é uma outra questão que também não se resolve à bomba. A mais negra das ironias deste conflito, é que para a região, a Palestina é das sociedades árabes mais democráticas e laicas, quando comparada com o grande aliado dos EUA, na região, a Arábia Saudita, é mesmo um paraíso democrático: há eleições, as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, etc…
    3. Se os fundamentalistas mandarem no governo de Israel (estão cada vez mais próximo disso) todas as pessoas que não se encaixam no seu modelo ditatorial vão sofrer.

  13. luispedro diz:

    O El Pais caiu uns pontos na minha consideração.

    A notícia omite, por exemplo, que os contra-manifestantes também foram presos. Além disso a formulação da notícia é torcida (“a polícia proibiu a manifestação enquanto permitia uma manifestação paralela”). O guardian (que, sendo um jornal de esquerda séria) e todas as outras notícias que vi diziam simplesmente que “a manifestação foi transferida” o que me parece muito mais directo, mas menos dramático.

    Neste caso, penso que a polícia israelita esteve bem na forma como lidou com uma situação social sensível.

  14. Ezequiel diz:

    A tortura de cidadaos israelitas arabes??? O que de facto nao e uma questao menor e’ a situacao de guerra permanente. Estamos a falar de uma situacao de guerra e tu, caro Nuno, pareces querer uma moralidade de paz numa situacao de guerra.(espero nao ser mal interpretado…nao e’ justificacao de coisa alguma…mas parece-me impt distinguir as coisas)

    ” Palestina é das sociedades árabes mais democráticas e laicas” ??? Sera isto que explica a ascensao do Hamas? Esta longe de ser democratica ou laica. Comparar com a AS e’ uma manobra duvidosa, nao achas??? (teoricamente as mulheres tem os mesmos direitos do que os homens mas as practicas revelamalgo totalmente diferentes) O Chile de Pinochet pareceria uma democracia se tivesse sido comparado com a AS.

  15. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro Luís Pedro,
    Mando-lhe também um link do Liberation, onde um activista gay afirma que “Israel prefere a homofobia à democracia”.
    http://www.liberation.fr/actualite/monde/216501.FR.php?rss=true
    Depois do El Pais deve ser a sua segunda desilusão.

  16. luispedro diz:

    Não, não fico desiludido, o Liberation nunca esteve muito alto na minha consideração 🙂

    De qualquer modo, dizer que “os israelitas preferiram a homofobia” não contradiz o que eu penso. Concordo com isso.

    A minha avaliação não incide na sociedade israelita, mas no Estado israelita e na sua polícia. A polícia esteve contra a maioria e nesse sentido foi até anti-democrática. Acho que ainda bem.

    Neste tipo de situações é fácil cair-se numa democracia iliberal em que a maioria decide amordaçar uma minoria. Isso não aconteceu.

    Além disso, não percebo porque é que citar-me um activista serviria de argumento. De certeza que os ortodoxos que estão a exigir a libertação dos seus activistas dirão o contrário: que israel preferiu “a defesa de um grupo de perversos à democracia.” No fundo, eles têm mais razão: se houvesse um referendo, ganhavam certamente os ortodoxos e os gays seriam considerados perversos.

  17. Ezequiel diz:

    Caro Nuno,

    ” Nora est une transsexuelle, ex-présidente (en 2003-2004) de l’association des homosexuels, lesbiennes bisexuels et transsexuels, la principale organisation de défense des droits la différence sexuelle en Israël.”

    A associação EXISTE!

    “Ceci dit, certains secteurs de la société israélienne sont extrêmement libéraux et ouverts. Il n’y a pas de rejet en bloc des différences sexuelles, et, globalement, le cadre légal assure les droits des homosexuels, lesbiennes et transsexuels.”

    Franchement, Nuno!

  18. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Facto: a manif do orgulho gay em Jerusalém foi proibida.
    Facto: o governo cedeu às pressões dos judeus fundamentalistas .
    Facto: o governo de Israel assassinou 18 pessoas de uma família palestiniana.
    Facto: todo o Conselho de Segurança condenou o acontecido, tirando os Estados Unidos (Reino Unido absteve-se) que mais uma vez salvou Israel de pagar pela sua política de desrespeito dos direitos humanos.
    Facto: não há nenhuma fonte independente (Amnistia, organizações de direitos humanos) que justifique a forma como os árabes, muitos deles cidadãos israelitas são tratados na “democracia” israelita.
    Facto: O Estado de Israel é acusado de racismo, pq trata de forma desigual os judeus negros (originários da Etiópia), em relação a outros judeus.
    Facto: tem razão existe uma organização de transsexuais e lébicas e homosséxuais que se queixa do tratamento homofóbico das autoridades de Israel e acusa-as de violar a democracia.
    O que conclui, o caro Ezequiel, disto? Exactamente o contrário dos factos.
    Ora bananas…

  19. Ezequiel diz:

    Esta obsessão com a facticidade absoluta indicia uma certa propensão para o autoritarismo, Nuno. Mas pronto.

    -ESTA manif foi proibida por razoes de seguranca (devido ao massacre das familias Palestinianas) Alem disso, as pressões para a sua proibicao vieram dos judeus, dos ARABES, e dos CRISTAOS…um exemplo de coexistencia pacifica e democratica…

    Ja se realizaram dezenas de manifs gay em israel. Estas a transformar uma excepcao numa generalizaçao. Pena!

    Qt ao massacre, não me posso pronunciar sobre ele pq nao disponho dos factos, ao contrario de ti. O gov israelita diz que foi um ” erro tragico ” (a zona de onde se disparavam rockets-a fonte desta afirmação e a BBC- estava a 50-60 metros das casas que foram atingidas) Os Palestinianos afirmam tratar-se de um massacre premeditado, intencional, malevolo. Resta saber o que Israel teria a ganhar, nesta guerra ultra mediatizada, com um ataque intencional a inocentes. Se o fez propositadamente , estão completamente loucos. Duvido, por isso, que se trate de um massacre intencional.

    -Sim existe discriminação contra os arabes …mas são cidadãos Israelitas..assim como contra os judeus etiopes…que tb sao cidadaos israelitas…a sociedade israelita nao e uma sociedade perfeita. Shlomo Ben Ami, historiador israelita, afirma que tem se dado mts passos na direcçao certa..na integracao de arabes israelitas e outros (este, alias, e um prob que se sente por toda a europa, onde mts NUNCA conseguem a cidadania..ou sera que todos os paises europeus nao sao democracias????)

    Penso que o termo “racismo” e um tanto ou quanto exagerado. Mas pronto, recorres ao vocabulario que te e mais familiar (europeu).

    http://www.iaej.co.il/pages/community_news-discrimination_against_students.htm

    Eu não concluo coisa alguma. Estou apenas a investigar.

    Bananas, so no tutti frutti. 🙂

  20. Ezequiel diz:

    oops esqueci-me…as citacoes sobre os gays etc vem do artigo do liberation que tu citaste…

  21. Ezequiel diz:

    foi, com toda a certeza,o racismo que fez com que Israel se esquecesse, por completo, dos judeus etiopes..deixou-os sozinhos, abandonou-os e nunca fez nada para que eles se estabelecessem em Israel…Sao horriveis estes israelitas racistas!!

  22. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro Ezequiel,
    É engraçado que você comenta sempre ao lado: eu falo-lhe do racismo em relação aos judeus etiopes, você diz pouco sobre isso e contrapõe que os israelitas foram buscá-los. Eu digo que a manif foi proibida, você garante que foi por causa dos árabes. Qualquer dia, dirá que as declarações do ministro Libermann são hinos à convivência dos povos e que os árabes foram feitos pra morrer bombardeados ou viver em campos de refugiados…
    Eu afirmo que massacrar palestinianos é imoral você vende-me as necessidades de segurança de Israel, como se o Estado Hebraico não estivesse a liquidar palestinianos desde 1948, e essa insegurança não se mantivesse. Já lhe passou pela cabeça que esta dinâmica de morticínio só cria insegurança?
    Gostava que comentasse as leis racistas do Knesset (por mais voltas que lhe dê, só me vem à cabeça a palavra “racista”) que são denunciadas por esta ONG israelita aqui: http://www.btselem.org/English/Special/2005804_Racism_Law.asp

  23. Ezequiel diz:

    Caro Nuno,

    Um simples exercicio de lógica:

    1- As manifs gay são permitidas em Israel. (facto: já se realizaram muitas anteriormente)
    Logo, tudo indica que a “proibição” desta manif foi movida por motivos que nada tem a ver com a homofobia ou a tentativa de reprimir a sociedade civil. Não posso afirmar isto com toda a certeza, mas parece-me plausivel. O Haaretz noticia que o acordo celebrado entre conservadores arabes, cristaos e judeus, que permitia a manif (dentro de parametros pre determinados) foi cancelado por causa de questoes de seguança.

    2- O que eu disse, e digo, é que existe uma infraestrutura politico cultural (instituições, direitos e processos institucionalizados de contestação) que permite a articulação pública de probs de discriminação. O Nuno, não explora a inconsistencia entre: 1) a tese do racismo contra os judeus etiopes e 2) o facto do estado-sociedade que supostamente os discrimina ter arriscado vidas para os ir buscar. Não faz mt sentido. Israel é uma sociedade plural. Aliás, se a guerra que se vive permanentemente em Israel fosse, por exemplo, uma realidade europeia (suponhamos entre Franceses e Alemaes) seria interessante saber se a Alemanha concederia aos Franceses (que não estao envolvidos no conflito, inocentes, claro) os mesmos direitos que Israel atribui aos Arábes Israelitas (que são inocentes, evidentemente. Mas, historicamente, este é um caso único.)

    3-Lieberman foi incluido no governo para se poder legitimar, à direita, a saída dos colonatos (A saida dos colonatos só poderá ser efectuada com alguém como Sharon, que beneficia da confiança da direita)

    “The rightist minister, who is staunchly opposed to the removal of illegal outposts, will now be a member of a six-member committee in charge of dismantling of settlements built on land that is not permitted for construction use and/or has disputed ownership between Jews and Palestinians. ”

    http://www.haaretz.com/hasen/pages/ShArtVty.jhtml?sw=lieberman&itemNo=785944

    4-Voçê fala-me nos massacres de palestinianos (desde 1948) mas não fala das guerras que criaram o prob Palestiniano, do radicalismo&terrorismo de organizações como o hamas e o hizbolah, do papel da siria e do irao em tudo isto, das negociacoes que arafat repetidamente abandonou, da saida do sul do libano que so agravou a seguranca de israel, da indoutrinação em escolas palestinianas (israel nao aparece nos mapas nas aulas de geografia), nas centenas de rocketts que caem em Israel todas as semanas (apesar de não serem mt eficazes, não deixam de ser aterradores…a não ser que sugira que Israel simplesmente os ignore!…)..enfim, uma perspectiva redutora e parcial! (como disse, não tenho qq prob em criticar Israel, mas de forma equilibrada e contextualizada, olhando para os dois lados do prob)

    Vou ler o link e já lhe digo alguma coisa.
    Cumpmts, ezequiel

  24. Ezequiel diz:

    Caro Nuno,

    Como disse, eu não sou um perito em política do médio oriente. Sim, a lei do Knesset é injusta, como são as actuais leis da imigração em Portugal, na França etc (evdt a lógica motivacional não é a mesma). O que importa salientar, simultaneamente, é a injustiça da lei e A EXISTENCIA DE mecanismos e processos sociais de contestação (como o BTSELEM). Deve ter presente, também, as circunstancias melindrosas que condicionam todo este processo de injustiça e contestação ( a relação complexa como os territórios ocupados etc Isto não é NADA fácil)). Penso que estas medidas injustas tem a ver com um “prob” demográfico (político) e não com o racismo per si.(o artigo refere que esta é a posição do estado Israelita) Todavia, SIM SENHOR, sou completamente contra esta lei discriminatória. Não tenho qualquer dúvida acerca disso. Mas acredito que se a guerra acabasse, esta lei seria rapidamente alterada…estou a especular obviamente! (o facto de a anterior lei não ter sido modificada até 2005 diz-nos alguma coisa. Ou não???)

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