No programa do único festival de cinema em Portugal exclusivamente dedicado ao cinema documental, que vai agora na sua terceira edição, um dos filmes que constava na programação era o de Leonor Noivo, intitulado Excursão. A sua exibição estava prevista para a passada segunda-feira. Mas não houve projecção. Ao público foi lido um comunicado em que se “explicava” que a empresa que organiza as excursões com vendas e mais vendas – cuja publicidade é recebida, por muitos de nós, nas caixas de correio – não autorizava a organização do festival – leia-se apordoc – e a Culturgest a divulgar a curta-metragem, ameaçando com uma acção judicial.
Portanto, o filme foi censurado. Embora, evidentemente, não tenha tido a oportunidade de ver o documentário, sei que se trata da exposição do que se passa nestas excursões, que muitas vezes são mais viagens de extorsão do que de excursão.
A realizadora, durante as filmagens, terá sido pressionada para deixar com a empresa as suas cassetes. Contudo, guardou-as e avisou a empresa que faria, não obstante as ameaças, o dito filme. Concorreu para o doclisboa e foi apurada. Agora, perante nova investida da companhia de extorsionismo, a organização do festival bateu em retirada.
É espantoso que, em 2006 e num país europeu, isto suceda. E que suceda sem que a comunicação social preste qualquer atenção. Nos jornais de hoje, a única referência ao caso é uma carta de um leitor no Público, Manuel Caldeira Cabral, que se espanta com o facto de, no documentário de Inês Medeiros, aparecerem testemunhos a gabar Salazar- o que só pode ser interpretado como sinal de “uma sociedade verdadeiramente livre”, enquanto a censura sobre a liberdade de expressão e de criação artística faz o seu caminho, recaindo sobre o silenciamento da revelação da publicidade enganosa, da manipulação e extorsão de turistas – muitos idosos. Que tempos estes!
Quero ver o documentário da Leonor Noivo. O tema, desde logo, é pertinente. A censura é inaceitável. Apelo que escrevam também à apordoc, exigindo a correcção desta decisão lamentável.




Sem comentários.
Mas porque haveria a apordoc de arcar com as despesas de um processo judicial? Para sustentar a liberdade de expressão da autora? Para que para o ano nem houvesse doclisboa? A autora que esclareça a coisa em tribunal; depois será livre de exibir o seu filme onde quiser.
Confundir prudência e respeito pela lei com censura é prova de má fé.
Se a Joana não está de acordo com esta forma de censura, poderia ter aproveitado os seus tempos como deputada para tentar exterminar as leis verdadeiramente celeradas que, no nosso país, protegem o bom-nome e castigam a difamação. Essas leis só servem, de facto, para tapar bocas inconveninetes. E, em Portugal, são ampla e liberalmente utilizadas para castigar quem fala de mais.
“A censura é inaceitável” mas ontem deixei aqui um comentário perfeitamente urbano que já desapareceu. Faz o que eu digo, não o que eu faço…
É uma chatice, a censura.
Se a Joana quer ver o filme “Excursão” da Leonor Noivo, eu também.
Como espectadora, como realizadora de documentário, como pessoa que sente que pertence a um grupo que gosta de documentário e quer que este género cinematográfico seja cada vez mais visto no nosso país, horizonte para o qual muito contribui o festival docLisboa.
Mas quero ver um filme que não se fez deixando para trás o essencial de um documentário. O acordo, ou se quiser o consentimento, para o filmar e para o exibir publicamente, daqueles que estão envolvidos nele. Mesmo que sejam empresas que não respeitamos, que consideramos que são extorsionistas em vez de excursionistas.
Gostava ainda de acrescentar que o tom leve e fácil com que fala de censura, transforma um dos mecanismo de controle mais atrozes dos sistemas modernos numa coisa corriqueira e banal, sendo um palavra que atira para a frente sem medir as suas consequências.
Com o seu currículo político deveria saber que a palavra censura tem um valor histórico demasiado pesado para ser usado desta forma “bitaiteira” e bloguista, mas infelizmente talvez esta escola retórica seja o que mais se aproxima da política que se faz no nosso país actualmente.
Como membro da Apordoc, repito, também farei tudo para que o filme da Leonor seja visto, da melhor forma possível e de pleno direito.
Continuamos a fingir que não percebemos.
O post de madalena miranda é um exercício demagógico que tem como único objectivo a defesa de um grupo restrito de interesses, a saber, os interesses da apordoc.
A apordoc defendeu todos os interesses, os seus e o das entidades que a apoiam; mas continuo sem perceber o que fez para apoiar a realizadora.. Afinal quem serve esta associação..? A comunidade dos jovens realizadores que trabalham sem apoios do estado ou privados..?
O post de mm é vergonhoso porque finge não saber que a direcção da apordoc seleccionou o filme para exibição no festival sabendo das condições em que o filme foi rodado, tendo sido a própria realizadora a informar pessoalmente a apordoc sob as condições em que o filme foi rodado.
O post de mm é hipócrita pois afirma –
“Quero ver um filme que não se fez deixando para trás o essencial de um documentário. O acordo, ou se quiser o consentimento, para o filmar e para o exibir públicamente, daqueles que estão envolvidos nele.”
Novamente.. como é possível a apordoc, ou um dos seus elementos, ter o dislate de vir atacar a integridade da própria realizadora, quando era do conhecimento da apordoc as condições em que o filme foi rodado e da falta de autorizações..? e que, apesar disso, antes de a bronca rebentar a apordoc o manteve na programação..
Aguento tudo, menos esta pseudo-seriedade-moralizadora. MM não podia defender a apordoc com um ataque cobarde à integridade da realizadora.
Voltarei a intervir de modo menos tosco à primeira oportunidade.
Prometo também um comentário aos apontamentos que MM fez sobre o texto de Joana A. Dias. Também aí MM finge não perceber o que está realmente em causa. Até já..
Cara Joana Amaral Dias
Vivemos numa sociedade democrática e nesse sentido podemos apreciar, falar e criticar tudo o que nos apetecer. Felizmente, podemos dar as nossas opiniões. A palavra censura remete-me para uma interdição e restrição da livre manifestação do pensamento quando se considera que tal pode ameaçar a ordem pública vigente (a histórica paranóia do controle e da segurança). Em relação a este assunto não me parece que seja o sucedido. Pelos vistos, a apordoc sabia da falta de autorizações que Leonor Noivo tinha, no entanto quis arriscar em pôr o já famigerado docuymnetário da realizadora no programa. Ora se a empresa de ‘extorsão’ ameaçou a associação do festival em causa e esta resolveu não levar o seu risco até às consequências jurídicas, não lhe parece desadequado o termo que utiliza?
Parece-me uma crítica com contornos levianos, que aliás, é um estilo a que estamos habituados vindo de si. Olhe que petulância é muitas vezes sinal de alguma deficiência, e no seu caso parece-me ser a da falta de consistência intelectual. Um estilo agressivo como defesa dá sempre que desconfiar um bocado… Desculpe-me, mas depois de a ler não posso deixar de lhe dizer o que penso e responder-lhe na mesma medida de combatividade/agressividade que normalmente assume. Pois se faz comentários públicos arrisca-se aos seus feed-backs.
Eu sou espectador do festival, fui ver 3 filmes, e tenho muita pena de não ter visto o de Leonor Noivo, que era um dos que queria assistir e que espero ainda um dia poder vir a fazê-lo. Não sou, neste caso, nem a favor nem contra a apordoc, independentemente desta associação ter sido mais ou menos correcta, parece-me que a sua crítica é algo histriónica e imprudente.
Obrigado e boa tarde.
Isto é um caso de Incompetência e não Censura.
Parece-me que, infelizmente, voltámos aos tempos do Intendente da Polícia Pina Manique… Talvez esteja na hora de se começar assinar por Elamno Sadino e começar-se uma nova revolução, a de 74 claramente falhou!!!!!