550 biliões de documentos e não está nada a dar

Conhecem aquela do Bruce Springsteen “57 channels and there’s nothing on”? Como é evidente, refere-se à experiência de percorrer todos os canais disponíveis num televisor e não encontrar nada que desperte o nosso interesse.

Já vejo pouca televisão. Às vezes, a minha ideia de um serão bem passado é procurar coisas na web (nos primeiros tempos da world wide web eu e os meus fascinados amigos decidimos chamar-lhe uó-uai-ué, mas a designação nunca se expandiu para lá de uma dúzia de pessoas — ismael para e-mail teve um pouco mais de sucesso), imprimir textos mais longos, ver vídeos curtos, ir aos blogues. E o curioso está no seguinte: à vezes desisto e digo para mim “não está a dar nada de jeito na internet”. Isto coloca uma questão interessante acerca da realidade quantidade de informação e saciedade intelectual. Pergunto: “não está nada a dar” por causa de uma tendência humana para a homogeneidade? porque deixamos de nos surpreender? por pura incapacidade de acompanhar? enquanto era só TV, podíamos dizer que a culpa era do meio; e agora, é do emissor ou do receptor?

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Segunda | Rui Tavares
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