550 biliões de documentos e não está nada a dar

Conhecem aquela do Bruce Springsteen “57 channels and there’s nothing on”? Como é evidente, refere-se à experiência de percorrer todos os canais disponíveis num televisor e não encontrar nada que desperte o nosso interesse.

Já vejo pouca televisão. Às vezes, a minha ideia de um serão bem passado é procurar coisas na web (nos primeiros tempos da world wide web eu e os meus fascinados amigos decidimos chamar-lhe uó-uai-ué, mas a designação nunca se expandiu para lá de uma dúzia de pessoas — ismael para e-mail teve um pouco mais de sucesso), imprimir textos mais longos, ver vídeos curtos, ir aos blogues. E o curioso está no seguinte: à vezes desisto e digo para mim “não está a dar nada de jeito na internet”. Isto coloca uma questão interessante acerca da realidade quantidade de informação e saciedade intelectual. Pergunto: “não está nada a dar” por causa de uma tendência humana para a homogeneidade? porque deixamos de nos surpreender? por pura incapacidade de acompanhar? enquanto era só TV, podíamos dizer que a culpa era do meio; e agora, é do emissor ou do receptor?

Sobre Rui Tavares

Segunda | Rui Tavares
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3 respostas a 550 biliões de documentos e não está nada a dar

  1. António Figueira diz:

    Como disse na semana passada o meu amigo Helder A., “a crescente complexidade do real requer uma redução drástica da nossa disponibilidade mental; em duas palavras, é preciso apreender menos para perceber melhor (no further comments, j’en peux rien pour vous, quem ainda não percebeu que meta explicador)”.

  2. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Helder A, és um clone do meu amigo Figueira, tentando traduzir as pérolas numa linguagem do povinho ignaro?

  3. xatoo diz:

    “De um Conhecimento Prudente para uma Vida Decente”
    BSS

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