No meu tempo chamavam-se outra coisa…

Os editores do blogue Blasfémias, que pretendem acoitar uma das grandes figuras do liberalismo português chamada Pedro Arroja, fizeram uma joyeuse entrée à novel versão bloguística da revista Futuro/Presente.

O blogue não desmerece da revista – ainda refere com uma lágrima rebelde a “resistência”  do colonialismo português em 61, mas já não chama “turras” aos que contra ele se batiam – e de tão aggiornatto que está, o generosamente inclusivo Blasfémias se calhar qualquer dia ainda descobre que também são liberais aqueles que, no meu tempo, se chamavam simplesmente os “fachos”.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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13 respostas a No meu tempo chamavam-se outra coisa…

  1. André Ribeiro diz:

    Gosto de ler blogs e não desgosto deste 5 dias. Mas há uma coisa não consigo entender: como é que vocês ainda conseguem ser de esquerda ou direita, como se é do benfica ou sporting? Pessoas supostamente que acham que têm alguma coisa para dizer às outras andar a chamar-se “fachos” ou “comunas”?? Há aqui um saudosismo das lutas do tempo do PREC que me custa a perceber… Sem defender direita nem esquerda, parece-me que o referido blog (Futuro Presente), pelo menos ainda não resvalou para o estilo trauliteiro que este seu post exibe.

  2. António Figueira diz:

    Se V. acha que este post é trauliteiro, tem dois problemas: 1) Não tem sentido de humor; 2) nunca viu um trauliteiro a sério.

  3. zazie diz:

    no meu tempo também te chamavam outra coisa: social-fascista

    Cara Zazie, V. demonstra ignorância de factos históricos fundamentais: ainda a Zazie andava de metro, e eu não tinha sequer nascido, e já o Dr. Nogueira Pinto era “facho” (e de resto não creio que ele se importasse nada que lhe chamassem isso); quanto a chamar-me a mim “social-fascista”, só deixo se o Dr. Durão Barroso também disser na Euronews que é marxista-leninista-maoísta e ama Estaline.

     António Figueira

  4. antimater diz:

    Aqui do cimo da minha cátedra declaro, sem problemas: 1) O post é homoristicamente trauliteiro. 2) Novos tempos, novas gírias 3) Já agora que tal um exemplo de um trauliteiro a sério ´pró`pessoal ver!

  5. António Figueira diz:

    Caro Antimatéria, obrigado pelo voto de confiança, mas não sei ser trauliteiro a sério (nem quero aprender).

  6. André Ribeiro diz:

    Já percebi que o “trauliteiro” não lhe caiu bem e garanto-lhe que não o queria ofender. Efectivamente uma das consequências mais nefastas do excessivo clubismo esquerda/direita, é deteriorar o humor e retirar-lhe universalidade. O seu post, seguido do seu comentário voltou a prová-lo. Tentou ter graça e saiu-lhe a piadinha fácil para o seu grupinho se rir. É uma outra versão da “piada de caserna”.

    André Ribeiro, V. não me ofendeu coisíssima nenhuma, mas, para ser sincero, escapa-me o interesse desta discussão e acho mesmo que V. padece de excesso de seriedade.

    António Figueira

     

  7. RSR diz:

    Mas qual é o dilema, a ala liberal, que já foi defensora do que de mais moderno e “à frente” se pensava e defendia (em tempos que já lá vão muito longe”, mostra-se hoje tão conservadora como a direita, mesmo aquela direita mais direita. Quanto ao proble~ma da esquerda/direita, estou cada vez mais confundido… há quem se diga de esquerda e no poder mostre que não o é. E também à quem se chame de esquerda e defenda coisas indefensáveis e incomportáveis pelos orçamentos de estado… mais do que isso também à quem se diga de esquerda mas procure apenas uma passerelle para algumas causas importantes mas de segundo nível… a verdadeira esquerda está morta ou a dormir pois o pensar crítico dos problemas que nos era costumeiro está desaparecido, o questionar o fazer frente por causas etc… Ao menos a direita, na sua arrogancia e na defesa coorporativa dos seus inrteresses próprios e nunca os interesses comuns, parece mais honesta… estamos a borrifar-nos para todos menos os nossos, mas assumimos isso mais claramente… nõ seu egoismo são mais honestos…
    Depois temos sindicatos que só estão do contra ao serviço de uns ou de outros, defendendo alguns direitos conquistados façam eles ou não sentido neste momento e principalmente ponham eles ou não em causa a propria existencia dos postos de trabalho ou da classe que defendem… Não vejo ninguém a fazer o que deve ser feito, nem tão pouco a defende-lo… sabem que mais, um, dois, esquerda,direita…

  8. charles diz:

    “Talvez centristas radicais!”

    eh, pra mostra, o referido post do ‘Futuro Presente’ até stá muito bem e não admira que à direita e à esquerda assim chame a atenção, mais não seja pelo insólito prestado na figura como na expressão ‘trauliteira’ desse Señor Aznaar

    o mais são tricas com sua piada e inteira razão de ser, tão certas quão úteis para cada um se situar

  9. zazie diz:

    Pois,
    caríssimo António, não calculei a sua ideia. Como diria o outro, se não era v. eram os seus papás. Desconhecer a sua idade só seria ignorância histórica se o caríssimo António já tivesse estátua.

    Mas não desconheço o passado. Nem o antes do 25 de Abril nem o depois.

    O que escreveu tem esse cunho “revisa” que se entranhou na nossa linguagem e ainda perdura numa série de complexos que impedem que se entendam as ideias de forma mais descontraída.
    Ao contrário do que diz essa linguagem é tradição de Pcs e quejandos que vieram a dar o BE e quem lhas colocou foi o MRPP.

    O Jaime Nogueira Pinto é uma das boas cabeças que temos. Os textos mais interessantes acerca da invasão do Iraque são da sua autoria.
    Desconhecer este detalhe, meu caro, é que é prova de ignorância histórica.

    Seria mais proveitoso que se procurasse entender estas questões que não se arrumam na etiqueta fácil com que as arrumou.

    E, essa etiqueta tem razão. Ainda v. devia andar de cueiros e já eu a ouvia a outros que tal.

    No meu caso estou mais que à vontade. Bem podem tentar chamar-me esses palvrões todos que não acertam. Estou precisamente onde estava antes do 25 Abril.

  10. zazie diz:

    Também se engana quanto à terminologia do “facho”. Os “fachos” é termo que aparece a par dos “facistas” por altura do PREC.
    Quem combateu a ditadura sabe disso. Já percebi que não pode ser o seu caso pois ainda andava de gatas. Mas eu, como v. disse, já andava de metro e fazia outras avarias que v. para sua infelicidade de grande combatente nunca poderá incluir no catálogo.
    E na ditadura houve muita coisa e ainda hoje existe demasiado burrice para se entender os intelectuais que nela existiram.
    Volto a repetir o Jaime Nogueira Pinto é um dos grandes exemplos. Quem não entende isto, pura e simplesmente não entende nada.

    Pode ser bom para colar cartazes mas não serve para mais nada.

  11. zazie diz:

    errata: não calculei a sua idade. A ideia acertei à primeira.

    Nunca falha.
    ehehe

  12. zazie diz:

    E fiquem bem.
    Na verdade estes debates, como dizem os meus amigos, parecem sempre um déjà vu.

    Tinha-os há 30 e poucos anos com os v.s papás, tenho agora precisamente os mesmos com a segunda geração. Só este detalhe daria para pensar… Portugal não mudou. Os tiques replicam-se; a pobreza de ideias é idêntica. A esquerda não faz sentido. É um erro histórico.
    A única coisa que pode fazer sentido centra-se na social democracia e nas suas variantes. O resto é folclore.
    Tão folclore como este post.

  13. zazie diz:

    Só para não haver enganos: a esquerda não faz sentido, é a minha opinião.

    O que não quer dizer que todas as ideias ou críticas ou posições políticas que venham de gente que dela se reivindique não tenham sentido.

    Referia-me apenas à configuração que acabou com a queda do muro de Berlim e com o fim do marxismo.

    Aqui dos 5, pelo menos existe um- o Ivan que tenho acompanhado e que suponho que não cairia nesta facilidade mental. E se caísse o azar era dele, ora!

    Bem que os liberais precisavam de ler o Nogueira Pinto… ó se precisavam…
    Não têm quem lhes chegue nem aos calcanhares

     

    Zazie, V. escreve demais (por mais interessantes que sejam os meus posts e por mais insónias que V. tenha, cinco comentários seguidos são um exagero, à próxima apago-os); de resto, confirmo que a modéstia me impede de surgir em estátua aos seus olhos, mas desminto quase tudo o resto que V. imagina de mim (nomeadamente qualquer filiação, simpatia ou proximidade em relação ao Bloco de Esquerda, que eu não vejo bem para que é aqui chamado). Quanto ao mais, registo que reverencia o grande intelectual Jaime Nogueira Pinto (daí o seu stakanovismo em matéria de comentários) e vou avisar o Ivan de que arranjou mais uma groupie. Agora adeus.

    António Figueira

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