Ciberpontapé na boca

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Há um fenómeno que me intriga na internet e nos blogues: as transformações psicológicas que os seus autores sofrem. Lendo amigos e desconhecidos, verifiquei que se dá uma metamorfose similar aos condutores de carro quando protegidos pela quentinha armadura do carro ganham palavrão fácil. Tenho estimáveis amigos que rompem o casulo habitual das pacíficas criaturas e aparecem com ademanes de Rambo. Ligados à rede, não há violência verbal ou possível violência física que não sejam capazes. Quando leio, nos blogues, textos que prometem tabefes e bengaladas penso sempre num velho professor de judo que tive, o mestre Vasco.

Certo dia, estávamos à espera dele, já tinham passado 20 minutos da hora do início do treino. O mestre chegou afogueado e bastante alterado como se tivesse corrido a maratona. Perguntamos preocupados: “mestre o que sucedeu!”. Contou-nos que tinha discutido com um homem numa paragem de autocarro, palavra puxa palavra e o sujeito tentou-lhe dar um murro. E nós ainda mais preocupados: “mestre o que é que fez?”. “Projectei-o sobre o ombro e atirei-o ao chão”, disse o experimentado judoca. E nós todos em coro: “e a seguir?”, “A seguir”, respondeu o mestre serenamente, “dei-lhe um pontapé e fugi, não fosse o gajo levantar-se”.

Publicado originalmente no Aspirina B

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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4 respostas a Ciberpontapé na boca

  1. eufrásia diz:

    N.R.de A.,já reparou que há um site chamado http://resistir.info que veio ontem e hoje com 2 artg sobre a Marcha para a Guerra ao qual os EUA(whoelse?) e a Nato, na ponta final(calculo eu)para começar a guerra contra o Irão.O que lhe advém aos seus neurónios e à esquerda?Não é motivo para pensar e quiçá ,agir?O que fazer?O Sócrates e restante tralha?As nossas tropas no Líbano pelos vistos não estão lá por causa dos bonitos olhos dos Libaneses.O papel do Capital,o Terror infligido por essa gente.A impunidade,a propaganda.Onde anda a Esquerda Portuguesa?A pensar pequenino?

  2. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Cara Eufrásia (é alguma coisa ao Eufrásio Filipe?), o seu comentário não vinha mais a propósito, com este post. Infelizmente, eu hoje só tenho tempo e neurónios, para postar pequeno e pensar ainda mais pequeno.

  3. João Miguel Almeida diz:

    Pois, segundo o meu mestre de kung-fu, o seu mestre de judo fez muito bem. O meu mestre contou-nos a história de uma senhora na casa dos setenta, avançada na arte do karaté, que foi abordada por dois mânfios. Partiu a cara a um deles e depois chamou a polícia. Resultado: o tipo da cara partida desata a fazer queixinhas à polícia – «ela é que nos bateu». E, como ela tinha batido mesmo, teve de pagar a cara partida de um tipo que a tentou assaltar. Bem sei que o ponto do post não é este – mas que sirva de exemplo e proveito.

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